domingo, 6 de setembro de 2009

poema em prosa - 1

o significante sorte não tem significado pra mim, essas meras letras (s-o-r-t-e) a mim nada dizem, se constituem apenas enquanto sinais gráficos que não encontram representação cabível em meus pensamentos. minhas idéias quando acordam tem a cor do seu sorriso pequeno quando se abre pra mim nas esquinas dos sonhos: é transparente! talvez por isso tenha dificuldades de enxergar realmente a cor do que sonho. entre sonhar e viver bebo cerveja nos bares das incertezas, gosto de razão na boca me provoca ânsia de vômitos. quando beijei a boca da menina de azul senti que a lua tocava meu ombro e sussurrava em meu ouvido que felicidade tem sabor de ilusão. os momentos tristes têm a mesma duração dos bons: cada um vai até o limite das suas forças. na corda bamba da vida me desequilibro sempre, quero cair pro lado que o vento soprar com mais força, assim vejo quando as saias do tempo se levantarem e descubro que morrer é nada mais que deixar de viver. quando criança sonhava em ser feliz hoje procuro não dormir, os sonhos são tristes em suas doses de verdade. meus vícios se assemelham a banho de chuva: quando me encharcam o corpo fazem escorrer minha razão. o que penso da vida? nada. pensar cansa e viver dói, por conta disso apenas sinto, o que já me é o suficiente: sentir tem cheiro de infância e faz crescer os cabelos. se você não sabe somar não se preocupe, a vida é uma conta de diminuir constante, perdemos sempre. quando encontrei o gênio da lâmpada no quintal da minha casa fiz meus três pedidos: uma cerveja gelada, um cigarro filtro amarelo e uma mulher, bebi a cerveja, fumei o cigarro e guardei a mulher no meu inconsciente, desde então toda noite ela me visita na volúpia dos sonhos. escrever, vez ou outra, faz doer minha razão, às vezes prefiro banho de cachoeira. você lembra do dia em que nasceu? nem eu, minha memória é fraca demais para guardar os mais de nove mil dias que tenho de vida. vou acender um cigarro pra fumar, enquanto isso vá queimando aí suas idéias tentando decifrar esse enigma: acendo, puxo, prendo e passo e não é baseado, o que é? voltei! e ae, descobriu? não?! é a mulher: eu a olho e com isso acendo meu desejo, puxo-a para junto de mim, prendo-a em meus braços/sexo/pernas e depois passo-a para o lado do meu coração, onde a guardo carinhosamente. lembrei de uma menina, um dia a olhei e ela acendeu meu desejo, a puxei para junto de mim e a prendi em meus braços/sexo/pernas, mas antes que tivesse tempo de passá-la para o lado do meu coração ela se foi e me deixou só. só e em silêncio. acho que vou chorar: o céu está azul e meu silêncio sem cor. talvez seja hora de encerrar a escrita e deixar que o calor da vida aqueça-me a solidão.