segunda-feira, 26 de abril de 2010

Reflexo do desejo ou que pena tudo ser apenas uma ilusão

Para uma moça bonita
A jovem pára frente ao espelho grande do banheiro e começa a se despir pensando que bem podia ser ele a despi-la, ele o jovem que a deseja e vem, insistentemente, dia a dia, declarando sua admiração e desejo por ela. Lentamente levanta a blusa branca que veste, tira-a pela cabeça e, enquanto o faz, fecha os olhos sentindo como se a boca do rapaz se aproximasse da sua e fosse, bem de leve, tocando seus lábios, um primeiro toque denso, repleto de medos e desejos guardados nas últimas semanas, ela sente como os lábios dele tateiam o seu, assim como um cego se põe a reconhecer uma superfície ainda não tocada por ele ela, a bela jovem de longos cabelos pretos, sente que os macios lábios do rapaz tateiam os seus também macios lábios de um jeito cego, tateante mas nem por isso menos saboroso. Em seguida, ainda de olhos fechados ela abre o fecho de seu sutiã como se fosse ele a abrir, de maneira um tanto desajeitada como é comum entre os homens ao se deparar com tão simples e complicado acessório feminino, agora os beijos dele, ela gostaria, tornam-se mais intensos, com leves mordidas que vão, assim como as cantadas e palavras lindas ditas por ele, num crescendo, tornando-se mais fortes, mais intensos e agressivos mas de uma agressividade sutil e delicada ao mesmo tempo, como a brincadeira de dois grandes felinos que, aos olhares humanos mais parecem uma briga não sendo nada mais que carinhosas expressões de amor, paixão ou qualquer outro sentimento confuso assim como a cabeça dessa linda jovem de nariz arrebitado tem andado nos últimos dez, onze dias, tempo que marca o desenvolver dessa tão estranha, aos olhos da jovem, relação. Será que posso chamar assim ela pensa enquanto as mãos passeiam por seus seios, uma para cada seio: a direita toca o mamilo esquerdo, operando em círculos seus dedos correm de um para outro lado, o contato da mão com o bico do seio lhe causa leves e deliciosos arrepios que, somados aos que sua mão esquerda desperta no bico do seio direito, a colocam num estado de êxtase intenso. Por um pequeno instante ela abre os olhos e vê refletida uma imagem que ousaria, pensa, definir como a imagem do prazer. Sim, para ela, nesse momento, nesses pequenos e já encerados momentos em que olha-se ao espelho e se vê nua da cintura pra cima com uma mão a tocar cada seio ela acredita que isso é desejo, é prazer, não tão somente por estar impregnada e mergulhada em desejo-prazer mas também por acreditar que o que se reflete não é apenas ela mas sim tudo que o jovem vem despertando nela, vem lhe atiçando: o desejo. Novamente de olhos fechado ela abre bem lentamente o zíper do short jeans que veste, um jeans azul escuro que em contato com sua pele branca torna ainda mais bela a cena: enquanto abre com a mão direita o short ela não se desgruda, com a esquerda, do seio, e assim ainda produz pequenos e ritmados movimentos que a arrepiam, mexe-se para que o short desça, sacode as pernas até que o mesmo fique perdido junto da blusa pelo chão, apenas de calcinha, uma calcinha rosa, um tanto infantil, ela sente como se o rapaz a surpreendesse por trás, então ele levanta seu cabelo, beija uma, duas, muitas vezes sua nuca, um beijo babado, molhado, lambido mesmo, em seguida desce por suas costas, vai até sua cintura e volta, marca o corpo da bela jovem com seus lábios, mapeia todo caminho que acredita ser de prazer, então sobe, chega à orelha da moça e lambe-a, lambuza-se e lambuza-a com seus beijos, ela sente quando a mão dele-dela invade de surpresa sua calcinha e toca seu sexo molhado, encharcado de desejo, assim como um mergulhador se joga no mar ele solta sua mão no sexo da jovem e deixa-a se perder, leve, solta feito o mergulhador no fundo do mar a mão dele-dela produz agora espasmos no corpo da jovem, ela sente as pernas tremerem, solta o seio e escora-se na parede para não cair, abre novamente os olhos e vê exatamente como vai, olhos cerrados, semi-abertos, boca também levemente aberta, deixando que seu corpo deslize ancorado na parede até chegar ao chão, então ela tira toda a calcinha e imagina que agora o rapaz começa a beijar-lhe os pés e inicia por eles um outro percurso por seu corpo-caminho, lentamente ele sobe pelas trilhas de suas pernas até encontrar novamente seu molhado sexo, ela quase geme tamanho o prazer que sente, sua mão direita massageia seu sexo enquanto a esquerda aperta com força seu seio direito, queria a boca do jovem ali agora, grudada na sua, mordendo-a com força, chamando-a de linda, gostosa, minha menina, minha linda e gostosa menina, assim ela o imagina sussurrar em seu ouvido antes de penetrá-la com força, tomando-a para si, fazendo dela seu objeto de desejo prazer, enquanto ela o faz de seu objeto de desejo prazer.

Carlos Henrique dos Santos. Abril de 2010.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

De Quando o Leão Invadiu o Paraíso

Para Tarsila, com um pedaço de saudade.

Naquele momento de nada mais adiantava amar, o espaço era grande demais para ser preenchido pelo amor, agora, só havia o leão e sua jaula; e nós, perdidos longe um do outro, iríamos sofrer com a invasão do paraíso. Você indo embora não imaginava o que viria a ocorrer, mas quando o leão surgiu pela primeira vez, no caminho da gula, eu sabia que ele iria nos pegar.
Você parece que também se deu conta disso, mas seu orgulho, ou o que quer que seja isso que você carrega no peito, te fez não me dar razão e ouvidos em minhas reclamações. Para você era normal a presença do leão desde que ele ficasse em seu lugar, apenas nos espreitando, apreciando sua(S) próxima presa, ponho esse S, pois eu também fui presa dele, não foi só você quem sofreu quando ele fugiu de sua jaula e nos atacou, pelo contrário, fui eu quem mais sentiu na pele a força destruidora do leão.
Quando ele adentrou em nosso espaço, no paraíso da nossa existência, eu já sabia que o pior iria acontecer.
Os leões não conhecem o amor, por isso fazem o que fazem com quem cai em suas garras. Sofrer pela perda do nosso paraíso me deixou assim, como estou agora, louco e triste pensando no passado; nesse passado onde o paraíso era nossa casa, era, porque depois veio o leão e acabou com nossa alegria, com a minha alegria, porque a sua ainda durou um certo tempo ao lado do leão.
O leão te tirou de mim e você aceitou isso, você foi com o leão, deixou apenas a jaula vazia para mim; uma grade começou então a nos manter separados, e até hoje nada pôde ser feito para nos manter juntos outra vez.
A jaula vazia me olhando, me fazendo lembrar de você. Eu sozinho no paraíso a espera de que você voltasse um dia. E você voltou, mas já não era mais a mesma coisa, já não era mais o nosso paraíso; agora havia aquele leão que invadiu nosso paraíso e devorou meu coração.
Não quero mais sofrer.
Vou ficar apenas com minha loucura na espera de que um dia o passado volte e me traga de volta a felicidade, a felicidade que o leão levou quando invadiu nosso paraíso.


Carlos Henrique dos Santos.
16/07/2003.
p.s. conto bem antigo, do início do meu "processo" de alguém que escreve. feito num momento de tristeza mas refletindo certa alegria. a dedicatória é da época e a mantenho aqui pois acredito que mesmo com o passar do tempo ela mantém certo caráter e identidade que o texto procura, à época de sua produção, construir.