quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Eu e ela conto

Ela apareceu do meu lado e disse oi, eu levantei a cabeça e respondi oi, dando a volta em torno da mesa ela disse posso sentar?, fechei o livro e disse pode, depois de puxar a cadeira e se acomodar ela disse eu acabei de tomar café, toda vez que eu bebo café eu sinto vontade de falar com alguém que eu vejo e que me chama a atenção, eu sorri meio sem graça e disse onde você me viu, ela piscou, passou a mão pelo cabelo e disse primeiro no elevador, eu estava descendo de um e você entrava no outro, despertou minha curiosidade a maneira como você segurava sua mochila, depois que passei por você eu fumei um cigarro e subi novamente, então te vi entrando na biblioteca, fui tomar meu café pensando em entrar aqui e falar contigo (lembra que depois do café eu preciso falar com alguém?!), eu disse nossa, quanta coisa e passei a mão sobre a capa do livro, ela disse é, quanta coisa, você deve estar me achando estranha, não?,eu disse não, não mesmo mas engraçada eu to te achando, ela sorriu e disse que bom, menos mal, eu cocei a perna e disse é, talvez seja bom mesmo, ela disse tomara que seja e tirou uma cutícula da unha, eu disse vamos fumar um cigarro?, ela disse sim, vamos e abriu um sorriso grande, levantamos e saímos da biblioteca para fumar um cigarro, ela disse tem isqueiro?, eu disse tenho, ela disse olha, eu não quero que você me ache estranha mas é que você chamou mesmo minha atenção, eu fui falar com você porque a vontade era muito grande, entende?, eu disse entendo e traguei forte pensando em como era estranha essa menina, ela disse eu te achei lindo, por isso fui até a biblioteca atrás de você, eu disse lindo? , e ri engasgando com a fumaça, ela disse é, lindo, não sei se só lindo mas alguma coisa balançou dentro de mim quando te vi, eu traguei em silêncio e disse faz tempo não me dizem isso, na verdade nem lembro direito se já ouvi isso algum dia, ela disse duvido e tocou meu rosto enquanto soltava a fumaça, eu disse algo que não lembro e fiquei vermelho, ela disse posso e eu disse o quê?, ela disse feche os olhos e eu fechei, ela tocou minha boca com seus lábios finos e eu me excitei, ela mordeu de leve minha boca e eu me excitei ainda mais, ela puxou meu cabelo com força e eu lembrei da minha mãe me fazendo cafuné, ela afastou sua boca da minha e disse eu sabia, eu sorri e disse sabia o quê?, ela prendeu o cabelo num rabo de cavalo e disse que você era o homem da minha vida, eu sorri e disse como assim homem da sua vida, como você pode saber disso se nem me conhece?, ela acendeu outro cigarro e disse eu sonhei ontem que ia encontrar o homem da minha vida e que quando a gente se beijasse eu saberia, eu disse que sonhos são apenas sonhos, ela disse não, meu sonho foi muito real e você era você mesmo, não era outra pessoa, eu acendi um cigarro também e disse não acredito muito nisso, fica parecendo coisa de destino, ela disse é isso mesmo, destino, esse é o nosso destino, ele está escrito desde ontem, eu senti um cisco no olho, cocei, traguei o cigarro, senti a fumaça entrar, sair e disse mas eu não acredito em destino, então como posso estar assim no seu sonho e no seu destino, ela sorriu e disse seu bobo, tragou forte e disse o destino não é meu nem seu, ele é nosso, eu fiquei quieto pensando no que falar, traguei uma-duas-três vezes seguidas soltando logo a fumaça e disse acho que vou embora, ela segurou meu braço e disse não, não vai, fica, não é pra você se assustar, eu apaguei o cigarro com o pé e disse tá, ela soltou o cabelo, segurou minha mão e disse eu te amo, eu disse que isso menina, você não pode me amar sem nem me conhecer, ela disse eu te amo porque eu te conheço, eu sempre te conheci, além do sonho de ontem você estava nos meus outros sonhos, desde os 11 anos que sonho com você, só que você não tinha sua cara, sempre aparecia com uma máscara, um pano no rosto ou encoberto por uma nuvem de fumaça, eu disse você é mesmo engraçada,engraçada e estranha, ela disse você não me ama?, e eu disse não, ela disse não faz mal, um dia você vai entender e vai me amar, vai me amar mesmo sem entender, eu disse será?, e sorri, ela disse sim, claro que vai, está tudo escrito, eu disse tá ficando bom, não tá?, ela disse tá mas vamos parar aqui e amanhã a gente termina, quer um café, eu disse quero, ela levantou e disse salva aí então enquanto eu preparo o café, eu disse tá, vou salvar no pen drive e selecionei o texto, ela disse (gritando da cozinha) tem cigarro?, eu disse tem, ela disse traz um pra mim, eu disse levo e desliguei o computador.

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