quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O homem e a mulher

Para Karine Luiz

O homem está sentado na mesa do bar, um cigarro na mão, o copo de cerveja sobre a mesa e um sorriso no rosto, ele olha a imensidão da noite que se estende pelo infinito de sua visão, sente o vento que passa por ele a lhe tocar a pele, seu riso é fruto de algo que ele não sabe o que seja, apenas está ali em seu rosto, não um riso grande e aberto, mas sim um pequeno riso, contido, comportado, silencioso.
A mulher vem descendo as escadas, em sua cabeça pensamentos dispersos tentam se montar feito um quebra cabeças, ela vê que o homem está sentado no bar do outro lado da rua e pensa: esse é meu homem, então sorri um riso grande, pra dentro, só dela, assim como o homem, ela pensa.
Do outro lado da rua o homem ainda não viu que a mulher vem descendo as escadas, chega no sinal, pára, espera e atravessa, só então ele percebe que ela caminha em sua direção, dá uma tragada forte no cigarro, joga-o ao chão, afasta da cabeça os pensamentos que o levavam a sorrir um riso pequeno e contido e olha de maneira séria, mas nem por isso menos carinhosa, para a mulher. Ela se aproxima, beija-lhe a face direita, em seguida sussurra-lhe algo no ouvido esquerdo e senta a seu lado. O homem volta a sorrir ao ouvir o que ela fala em seu ouvido e se excita ao sentir o cheiro doce de mulher que ela exala.
Ele grita pedindo um copo e outra cerveja e acende um cigarro, traga com força, como se quisesse inalar o mundo a sua volta junto da fumaça, ela fala coisas que ele não ouve, de pernas cruzadas ele fuma sentindo a noite a inundar o mundo com seu silêncio e luzes, levanta, vai ao banheiro, olha seu rosto no espelho enquanto mija, fecha os olhos e pensa na mulher que está sentada a sua espera na mesa, então sorri um riso grande e silencioso, quase uma gargalhada, mas sem som, apenas ele sabe e sente seu riso. Joga o cigarro no vaso, puxa a descarga, olha o pau no espelho e pensa na mulher nua.
Volta pra mesa mais leve, talvez até mesmo mais feliz, olha pra mulher e pensa que ela parece a lua, bonita, brilhando naquela noite escura, com uma espécie de anel colorido a lhe rodear (ele não sabe, mas essa é a cor da felicidade dela) dá um gole grande na cerveja, enche novamente o copo e diz pra mulher que gosta dela, assim: eu gosto de você, sabia?, sério mesmo, não tô brincando não.
Ela sorri e olha pra lua.
Ele segura sua mão e diz vamos, tá na nossa hora. Levanta, paga a conta e caminha ao lado da mulher com um cigarro acesso.
Fazem todo o percurso em silêncio, ele fuma. Ela pensa. Mais nada.
Ao chegarem em frente ao portão da casa do homem ele segura a mão da mulher e entram assim, juntos, de mãos dadas.
No céu a lua brilha com força.
Eles entram, ela anda em direção ao quarto, ele vai pro banheiro, se despe e toma um banho frio, sente o calor do dia a escorrer junto da água, fecha os olhos por alguns segundos e sente um leve torpor a lhe envolver o corpo, abre os olhos, fecha o chuveiro e sorri alto, bem alto, muito alto.
Quando chega no quarto ela está deitada de bruços, nua em sua cama, fingindo dormir, como se fosse uma atriz numa cena já ensaiada, o homem caminha em sua direção, pára aos pés da cama e tira sua bermuda, olha seu sexo rijo, duro, abaixa-se e beija os pés da mulher, ela não se mexe, depois ele esfrega o pau duro nos pés dela, vai seguindo assim por suas pernas, beija e em seguida esfrega o pau duro, ela sorri baixinho um riso de menina sapeca, levada, já sobre a cama o homem beija a bunda da mulher, começa pelas extremidades e vai, pouco a pouco, se aproximando do centro, aí se detém, com as duas mãos afasta as polpas da bunda da mulher, bem lentamente lambe-lhe a boceta molhada, salgada, quente, ela se arrepia, emite um ai sussurrado, ele então faz o mesmo em seu cu, ela estremece, depois ele esfrega o pau na boceta e no cu dela, seus corpos estão quentes, ele passeia seu sexo duro entre um e outro orifício da mulher, e sem que ela espere entra com força, como se quisesse feri-la, e fere, mas de prazer, ela grita, ele entra com mais força, dentro da mulher o homem se sente forte, quase um herói, um verdadeiro mestre na arte do amor.
Ele olha seu pau entrando e saindo da boceta da mulher. Fecha os olhos e lembra de quando era criança, de como era bom se juntar aos outros meninos da rua e sair andando de bicicleta, sem rumo, sem caminho de ida ou volta, apenas pedalar importava, nada mais. Seu corpo ficava leve, relaxava, por sobre a bicicleta ele era livre, o mundo todo cabia nos seus pedais e pneus, o guidão ditava seu destino, sua infância era o início, apenas o início, de uma longa vida que se estendia à sua frente, feito as ruas por onde ele pedalava.
Agora enquanto entra com seu pau duro na boceta da mulher ele sente a mesma sensação de leveza e liberdade de quando menino, os movimentos do ato sexual o fazem relembrar suas muitas pedaladas da infância, assim como saía de casa sem destino certo, a procura do desconhecido da vida montado em sua bicicleta, o homem agora montado sobre a mulher sente o mesmo que sentia então, como se flutuasse por sobre o assento, leve leve, ele flutua por sobre a mulher, o futuro não importa, antes pedalar era sua vida, agora sua vida é o sexo, é a mulher.
Então ele fala bem alto, para que todo o mundo a sua volta possa ouvir, para que todos saibam, assim como gritavam quando ele era criança e ganhava as corridas que os outros meninos organizam: pedala, ele grita agora, com seu pau duro dentro da mulher, com seu corpo leve, flutuando por sobre a noite: eu te amo eu te amo eu te amo.
Assim, uma duas três vezes, depois se deixa cair pro lado da cama, fecha os olhos e vai, pouco a pouco, sentindo seu corpo outra vez. Pega um cigarro, acende, levanta, abre a janela e fica olhando a lua no céu brilhando como os olhos da mulher brilham as suas costas.

Carlos Henrique dos Santos.
Julho de 2006.

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