<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244</id><updated>2012-02-16T14:09:07.534-08:00</updated><title type='text'>os anjos estão caindo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-8515270406303445596</id><published>2011-11-23T10:31:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T10:31:09.199-08:00</updated><title type='text'>Os anjos estão caindo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;ara Iza Quelhas, Virginia Navarro e Gigi Veiga &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo decidido a parar de fumar. Levanto e jogo o maço de cigarros que  estava sobre a estante na lixeira do banheiro. Tiro a roupa lentamente,  sentindo cada pedaço de sono que ainda se gruda a minha pele se soltar.  Tomo um banho frio e de olhos fechados experimento uma sensação de  alívio, uma luz azul me ilumina todo por dentro, resquícios de você  descem pelo ralo em direção ao vazio sujo da cidade lá fora.  &lt;br /&gt;Caminho pela casa com uma caneca de café na mão. A vontade de fumar  cresce, fecho os olhos respirando fundo e penso no meu pai morto, não  choro. Pego um livro do Pessoa em cima do sofá e saio. A rua me absorve  com seu hálito quente de mais uma manhã de verão, o barulho de vida que  sobe pelos poros da cidade me irrita, vejo pessoas diferentes, mas com a  mesma cara, o mesmo rosto disforme, transfigurado pela rotina, pela  pobreza de humanidade que envolve o cotidiano.  &lt;br /&gt;Ando cerca de trinta minutos até chegar na casa da minha mãe, ela me  olha com seus olhos vesgos, sinto uma náusea subir pelo meu estomago a  apertar com força minha garganta, penso em ir ao banheiro e vomitar, mas  acho que não vou conseguir, olho minha mãe enquanto ela fala, tento  prestar atenção em suas palavras, mas tudo que ouço é o zumbido do  ventilador de teto: mosca varejeira de metal que zumbe triste e  monotonamente uma cantiga fastidiosa. Digo a minha mãe que tenho que ir,  ela abaixa a cabeça e pergunta numa voz arrastada se sinto falta do meu  pai, saio sem fechar a porta. &lt;br /&gt;Na rua outra vez o bafo do calor me envolve, suo, estalo os dedos e fico  olhando os maços de cigarros bem arrumados de uma padaria, o ônibus  demora, quero tirar meus sapatos, sinto cede, entro na padaria e peço  uma cerveja, ontem à noite queria te ligar, mas fiquei com medo de qual  seria sua reação, estava cansado e dormi antes mesmo de ver o fim do  jogo, acordei quando já era de madrugada, estava com sede e fui tomar  banho. &lt;br /&gt;A cerveja acaba e o ônibus ainda não passou, peço outra e a vontade de  fumar aumenta. Fecho os olhos e mijo com força, sinto saudades da minha  infância, de olhar o céu azul e ficar imaginando os anjos caindo feito  pingos de chuva. Abro o livro e leio: &lt;br /&gt;Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei. &lt;br /&gt;Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.  &lt;br /&gt;Um engarrafamento começa a se formar, vou ao orelhão e ligo pra livraria  avisando que chegarei tarde. Penso em ligar pra você, fico olhando o  número de créditos que ainda tenho no cartão tentando contar quantos  usarei pra dizer que te amo e que quero voltar. Disco e fecho os olhos,  os anjos da minha infância caíam me olhando, me acenavam e sorriam pra  mim, vejo-os sérios agora enquanto espero a ligação ser atendida. &lt;br /&gt;O silêncio me deixa cansado, quero tomar banho, tirar de mim essa camada  de poeira saudade e melancolia que me invade pelas manhãs. Peço mais  uma cerveja acreditando que seja a última; preciso trabalhar, preciso  desculpar a mim mesmo por não ter te ligado ontem, preciso voltar pra  você, preciso de mais amor, mais carinho, mais atenção, mais respeito,  preciso de tanta coisa junta que acabo tendo medo de um dia não precisar  de mais nada. Entre o mais e o menos do poema do Pessoa me situo no  entremeio, entre ser e não ser fico tentando achar a resposta certa,  pedra ou planta? Não sei, não quero saber, tenho medo, e mesmo assim  pergunto, cato na memória meu primeiro beijo, a primeira transa, o  primeiro baseado, o choro mais triste, o mais longo, busco camuflar a  resposta dando-me outras perguntas, outra atividade que possa de alguma  forma diminuir meu anseio, minha angústia tem gosto de café amargo pós  noite de porre.  &lt;br /&gt;Saio da padaria, o engarrafamento está grande, olho o céu à procura dos  anjos da minha infância, minha cabeça roda um pouco, a garganta parece  coçar pedindo cigarro, pigarreio, cuspo e trinco os dentes tentando  afastar a vontade de fumar. Faz calor, suo, quero um banho; terminei e  quero voltar, será que você não entende isso? Então não posso mais me  arrepender? O que te faz ficar assim tão irreversível em sua decisão?  Durante três anos te amei com todas as minhas forças, tentei te guardar  dentro de mim feito a roupa que acabamos de passar e vamos bem  lentamente pondo na gaveta com cuidado excessivo para não amassá-la,  busquei ao máximo não amassar você, procurei te guardar inteira dentro  de mim, fechei os olhos pro mundo, vesti máscaras de homem feliz e  sincero para encenar o grandioso espetáculo da nossa relação, mas quando  mudei de atitude, quando passei a ver você não como a mulher ideal,  perfeita, a mulher da minha vida, quando te disse, naquele dia chuvoso  sob a marquise de um ponto de ônibus que você era pra mim como qualquer  outra mulher, mas que em você eu me deixava mergulhar, que no mar do seu  corpo eu era mais eu do que fora até então, penso que você não foi  capaz de perceber, de enxergar a diferença fundamental entre ser igual a  todas as outras e ser, dentre todas as outras, a única em que o  mergulho, a entrega, era total, verdadeira, sincera, fatal, e por isso  mesmo necessária. &lt;br /&gt;Tão necessária quanto o passo no caminho, a idéia na cabeça, a dor na  doença, você é pra mim algo fisiológico, do qual preciso, você é como o  ar que respiro, não quero ser sentimentalista e piegas, mas quando  acordo e vejo que terei de encarar mais um dia de vida, quando sinto o  ar entrando por meus pulmões sujos de nicotina, quando escancaro as  janelas da minha casa e olho o céu a procura dos anjos da minha infância  e percebo que você é real, que a camada de sonho que recobria minha  pele durante o sono era apenas um fragmento de vida disfarçado, quando  tenho a certeza de que vivo, de que há vida em mim, que algo pulsa e  arde com força me levando à certeza da existência, é aí, nesse exato  instante, nesse intervalo de segundos entre o ato de respirar e o de  sentir o ar entrando, preenchendo, ocupando seu lugar no pulmão, é então  que sinto sua falta, que me vejo fraco, vulnerável, e quando me dou  conta do tamanho do vazio que seu amor deixa em mim é que tenho ainda  mais medo de não ter mais você. &lt;br /&gt;Volto à padaria compro um maço de cigarros, uma caixa de fósforos e peço  outra cerveja, bebo olhando os vinte cigarros prensados uns contra os  outros e não fumo, apenas olho cada um deles: alcatrão: 4mg; nicotina:  0,4mg; monóxido de carbono: 6mg. Termino a cerveja e saio, os carros  parados zumbem feito abelhas, olho a minha volta a procura de um  orelhão, mas desisto de te ligar, caminho até um banco do outro lado da  rua, sento, olho o céu, os anjos começam a cair, descem bem lentamente:  como em uma cena de filme mudo em câmera lenta cada um deles me acena  enquanto cai, fecho os olhos e fico sentindo o cheiro doce de cada anjo,  começa a ventar, uma brisa leve, suave, macia como suas mãos quando me  acaricia a pele, enfio a mão no bolso a cata da caixa de fósforos e  ponho um cigarro na boca, fico assim por um instante: o cigarro na boca e  o palito na mão apagado, um anjo chega ao chão e corre em minha  direção, pára ao meu lado e sussurra seu nome em meu ouvido, então risco  o fósforo acendo um cigarro e fecho os olhos pensando num poema do  Pessoa: &lt;br /&gt;Quando tornar a vir a Primavera &lt;br /&gt;Talvez já não me encontre no mundo. &lt;br /&gt;(...) &lt;br /&gt;Há outros dias suaves. &lt;br /&gt;Nada torna, nada se repete, porque tudo é real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. &lt;br /&gt;Setembro de 2006. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-8515270406303445596?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/8515270406303445596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=8515270406303445596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/8515270406303445596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/8515270406303445596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/os-anjos-estao-caindo.html' title='Os anjos estão caindo'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-6990458732465875396</id><published>2011-11-23T10:30:00.003-08:00</published><updated>2011-11-23T10:30:41.392-08:00</updated><title type='text'>O homem e a mulher</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;Para Karine Luiz &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem está sentado na mesa do bar, um cigarro na mão, o copo de  cerveja sobre a mesa e um sorriso no rosto, ele olha a imensidão da  noite que se estende pelo infinito de sua visão, sente o vento que passa  por ele a lhe tocar a pele, seu riso é fruto de algo que ele não sabe o  que seja, apenas está ali em seu rosto, não um riso grande e aberto,  mas sim um pequeno riso, contido, comportado, silencioso. &lt;br /&gt;A mulher vem descendo as escadas, em sua cabeça pensamentos dispersos  tentam se montar feito um quebra cabeças, ela vê que o homem está  sentado no bar do outro lado da rua e pensa: esse é meu homem, então  sorri um riso grande, pra dentro, só dela, assim como o homem, ela  pensa.  &lt;br /&gt;Do outro lado da rua o homem ainda não viu que a mulher vem descendo as  escadas, chega no sinal, pára, espera e atravessa, só então ele percebe  que ela caminha em sua direção, dá uma tragada forte no cigarro, joga-o  ao chão, afasta da cabeça os pensamentos que o levavam a sorrir um riso  pequeno e contido e olha de maneira séria, mas nem por isso menos  carinhosa, para a mulher. Ela se aproxima, beija-lhe a face direita, em  seguida sussurra-lhe algo no ouvido esquerdo e senta a seu lado. O homem  volta a sorrir ao ouvir o que ela fala em seu ouvido e se excita ao  sentir o cheiro doce de mulher que ela exala. &lt;br /&gt;Ele grita pedindo um copo e outra cerveja e acende um cigarro, traga com  força, como se quisesse inalar o mundo a sua volta junto da fumaça, ela  fala coisas que ele não ouve, de pernas cruzadas ele fuma sentindo a  noite a inundar o mundo com seu silêncio e luzes, levanta, vai ao  banheiro, olha seu rosto no espelho enquanto mija, fecha os olhos e  pensa na mulher que está sentada a sua espera na mesa, então sorri um  riso grande e silencioso, quase uma gargalhada, mas sem som, apenas ele  sabe e sente seu riso. Joga o cigarro no vaso, puxa a descarga, olha o  pau no espelho e pensa na mulher nua. &lt;br /&gt;Volta pra mesa mais leve, talvez até mesmo mais feliz, olha pra mulher e  pensa que ela parece a lua, bonita, brilhando naquela noite escura, com  uma espécie de anel colorido a lhe rodear (ele não sabe, mas essa é a  cor da felicidade dela) dá um gole grande na cerveja, enche novamente o  copo e diz pra mulher que gosta dela, assim: eu gosto de você, sabia?,  sério mesmo, não tô brincando não. &lt;br /&gt;Ela sorri e olha pra lua.  &lt;br /&gt;Ele segura sua mão e diz vamos, tá na nossa hora. Levanta, paga a conta e caminha ao lado da mulher com um cigarro acesso. &lt;br /&gt;Fazem todo o percurso em silêncio, ele fuma. Ela pensa. Mais nada. &lt;br /&gt;Ao chegarem em frente ao portão da casa do homem ele segura a mão da mulher e entram assim, juntos, de mãos dadas. &lt;br /&gt;No céu a lua brilha com força. &lt;br /&gt;Eles entram, ela anda em direção ao quarto, ele vai pro banheiro, se  despe e toma um banho frio, sente o calor do dia a escorrer junto da  água, fecha os olhos por alguns segundos e sente um leve torpor a lhe  envolver o corpo, abre os olhos, fecha o chuveiro e sorri alto, bem  alto, muito alto. &lt;br /&gt;Quando chega no quarto ela está deitada de bruços, nua em sua cama,  fingindo dormir, como se fosse uma atriz numa cena já ensaiada, o homem  caminha em sua direção, pára aos pés da cama e tira sua bermuda, olha  seu sexo rijo, duro, abaixa-se e beija os pés da mulher, ela não se  mexe, depois ele esfrega o pau duro nos pés dela, vai seguindo assim por  suas pernas, beija e em seguida esfrega o pau duro, ela sorri baixinho  um riso de menina sapeca, levada, já sobre a cama o homem beija a bunda  da mulher, começa pelas extremidades e vai, pouco a pouco, se  aproximando do centro, aí se detém, com as duas mãos afasta as polpas da  bunda da mulher, bem lentamente lambe-lhe a boceta molhada, salgada,  quente, ela se arrepia, emite um ai sussurrado, ele então faz o mesmo em  seu cu, ela estremece, depois ele esfrega o pau na boceta e no cu dela,  seus corpos estão quentes, ele passeia seu sexo duro entre um e outro  orifício da mulher, e sem que ela espere entra com força, como se  quisesse feri-la, e fere, mas de prazer, ela grita, ele entra com mais  força, dentro da mulher o homem se sente forte, quase um herói, um  verdadeiro mestre na arte do amor. &lt;br /&gt;Ele olha seu pau entrando e saindo da boceta da mulher. Fecha os olhos e  lembra de quando era criança, de como era bom se juntar aos outros  meninos da rua e sair andando de bicicleta, sem rumo, sem caminho de ida  ou volta, apenas pedalar importava, nada mais. Seu corpo ficava leve,  relaxava, por sobre a bicicleta ele era livre, o mundo todo cabia nos  seus pedais e pneus, o guidão ditava seu destino, sua infância era o  início, apenas o início, de uma longa vida que se estendia à sua frente,  feito as ruas por onde ele pedalava. &lt;br /&gt;Agora enquanto entra com seu pau duro na boceta da mulher ele sente a  mesma sensação de leveza e liberdade de quando menino, os movimentos do  ato sexual o fazem relembrar suas muitas pedaladas da infância, assim  como saía de casa sem destino certo, a procura do desconhecido da vida  montado em sua bicicleta, o homem agora montado sobre a mulher sente o  mesmo que sentia então, como se flutuasse por sobre o assento, leve  leve, ele flutua por sobre a mulher, o futuro não importa, antes pedalar  era sua vida, agora sua vida é o sexo, é a mulher. &lt;br /&gt;Então ele fala bem alto, para que todo o mundo a sua volta possa ouvir,  para que todos saibam, assim como gritavam quando ele era criança e  ganhava as corridas que os outros meninos organizam: pedala, ele grita  agora, com seu pau duro dentro da mulher, com seu corpo leve, flutuando  por sobre a noite: eu te amo eu te amo eu te amo. &lt;br /&gt;Assim, uma duas três vezes, depois se deixa cair pro lado da cama, fecha  os olhos e vai, pouco a pouco, sentindo seu corpo outra vez. Pega um  cigarro, acende, levanta, abre a janela e fica olhando a lua no céu  brilhando como os olhos da mulher brilham as suas costas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. &lt;br /&gt;Julho de 2006. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-6990458732465875396?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/6990458732465875396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=6990458732465875396' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6990458732465875396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6990458732465875396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/o-homem-e-mulher.html' title='O homem e a mulher'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-2956912939988923286</id><published>2011-11-23T10:30:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T10:30:18.505-08:00</updated><title type='text'>Hoje acordei querendo beijar a Ana Hickmann</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;Para Isabela Pasini &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro, assim como o passado, é uma mera projeção que fazemos, na  verdade nenhum dos dois existe. O primeiro por ser aquilo que ainda não  foi vivido não possui existência, se constitui enquanto um querer-ser,  um vir a ser que ninguém pode definir ou supor o que seja; por ainda não  ter acontecido o futuro se nos apresenta apenas como uma idéia, uma  extensão dos nossos pensamentos que refletimos na parede do desejo, e  assim ficamos a espera de que se concretize. O segundo apresenta mais  indícios de verdade; querendo ou não o passado é aquilo que já vivemos, o  que já foi presente um dia. Mas será mesmo assim? Será o passado  simplesmente aquilo que vivemos? Ou será aquilo que guardamos do que  vivemos? Sendo conforme o segundo caso o passado também é falso, falso  porque aquilo que guardamos de nossas vivências não é realmente o que  foi vivido. O passado é falso. A memória não retém tudo, apenas pequenos  fragmentos do que foi vivido outrora se grudam à parede suja da  lembrança; assim, passado e futuro se assemelham ao serem projeções, um  do que virá e o outro de uma parcela ínfima do que foi, apenas aquela  que mais nos satisfaz.  &lt;br /&gt;Somos nós os donos do nosso passado. Artistas da mentira, nos criamos a imagem e des-semelhança do que fomos um dia. &lt;br /&gt;Pedro talvez não se preocupe em divagar sobre passado e futuro, para ele  apenas o presente importa, mas Pedro é ingênuo e sonhador. Há sete  meses que sonha em beijar a Ana Hickmann, sua paixão por ela remonta ao  período em que foi demitido de seu trabalho de jornaleiro; na banca em  que trabalhava Pedro se deliciava com as muitas e muitas fotos da modelo  que se espelhavam feito nuvem no céu pelas páginas das mais diversas  revistas. Rapaz solteiro no auge da puberdade e do desejo que os 16 anos  proporcionam Pedro logo estabeleceu uma relação carnal com Ana, mas  nessa relação apenas a carne do jovem participava, de Ana sobravam  apenas pedaços de papel que se aglomeravam por debaixo das roupas de  Pedro guardadas com tanto zelo por sua mãe em uma gaveta. O prazer de  Pedro era um prazer de papel, mas mesmo assim intenso e verdadeiro. A  sinceridade está mais em quem acredita do que nela mesma e isso  independe de como ela se materialize verdadeiramente. &lt;br /&gt;Desempregado Pedro passou a ter mais tempo para pensar em sua musa,  mesmo sem as muitas revistas que a traziam na capa ele ainda possuía  seus recortes, e de tanto pensar nela um dia, há sete meses mais ou  menos, o jovem decidiu que queria beijar Ana Hickmann. Ao acordar com um  aperto no peito, uma espécie de sufocamento como se estivesse se  afogando em si mesmo, em seu desejo, em seu amor, em sua ânsia de tocar,  ouvir, olhar, beijar Ana Hickmann ele decidiu que um dia a beijaria.  Sentado à porta da cozinha enquanto vê sua mãe preparando café Pedro vai  desenhando nas nuvens do céu seu amor. Ninguém sabe, com ninguém Pedro  comentou do seu sentimento tão singelo e sincero por Ana. Para ele falar  que ama não importa, o que vale mesmo é amar, e se uma pessoa tiver que  ouvir algo sobre o amor essa pessoa deve ser a que é amada. Por isso a  única a saber de seu amor só poderia ser ela: Ana Hickmann. &lt;br /&gt;A primeira vez em que a viu foi em um painel publicitário, Pedro  caminhava ainda sonolento para a banca em que trabalhava quando teve sua  atenção implorada por um par de pernas exuberantes, assim como duas  carreiras de cocaína atraem impetuosamente o cheirador para si as pernas  de Ana atraíram o olhar de Pedro. Sentindo seu desejo aflorar  abrindo-se feito flor na primavera o jovem diminuiu os passos e  contemplou avidamente os contornos do corpo da modelo. Como uma câmera  que filma para em seguida reproduzir as imagens captadas os olhos de  Pedro filmaram detalhadamente Ana Hickmann. Era sempre assim, quando  sentia correr com força por seu jovem corpo o desejo ávido por uma  mulher ele filmava palmo a palmo, plano a plano o objeto desejado; para  depois em casa, no silêncio da noite, ir desnudando, revelando cada  fragmento do filme sob a luz da lua. Na película da memória nosso  cineasta do gozo guarda suas imagens da voluptuosidade. &lt;br /&gt;O amor, por mais que teimemos em querer definir, em buscar respostas às  perguntas muitas vezes vagas, vazias feito uma garrafa de cerveja jogada  num canto qualquer do quintal a espera de outra festa que a venha  despertar para o porre da sobrevivência diária, não se define. O amor  pode ser construído, pode ser mentiroso, pode ser sincero, fruto apenas  do desejo ou da carência, mas será sempre amor. Sem definição, sem  previsão, sem motivo aparente, sem passado, presente ou futuro o amor  acontece. De nada adianta querer pensar o amor, amor não se pensa,  sente-se apenas. Dessa forma é que ele se constitui como algo puro,  verdadeiro, prazeroso. Querer abarcar um sentimento dentro de uma  definição é diminuí-lo, é denegrir a imagem tão singela que ele  representa. Por isso podemos sim dizer que Pedro ama Ana com todas as  suas frágeis forças de jovem que ainda engatinha pelos dissabores do  mundo. &lt;br /&gt;Sete meses depois de encontrar-se apaixonado por Ana foi que Pedro  sentiu o mesmo sufocar a espremer-lhe o peito tirando dele todo o sumo  de tranqüilidade, assim seco de tanto amor Pedro não encontrou outra  alternativa a não ser concretizar o quanto antes seu desejo louco de  beijar Ana Hickmann. Acordou cedo e tomou seu café sentado à mesa com  sua mãe, silenciosamente Pedro ia construindo aquele dia em seus  devaneios. Após a saída de sua mãe para o trabalho ele tomou banho, se  arrumou vestindo uma das poucas roupas novas que possuía e saiu. Com o  parco dinheiro que conseguira guardar desde que deixara o trabalho Pedro  pagou as passagens para chegar a seu destino. Parou à porta do prédio  em que a modelo mora e ali se deixou ficar por minutos que se arrastaram  lenta e maciçamente por sobre seus desejos. Ao fim de algum tempo a  modelo brilhou feito estrela no céu dos sonhos do jovem. Como fazia  todos os dias pela manhã ela saiu para ir à academia que ficava a alguns  metros de sua casa. Desde o tempo de jornaleiro que Pedro sabia passo a  passo a rotina de Ana. As revistas de fofoca lhe serviram para algo,  ele sorriu lembrando do jovem cabeludo que sempre brincava com ele por  ler “aquelas” revistas, não sabia ele, o jovem cabeludo, que eram essas  revistas a ferramenta que Pedro usaria um dia para cavar o túnel que o  levasse ao paraíso chamado Ana Hickmann. Depois que a modelo se afastou  ele se pôs a segui-la a certa distância. Ainda sem saber muito bem como  abordá-la sem parecer um fã besta desses que pedem autógrafo Pedro  esperou que ela entrasse na academia e foi sentar-se na calçada do outro  lado da rua. Dali ficou lutando com as idéias tentando encontrar aquela  que melhor lhe servisse e atendesse a seus anseios de concretizar o tão  almejado desejo. &lt;br /&gt;Da mochila que carregava Pedro tirou uma caneta e um pequeno caderno em que rabiscou esses versos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envolto em imenso desejo &lt;br /&gt;Fraquejo, &lt;br /&gt;Sorrio um riso vago &lt;br /&gt;Construo na memória um rio, um lago &lt;br /&gt;Nele me afogo, &lt;br /&gt;Molhado de você &lt;br /&gt;Sou salvo &lt;br /&gt;Sou santo &lt;br /&gt;Pregado na cruz da saudade me mato &lt;br /&gt;Rabiscado de tristezas &lt;br /&gt;(um quadro) &lt;br /&gt;Natureza morta: me acabo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a escrita dos versos Pedro sentiu-se mais encorajado a falar com  Ana, a declarar bem alto todo seu amor por ela. Assim que a viu sair da  academia o jovem caminhou até a modelo e disse-lhe avidamente: sei que  posso parecer um menino bobo desses que se masturbam pensando nas  mulheres gostosas que a tv exibe todo dia mas vim aqui pra falar pra  você que te amo muito Ana já fazem sete meses que não consigo parar de  pensar em você todos os dias pela manhã quando acordo minha felicidade é  saber que você está viva em algum lugar é ficar alimentando meus sonhos  que ainda estão acordados de que um dia eu vou te ver e te falar que te  amo por isso Ana eu vim aqui eu enfrentei duas horas de ônibus eu  caminhei eu te segui eu sentei aqui nessa calçada eu fiquei sentindo meu  desejo correndo nas veias feito sangue você Ana é o sangue que irriga  minha vida por você meu coração bate bate bate e me faz me sentir vivo  por você Ana eu escrevi esses versos toma olha são pra você pode levar  espero que você goste. &lt;br /&gt;No silêncio que se segue à enxurrada da fala de Pedro Ana olha o jovem e  lembra dos dias em que ainda menina, moça ingênua e sonhadora, admirava  os homens que via na tv achando-os bonitos, perfeitos em seus sorrisos  brancos e reluzentes como num comercial de creme dental, mas ela apenas  sonhava, por isso agora enquanto olha esse jovem parado a sua frente com  uma expressão híbrida de gozo e medo ela sente calma, carinho, ternura,  compaixão por ele e mais ainda por ela também. Em silêncio ela começa a  ler o poema que Pedro lhe dedicou, suas mãos tremem, sua visão se  embaça, ela sabe que não deve, mas vai chorar, o aperto que envolve sua  garganta é o mesmo que toda manhã sufoca Pedro. Movido por um impulso  Pedro leva a mão ao rosto de Ana e seca lentamente a lágrima que começa a  deslizar pelo rosto da modelo, o toque de sua mão fria na pele/lágrima  quente da moça o excita, Pedro sente a sensação de leveza que o domina  quando sozinho no banheiro de sua casa vai se entregando ao mar de  desejo e volúpia que o encharca. Ana encerra a leitura e olha com um  silêncio agradecido para Pedro, sente uma vontade grande de beijá-lo, de  retribuir o carinho que ele demonstrou por ela, então como num filme  que vai sendo montado sem pressa ela se abaixa um pouco (quadro a  quadro) e toca o rosto do jovem com seus lábios. A sensação da maciez  dos lábios de Ana tocando sua pele faz Pedro excitar-se ainda mais, seu  sexo lateja, não sente as pernas bambas, sua vista não fica turva, pelo  contrário, sente-se firme no chão, plantado feito uma árvore centenária,  sua visão é extremamente clara, pode ver em toda sua simplicidade a  beleza de Ana, não a vê como uma mulher perfeita, especial, mas sim como  uma menina crescida de um metro e oitenta e cinco, vinte e cinco anos e  olhos azuis que brilham como o céu no verão, reluzentes feito o mar que  um dia Pedro viu na infância e sentiu uma louca vontade de mergulhar,  mas Pedro tinha medo por não saber nadar, agora, enquanto olha o  mar-olho de Ana sente a mesma sensação de prazer e medo; ao olhar o mar  Pedro sentia desejo de mergulhar, de se deixar molhar todo naquelas  águas, mas o medo prevaleceu, foi maior que seu desejo. Hoje Pedro sente  o mesmo desejo-medo de sua infância, quer mergulhar em Ana, ir fechando  seus olhos com a mão bem lentamente, sentir a pele da modelo sob seus  dedos, depois deslizá-los de leve pelo rosto até encontrar a boca, em  seguida, sem pressa, ir aproximando seu rosto, deixá-la sentir seu  hálito quente a envolvê-la, para aí sim tocar-lhe a boca e se deixar  perder no mar do seu desejo, colar seu corpo ao dela envolvendo-a num  abraço forte a carinhoso, prendê-la junto de si na eternidade do  momento. &lt;br /&gt;Depois de beijá-lo Ana o olha outra vez, as palavras se perdem, fogem  dela, deslizam e a deixam muda. O silêncio se prolonga, Pedro se  constrange, olha Ana nos olhos e bem lentamente vai se virando de  costas, começa a caminhar, fecha os olhos, não quer ver o mundo a sua  volta, não quer ver-se a si mesmo ali caminhando de costas para Ana  Hickmann depois de declarar todo seu amor por ela, quer fugir, correr,  sumir do mapa da vida.  &lt;br /&gt;Para Pedro agora o que viverá será o passado, seu presente é esse estar  ali só caminhando de olhos fechados para não ver o tamanho da sua  solidão, e isso dói. O futuro para ele se perdeu, foi varrido pelo vento  do tempo. Os poucos momentos que passou ao lado de Ana é que irão lhe  alimentar daqui pra frente, sua vida girará em torno disso, Ana será o  eixo que sustentará Pedro e sua vida daqui por diante. Suas frustrações,  seus sonhos, os medos, as dores e alegrias, seu prazer, sua angústia,  seus delírios, seu silêncio, tudo será preenchido por Ana, pela Ana que  ficou alguns minutos parada a sua frente ouvindo sua declaração de amor,  que o ouviu ler o poema feito especialmente para ela, chorando em  seguida uma dor que ele não sabe qual foi_ e que foi a dor de não ser  como ele, Pedro, de não ter sido como ele um dia, em sua adolescência,  de ter tido medo_ e será essa mesma Ana, que um dia, daqui a muitos e  muitos anos, sem saber porque, acordará assustada no meio de um sonho  ouvindo uma voz declamar pra ela:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pregado na cruz da saudade me mato &lt;br /&gt;Rabiscado de tristezas &lt;br /&gt;(um quadro) &lt;br /&gt;Natureza morta: me acabo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sua frágil memória quase centenária não será capaz de lembrar que um  dia um jovem escreveu esses versos para ela sentado em uma calçada  enquanto a esperava sair da academia, e que esse sonho estranho, como  ela contará depois a uma de suas netas, acontecerá na mesma noite da  morte de Pedro, atropelado bêbado quando voltava para casa, sozinho,  camisa xadrez rasgada no bolso à altura do peito, cigarro na boca, no  meio de uma rua escura olhando a lua e pensando nela, em Ana, na sua  Ana, que um dia, num passado muito, muito distante, ele tanto amou, e  que por isso virou presente, o seu presente eterno, que viveu em seu  coração, no seu tempo, no tempo do seu amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. &lt;br /&gt;dezembro de 2006/ janeiro de 2007. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-2956912939988923286?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/2956912939988923286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=2956912939988923286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/2956912939988923286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/2956912939988923286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/hoje-acordei-querendo-beijar-ana.html' title='Hoje acordei querendo beijar a Ana Hickmann'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-1119761908398681101</id><published>2011-11-23T10:29:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T10:29:42.780-08:00</updated><title type='text'>Quase romance</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;Para Nãnaira Ferreira &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acender o cigarro e tragar, tragar forte e ir sentindo a fumaça encher  pouco a pouco o pulmão, respirar fundo e em seguida soltar pela boca ou  nariz, sentindo agora como a mesma fumaça se põe a sair do pulmão. Abre e  fecha. Enche e esvazia. Movimento constante que dura apenas os poucos  minutos que gastamos no ato de fumar. &lt;br /&gt;Tenho uma sensação semelhante quando amo: primeiro encho de esperanças e  alegrias meus sentimentos _ é a plenitude do sentir_ depois, num  movimento de expelir, vou liberando espaços para o medo, a dúvida, o  receio, encho e esvazio de significações amorosas todo meu eu. A  mulher-fumaça dos meus desejos passeia por dentro de mim como a  fumaça-fumaça do cigarro dança movida pelo silêncio do ato de tragar e  soltar. Mas diferentemente da fumaça que apenas entra e sai a mulher  fica, e por ficar é que o vício do amor é infinitamente mais prejudicial  e doloroso que o de fumar, e para este não há ministério da saúde que  dê jeito. &lt;br /&gt;Faz dois meses. Na verdade já fez, foi ontem. Enquanto caminhava a esmo  guiado por duas pernas trôpegas de desejo e melancolia sentindo a garoa  que de leve ia molhando meu corpo lembrei do dia em que você partiu. Sua  blusa azul manchada de molho de tomate na altura do umbigo te deixando  com aquele jeito de menina descuidada está até hoje junto das minhas  roupas no armário (tentativa inválida de invalidar sua partida, toda  noite antes de dormir, quando retiro do guarda roupa travesseiro e  cobertas, tenho a leve e vazia sensação de que no meio da noite  acordarei com sua voz murmurando algo ininteligível que na manhã  seguinte tentarei em vão te fazer lembrar). Depois de sua ida sentei no  chão da cozinha encostado no fogão e fiquei buscando coragem de enfiar  no forno a cabeça e deixar que o gás tirasse o pouco que ainda restava  de vida em mim. Parecia minha vó catando feijão nas manhãs de sábado que  passávamos juntos enquanto minha mãe saía para trabalhar: sentada no  chão ela catava os feijões encostada ao fogão (como eu no dia da sua  partida) e me ensinava a ser homem dizendo que não devia mais ficar  chorando toda vez que minha mãe ia pro trabalho, que tudo que ela (minha  mãe) fazia era pensando em mim, pro meu bem. Mas eu pensava que se  fosse mesmo pro meu bem porque ela não ficava comigo, já que durante  toda semana era a mesma coisa: ela fora de casa trabalhando, pro meu  bem. &lt;br /&gt;Pensei o mesmo ontem: antes de partir você disse que o fazia pelo nosso  bem, mais precisamente pelo meu bem. Depois que você saiu acendi um  cigarro e pensei em como era triste saber que você poderia nunca mais  voltar (como até hoje não o fez), assim como a fumaça que saía do  cigarro e ia lentamente se perdendo no ar, até sumir, não ser mais nada a  não ser uma simples lembrança, um cheiro de passado-fumaça que fica no  lugar onde se fuma e nas minhas narinas sujas de mais um dia de vida  movido por desejos incompletos e sonhos nebulosos. Antes que acabasse o  cigarro acendi outro, tinha a sensação falsa de que no máximo três  cigarros poderiam preencher seu movimento de ida e volta, e que em  instantes ouviria sua mão batendo de leve na porta feito a criança que  chega da rua após ter cometido uma travessura e sabe que será  repreendida e para amenizar a bronca que levará abaixa a cabeça e fala  com uma voz pra dentro que errou, assim te imaginava chegando após no  máximo o terceiro cigarro. &lt;br /&gt;Mais de trinta maços já se passaram e nem o som da sua voz pelo telefone  ouvi. O vazio que você me deixou é maior do que o que pode ser suprido  pelo cigarro. Chorar não consigo, tento toda noite quando deito para  dormir e fico feito uma bola rolando de um pra outro lado, como a bola  que os meninos da rua jogam sem muita convicção e que baila fora de  ritmo ao som de pés descalços se chocando contra o chão. Poucos são os  momentos em que me sinto bem, um deles se concretiza quando me ponho a  lembrar dos bons momentos que passamos juntos. É no vazio do passado, no  espaço de tempo entre o que fui e sou que ainda tenho a capacidade de  me encontrar: imagem disforme no espelho partido da lembrança. &lt;br /&gt;Uma garrafa de cerveja na mão, um copo na outra, o cigarro aceso na boca  enchendo e esvaziando meu pulmão, e você ali, parada, linda, morena  brejeira, cabelos revoltos, com vida, aura a te envolver afastando-te do  mundo, das pessoas, e deixando-te mais próxima de mim, mesmo sem te  conhecer ainda soube ali que seria minha, mesmo em sonho, em desejo, em  palavras. E foi. Foi completamente: de corpo, alma, cabelos, boca,  palavras, silêncios, sussurros, sorrisos, pernas, ventre, medos,  olhares, quereres, idéias, assim inteira, significados que faltavam no  meu dicionário de vida e sentimentos. &lt;br /&gt;Você caminha em minha direção, sorriso, você aproxima seu rosto do meu e  me beija (beijo), você pergunta como foi meu dia, você me olha de um  jeito que faz cair por terra todos os meus medos, você faz sua mão  deslizar lentamente por meu rosto, você me beija novamente (beijo), você  ouve em silêncio eu dizer que teadoro (teadoro), você deita pra dormir e  pensa em como é possível tudo isso estar acontecendo com nós dois, você  fecha os olhos (olhos) e lembra das horas que passa junto de mim, dos  silêncios que se preenchem de vida e significados, dos olhares que se  refletem no espelho da paixão, dos sorrisos que se abrem e fecham feito  uma porta que abre e fecha com o vento que vem da rua deixando aparecer  nos instantes em que está aberta uma nesga de felicidade tão límpida e  azul feito a água de uma praia deserta que você ainda não visitou mas  que se imagina lá, comigo, deitada nua na areia sob a luz amarela do sol  enquanto estás de olho fechado (olho), você sussurra baixinho meu nome  (nome) no silêncio macio da noite como forma de me fazer vivo ali, e  nesse exato instante em que o som circula no ar entre sua boca e seu  ouvido (boca) (ouvido) você sente uma lágrima quente e saborosa a  deslizar como desliza por minha face sua mão enquanto me acaricias  (lágrima), você toca seu centro úmido de prazer e desejo e lembra de  como és quando sou eu quem te toca lentamente (toque), você balança na  cama de um para outro lado como uma criança a balançar-se com força e  ânsia num balanço de parque ou praça (balanço) sentindo o leve toque da  sua mão a desvendar os caminhos obscuros e saborosos do prazer que emana  desse simples toque (toque) que é seu mas que você (você) queria fosse  meu (meu), então você força ainda mais o corpo para que o balanço possa  tomar mais impulso (balanço) e consegue chegar até o telefone que está  na outra ponta da cama, você segura agora o telefone com uma das mãos e  seu desejo/prazer com a outra, você digita algumas letras que a  tecnologia farão chegar a mim dentro de alguns minutos (tempo), os  mesmos que você levará para chegar ao ápice do seu desejo-gozo-prazer  (desejo-gozo-prazer) que eu também sentirei ao ler escrito em letras  grandes: (TEADORO, SAUDADES DA SUA BOCA, DA SUA MÃO, DO SEU OLHAR,  SAUDADES INTEIRAS DE VOCÊ, SAUDADES, E ALGUNS BEIJOS, BEIJOS, BEIJOS, DA  SUA), sinto como se os beijos que você me manda invadissem a casa  através da janela da sala que deixo aberta enquanto fumo (beijo  invisível mas sentido), você sente uma languidez a percorrer  vagarosamente seu corpo (pés-cabeça), você passeia sozinha pelo  entresono que se abre a sua frente, você sente um quase imperceptível  toque em suas costas, você abre por uma fração de segundos os olhos  (olhos) e os fecha novamente (olhos), então você dorme e pensa que bom  tudo isso não ser apenas um sonho e eu ser real, um ser de  carne-osso-sentimentos (eu), você abre um sorriso sonolento e enfim  mergulha no escuro macio e silencioso mar do sono, você me tem todo  dentro de você, você (eu). &lt;br /&gt;Acendo um cigarro e sentado à janela vou fitando o céu, cai uma leve  garoa, faz frio, meu corpo dói por estar a tanto tempo na mesma posição,  sem forças mal consigo me mexer, sinto um torpor a me envolver feito as  nuvens cinzas que envolvem o céu. Na lembrança o que trago são seus  beijos, o doce e macio som da sua voz a dizer que um dia a morte  chegaria, lembro de um poema que um dia li e que dizia ser a morte a  única saída possível para o escuro e sujo túnel chamado vida. É para lá  que me dirijo, agora sei meu destino. A morte. A morte. A morte. Vou me  matar para o desejo de você que invade toda manhã as janelas do meu  corpo. Chega! Basta! Quero gritar mas a voz não sai, está presa como  você a mim, presa em algum lugar que sou incapaz de chegar mas que sei  se situa dentro de mim. Tiro bem lentamente a roupa pensando que dessa  forma poderei ser capaz de arrancar de mim cada pedaço de você que ainda  sobrevive no meu corpo, em cada peça de roupa que displicentemente  deixo cair ao chão vejo uma parte de você: junto a camisa de botão de  duas cores ouço sua voz dizendo baixinho que me ama, com a bermuda sinto  deslizar sua mão, como desliza por meu corpo tocando-me e excitando-me,  a cueca sai de mim acompanhada pelo doce e macio cheiro do seu sexo  (quando fazia minha língua percorrer em movimentos desordenados seu  desejo o gosto que ficava em mim é o mesmo que escorre agora junto de  mais um pedaço seu que tento em vão jogar fora), as meias são  acompanhadas pelo silêncio do seu olhar que penetra o meu fazendo-me  acreditar que sim, a felicidade existe mesmo que dure apenas alguns  fragmentos na escala do tempo. Assim, nu de você, olho meu corpo sem cor  no espelho e o que vejo são as marcas da saudade.  &lt;br /&gt;O cigarro apagado na mão me faz lembrar do movimento do amor, entre  encher e esvaziar o pulmão com a fumaça sobra um pedaço de tempo, é nele  que procuro me refugiar das dores e tentar outra vez encontrar um  caminho. Você se foi para não mais voltar, sei disso, como sei que o  cigarro logo logo me matará, mas entre esperar erroneamente por sua  volta e pela minha morte é que reside um último esforço de vida: fôlego  que se dilui lentamente feito o pó preto do café sendo tocado pela água  fervendo, com isso o que sobra é o cheiro, aroma de dor, aroma, amor(a),  amor(a). Acendo o cigarro. Silêncio. Lá fora chove, talvez seja hora de  sair, me plantar no portão e ser regado pela água da chuva até que você  venha, que traga escondido por sob a blusa semi-encharcada mais um  poema feito para mim (como fazia para consumir o tempo de viagem e  saudades que o ônibus te oferecia até chegares em casa de mais um dia de  trabalho), enquanto isso não acontece vou desenhando no macio silêncio  de mais uma tarde chuvosa que você me ama, me ama tanto que nunca mais  voltou pra mim: fumaça se perdendo no ar, azul, depois nada, nada, nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. &lt;br /&gt;Segundo semestre de 2007. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-1119761908398681101?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/1119761908398681101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=1119761908398681101' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/1119761908398681101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/1119761908398681101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/quase-romance.html' title='Quase romance'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-7909485817303638572</id><published>2011-11-23T10:28:00.003-08:00</published><updated>2011-11-23T10:28:08.427-08:00</updated><title type='text'>Sensações</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;Eu te amo porque amo tudo que você reflete em mim: amor. Para Nãnaira Ferreira, com carinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- o bar &lt;br /&gt;Sentado o homem pega o copo de cerveja e o leva à boca, deposita-o na  mesa e olha a sua frente, a estrada lhe apresenta alguns veículos que  vão e vem pelos dois sentidos da pista. Seu olhar se deixa perder até  visualizar um ônibus azul (aqui seu coração acelera, entre o momento da  visualização do ônibus e a chegada deste até o local em que se localiza o  homem seu coração bate num ritmo acelerado, fazendo com que suas mãos  tremam de maneira quase imperceptível aos olhos, é possível de se notar  apenas porque nesse exato instante o homem leva o copo de cerveja à  boca), o veículo passa em lenta velocidade pelo homem que está sentado e  que acaba de expelir a fumaça do cigarro que trazia presa ao pulmão; o  ônibus azul passa por ele e alguns segundos depois pára na pista que  fica do outro lado da rua, atrás de onde o homem está sentado. O homem  então se vira bem lentamente na cadeira até conseguir ver em que local o  ônibus azul estacionou, após olhar o homem sente um misto de alegria e  tristeza que não é capaz de definir, ele apenas sente que algo dentro  dele e a sua volta está mudando, então o homem pisca incomodado pelo  excesso de fumaça que o cigarro libera em seu rosto (ele mantém o  cigarro preso aos lábios enquanto a sensação de estranheza fruto da  alegria e tristeza circula por seu corpo), o homem faz seu corpo girar  num movimento contrário e retorna a sua posição inicial, pega novamente o  copo sobre a mesa e o leva à boca, o esvazia, enche, joga o cigarro  próximo ao meio fio e ouve uma voz que diz olha ela ali, agora o homem  já se vira levantando, sente abrir-se em seu rosto uma cratera chamada  sorriso quando pode ver a mulher que caminha em sua direção, ela também  traz sua cratera chamada sorriso aberta (como um vulcão que emite luz no  lugar da larva), eles se abraçam e beijam ao mesmo tempo, seus corpos  se colam com força, ela sente que as mãos dele a apertam deslizando por  suas costas, ele sente o carinho que as mãos dela fazem em seu corpo,  suas línguas se procuram sofregamente, molhadas elas parecem querer se  secar ao se chocarem violentamente uma contra a outra, o sexo dele  incha, lateja, ela sente, então ele diz eu te amo num misto de sussurro e  sorriso, os lábios ainda colados aos dela que também sussurra eu te amo  (sim, eles se amam, sabemos disso). Em silêncio eles se olham após o  beijo, suas crateras ainda abertas sorriem, em silêncio, até que ele diz  saudade, ela também foge do seu silêncio dizendo saudade. &lt;br /&gt;2- o quarto &lt;br /&gt;Como um pincel a deslizar pela tela em branco a língua do homem percorre  todo o corpo da mulher, começa pelos pés (sem se esquecer dos dedos),  sobe lentamente pelas pernas alternando-se entre uma e outra, chega à  virilha e traçando uma pequena linha quase invisível se desvia de seu  caminho em linha reta e se desloca para a vagina, se detém entre as  pernas da mulher por alguns minutos se movimentando em diferentes  direções, ora subindo, ora descendo, ora executando movimentos  circulares, depois sobe pela barriga da mulher e num movimento mais  rápido chega até seus seios, então retoma o ritmo da dança que executou  entre as pernas da mulher alternando entre o seio da direita e o da  esquerda, após alguns minutos se distancia dos seios e se choca  violentamente com a boca da mulher, duas bocas unidas, quase uma só,  quase uma apenas, se mastigando, lambendo-se, salivando de desejo, de  ânsia, então num espasmo a mulher sente que algo a preenche, entre suas  pernas ela sente que o homem procura se esconder, fugir do mundo, da  barbárie que circunda as pessoas, preso entre as duas coxas da mulher o  homem se sabe feliz, acredita no amor e tem a plena convicção de que  amar, nos dias de hoje, é uma atitude revolucionária, quando ninguém  mais pensa o amor e mais ainda sente o amor o homem ama, e por amar é  que constrói sua utopia no corpo da mulher, dessa mulher de pele morena,  sorriso grande que despenca feito a cascata de uma cachoeira a  encharcar de felicidade o homem, um par de olhos feito estrelas a  brilhar na escuridão iluminando tudo a sua volta ( e a mulher ilumina a  vida desse homem de felicidade) então o homem sorri ao alcançar seu gozo  físico, olha a mulher e percebe que ela também atingiu seu nirvana  sexual, ambos de olhos fechados sentem seus corpos subirem, flutuando  pelo espaço do quarto, dois corpos em um, uma soma inexplicável  matematicamente falando, já que um mais um é dois, e não um, mas para  eles, esse homem e essa mulher, um mais um é um, é tudo, são eles, é o  amor, o amor e o desejo. &lt;br /&gt;3- o diálogo &lt;br /&gt;Sua beleza vai além dos seus olhos verdes, sabia? &lt;br /&gt;Gosto quando toco sua boca com minha língua sentindo a liberdade que  nosso beijo me proporciona, de alguma forma inexplicável para mim seu  beijo, sua boca tocando na minha desperta uma sensação doce e macia de  alegria, felicidade ou qualquer coisa que possa ser definida como boa. &lt;br /&gt;Engraçado quando você me olha assim desse jeito parecendo um menino,  você fica falando (falando falando falando) coisas tão bonitas e  diferentes, aí me sinto também como uma menina te ouvindo falar sem  parar, sua boca abre e fecha num movimento tão belo, e ainda mais belos  são os sons produzidos por ela, é como se seus lábios estivessem  dançando, logo você que nem gosta de dançar, então na dança da sua fala  eu também me embalo e, quando dou por mim, me vejo ali toda boba te  olhando de um jeito diferente, especial, me sinto ainda mais mulher,  mais eu mesma perto de você ouvindo tudo que você me diz, querendo  guardar cada pedacinho de palavra dita como as meninas de dez anos  guardam a imagem do menino mais bonito da escola, bem escondida num  canto escuro da lembrança, que pode ser vista apenas à noite, no  silêncio escuro e sonolento do entresono, aí eu fico pensando depois  quando você não está mais do meu lado em como é bom ter você comigo, em  como sou feliz de estar contigo, de tudo de bom e diferente que você  desperta em mim, sensações tão gostosas e novas e ao mesmo tempo é como  se eu já esperasse por isso, nos meus sonhos, sei lá, nos meus desejos  de mulher feliz, ou mesmo de menina que espera um príncipe encantado,  mas ao mesmo tempo tudo que você fala é tão real, tão sensível, eu sinto  mesmo cada pedacinho do que você diz entrando por meus ouvidos, me  tocando bem lá no fundo, e guardo tudinho com um carinho imenso, é nessa  hora que sempre lembro da imagem do mar, aquela coisa grande aberta e  parecendo sem fim tocando no céu, se chocando com o céu em algum lugar  que nós nunca pensamos que poderemos chegar um dia, então a gente fica  acreditando que é lá que mora a felicidade, e do seu lado é como se eu  estivesse nesse lugar, nesse encontro do céu com o mar, e é tão lindo e  tão bom e gostoso que dá vontade de nunca mais sair dali, de ficar para  sempre lá escondidinha te esperando chegar sorrindo e dizendo baixinho  no meu ouvido que me ama (me ama me ama me ama). &lt;br /&gt;Sabe, tenho pensado em ter um filho com você. É estranho tudo isso pra  mim, logo eu que durante tanto tempo fiquei negando pra mim mesmo a  idéia de um filho, de deixar qualquer coisa nesse mundo, mas depois que  te conheci, depois que você apareceu na minha vida feito a lua  iluminando uma noite pós temporal de verão de fim de tarde (sabe aquele  dia em que tudo dá errado mas à noite uma lua imensa brota lá no céu,  bem grande tornando as coisas um pouco melhor, quase que antecipando um  novo dia repleto de bons momentos?). Assim tem sido contigo, talvez por  isso essa vontade, esse desejo de fazer um filho em você, de deixar um  pouco de mim (um pouco mais, já que tenho deixado tantos sentimentos  bons caminharem de mim para você, é como um barco que entra no mar cheio  de pescadores tendo que alimentar suas famílias e navega mansamente em  direção ao cardume, à pesca perfeita que irá alimentar diversas famílias  por dias, às vezes até semanas, e esse barco vai lá, seguindo seu rumo  sem nenhum imprevisto, ele apenas navega como se tudo já estivesse  estipulado antes, como se nada fosse capaz de impedir esse simples barco  com seus pescadores de chegar à sua pesca, a seu fim), é assim que me  sinto, tudo de bom que tenho a oferecer a alguém é o que te dou, e sem  querer nada em troca a não ser seu carinho, seu respeito, sua admiração,  seu amor, meus sentimentos navegam calmamente em sua direção. Com você  deitar e dormir deixaram de ser acontecimentos banais em minha vida para  se tornarem momentos de extrema contemplação, é quando penso/sinto que a  vida tem um significado, que viver não é mais apenas um passo em  direção à morte, ao fim, que o ato de viver (essa doideira que é dormir e  acordar todos os dias sabendo que a qualquer momento acabaremos e nos  tornaremos pó, adubo, esterco) tem servido para eu me sentir vivo, me  sentir alguém, uma pessoa, mais ainda, uma pessoa que ama e é amada. &lt;br /&gt;Não gosto quando você fica de cara amarrada sentindo ciúmes de mim. Não  tem porque, já te disse isso. Sabe o que eu podia fazer? Podia muito bem  me aproveitar de todo esse amor que você sente por mim e te transformar  num fantoche meu, brincar com seus sentimentos, com o poder que de  alguma forma exerço sobre você. Mas não. Não é isso o que faço. Pelo  contrário, o que quero é que você seja capaz de me amar sem medo, sem  ficar se preocupando com o dia de amanhã. Estamos vivendo o hoje, pense  nisso. E é nesse hoje, nesses momentos, nesses instantes de alegria que  vivemos juntos que devemos ficar bem, por isso respeito muito o que você  sente por mim e me dói muito saber que há horas em que você se deixar  dominar por essas idéias bestas de ciúmes e perdas. Não tem porque, já  te disse isso. Se estou com você é porque quero, porque te amo, e te amo  muito, mais até do que deveria, penso às vezes; também tenho medo,  também me pergunto aonde tudo isso, todo esse sentimento pode me levar  (nos levar), mas mesmo assim não fico criando ilusões bestas que me  machuquem à toa, não penso besteiras gratuitamente, e nem preciso, sei  que você me ama muito, sinto isso no seu olhar, nos seus gestos, na  maneira como você me olha me acaricia o rosto, no seu beijo, nas suas  palavras, toda vez que te ouço dizer que me ama (e são tantas!), eu  tenho a certeza desse amor, seus olhos brilham, sua voz sai de um jeito  diferente, talvez seja pelo amor, pelo sentimento que ela carrega de  você para mim, e é tão belo, tão lindo ver esses seus olhos verdes  dizendo que me ama, mesmo no escuro sei o quanto você é lindo, sei e  sinto toda sua beleza e a beleza do que você sente por mim. Vem cá, amo  você, muito (muito muito muito). &lt;br /&gt;4- a cama &lt;br /&gt;Ele tira cada peça da roupa que visto bem lentamente, ele beija cada  parte do meu corpo ávido de desejo, ele se mistura a meu suor, meus  silêncios, meus gemidos contidos, ele se enrosca em mim feito a planta  na árvore, ele se dilui em mim feito a água da chuva sendo absorvida  pela terra, ele diz bem baixinho em meu ouvido que sou linda (linda  linda linda!), ele percorre meu corpo com as mãos como se estivesse me  desenhando, ele me olha de um jeito ingênuo, parece um menino admirando a  mãe sem que ela o perceba, ele me abre com força como um faminto abre  um embrulho contendo comida, ele se movimenta sobre mim, sinto sua  presença a cada segundo como as batidas de um coração acelerado pulsando  rápido num momento de nervosismo, ele me chama de sua, de linda,  gostosa, meu amor, ele me ama com um desejo insaciável, ele me domina,  me sacia, me invade e me faz sua, totalmente sua, minhas pernas tremem, o  mundo gira na imagem de um teto branco, meu corpo enfraquece,  estremece, procuro o chão e não acho, estou caindo, corpo leve em queda  livre, rumo ao abismo, ao poço fundo da inconsciência, sou um pássaro  que voa, livre, rumo ao infinito, até pousar, sentir novamente que o  mundo é mundo e que eu sou eu: a amada dele. &lt;br /&gt;5- no bar, o conto &lt;br /&gt;Gostou? &lt;br /&gt;É, mas parece mais um diário seu. &lt;br /&gt;Ah, mas isso só você sabe, você e eu, pras outras pessoas é tudo ficção.  O que conta pra elas não é se aconteceu ou não, mas sim o que elas  sentem lendo o conto, o que vale é o que elas pensam enquanto lêem, elas  nem querem saber se realmente aquilo aconteceu ou não, se não deixaria  de ser literatura. &lt;br /&gt;É, pode ser. Mas você foi bem fiel. &lt;br /&gt;Eu sei, mas mesmo assim não é verdade, é tudo um pouco invenção um pouco  verdade, até porque não tinha como eu reproduzir tudo, é só uma leitura  minha, mais nada. &lt;br /&gt;Verdade.  &lt;br /&gt;Então você gostou mesmo? &lt;br /&gt;Gostei. Mas gostei mais da última parte, ficou mais bonita, mais sensível, diferente do que você escreve. Ficou legal. &lt;br /&gt;Que bom. &lt;br /&gt;6- sensações &lt;br /&gt;e lá está você, sorriso aberto, pele morena, cabelos revoltos, olhar  indagador, boca macia, convidativa a me pedir (ou sugerir) mais um  beijo, e então um beijo se constrói (com tu a se amparar num carro que  ali estava, talvez, quem sabe, quem saberá, apenas esperando que você  chegasse e nele se encostasse e a mim esperasse, para que em seguida eu  pudesse colar na sua a minha boca e mais um lindo beijo construir). &lt;br /&gt;hoje não vou falar que te amo &lt;br /&gt;apenas te apreciarei no silêncio triste dos meus medos &lt;br /&gt;e a cada vez que te olhar, mesmo de modo sério, estarei dizendo bem baixinho &lt;br /&gt;(tão baixinho que ninguém será capaz de ouvir) &lt;br /&gt;que te amo &lt;br /&gt;(assim, como uma força tão grande feito as ondas do mar que invadem a cidade e causam destruição) &lt;br /&gt;eu te amo, de um jeito só meu, repleto de cuidados, te fazendo só minha (apenas minha) tão somente minha que chego a te sufocar &lt;br /&gt;(mas saiba, amor meu, que esse desvario meu, que toda essa loucura que por ventura perpasse meus sentimentos) &lt;br /&gt;é fruto de um desejo descomunal de te fazer feliz, tão feliz feito a  criança recebendo seu primeiro presente sem nem se dar conta de que ele  será apenas mais um brinquedo jogado um dia no canto escuro da memória  que nem ela mesma será capaz de lembrar que um dia foi tão feliz ao  receber aquele brinquedo de presente e que esse mesmo brinquedo a fez  tão feliz a ponto de sentir um dor aguda no peito ao pensar, quando se  deitou para dormir, que um dia poderia viver sem esse simples brinquedo,  e ainda assim ela é feliz, assustadoramente feliz &lt;br /&gt;é dessa maneira que te quero feliz, amor meu, de um jeito singelo feito  uma criança mas ao mesmo tempo tão forte como a mãe que vê a morte do  filho e sente que uma parte de si mesma acaba de morrer e ainda assim  tem forças suficientes para viver e ser feliz novamente &lt;br /&gt;feliz assim, amor meu, criança e mãe, simples e forte &lt;br /&gt;mas antes de tudo você, tão somente você, apenas você, desse jeito que  me toca e faz chorar, que me encanta e faz sorrir, que me alegra por  estar a meu lado, que me entristece na distância, que me atiça o desejo e  acalenta as tristezas, assim, mulher que és, te quero feliz, tão feliz  como sou quando estou contigo &lt;br /&gt;mas antes de tudo feliz por estar você comigo &lt;br /&gt;por isso, repito, hoje não vou falar que te amo &lt;br /&gt;apenas te apreciarei no silêncio doce da sua presença &lt;br /&gt;(que me encanta). &lt;br /&gt;não acendo um cigarro, não componho um poema, muito menos escrevo um  conto, nada, isso é o que faço, e por nada fazer é que penso/sinto tanta  coisa por você. na minha imobilidade sou capaz de construir algo mais  valioso que um poema ou conto (o câncer de pulmão não entra aqui) que é o  sentimento que nutro por ti. tu apareceu meio que do nada em uma noite  que não lembro estar ou não estrelada (estrelas brilham mesmo depois de  mortas, as que vemos iluminando o céu nas belas noites de verão nada  mais são que apenas reflexos do que já foram outrora, ou seja, brilham,  mas estão mortas, já meu amor por ti reluz com força e vida a cada novo  dia, está vivo, e a luz que emana dele ilumina não só noites mas também  os dias em que estás comigo). sei que pensar é como se olhar no espelho  da razão e refletir (ver-se re-fletido) e acontece, muitas vezes, de  vermos o que não queremos ou talvez nem mesmo devêssemos ver, dessa  forma, o ato de re-fletir-se racionalmente pode vir a não ser tão bom  assim. mais vale me olhar na claridade do rio que corta meus sonhos, a  limpidez da águas que por ele correm levam-me a enxergar o que um mero  espelho de razão não me possibilita ver: o sentimento. sentimento é como  o pudim de leite que minha mãe faz: de tão saboroso chega a parecer  mentira que exista algo assim bom pra valer. e é quando o  sabor/sentimento (que de tão bom parece nem existir) toca aquele parte  escondida por sob o tapete sujo da razão que finalmente no vemos frente a  frente com certos dilemas da vida. um deles seria o amor: amar, está  claro, é um sentimento motivado pelo cérebro, o coração é um símbolo  criado, o que leva mesmo uma pessoa a amar outra é o que o órgão que  fica na cabeça produz de sensações motivadas por aquela que será a  pessoa amada. no meu caso, você nãnaira. enfim, em meio as idéias que o  cérebro produz de boas ligadas ao amor existem também as ruins, ou seja,  o amor têm duas caras: a boa, que seria a produtora de sensações de  prazer, carinho, satisfação, orgulho. e a ruim, ligada as questões do  medo, dor, tristeza. no meio de tudo isso, eu: o que ama e se vê no  espelho da razão preferindo o reflexo límpido das águas do rio que corta  meus sonhos e enfrenta assim dilemas na ordem de pensar e sentir  querendo apenas sentir mas muitas vezes sem querer acredite é mesmo sem  querer acaba acordando e dando de cara com uma cara de babaca que só  depois de alguns segundos percebo ser a minha e apenas aí percebo o que  essa cara de babaca que é a minha faz ali na minha frente ela me olha e  nesse refletir-se é que está o problema porque ela reflete aquilo que  não quero ver: meus medos. &lt;br /&gt;o tempo passa lá fora e eu aqui: não acendi um cigarro, não compus um  poema e muito menos escrevi um conto, mas uma coisa eu posso te dizer:  aqui, sentado frente a esse teclado, ouvindo a água que de leve ia  molhando seu corpo eu constatei, novamente, que meu amor por ti é forte o  bastante a ponto de superar encarar esses reflexos que teimam em  aparecer na minha frente quando eu menos espero. e assim, pronto pra  mais uma batalha entre pensamentos e sentimentos, eu guardo pra ti um  pedacinho do rio que corta meus sonhos, depois, quando acordar, vou  colocar bem devagar um pouco dos sonhos que guardei num balde e saio á  rua cantando bem ALTO que estou levando sonhos pra mulher que amo. (e o  que ninguém nunca saberá é que esses sonhos não são apenas sonhos, mas  sim a verdade dos sentimentos que escondi nos sonhos e que chamo de  amor: meu amor por você). &lt;br /&gt;por ora, paro por aqui, preciso dormir para trabalhar amanhã, ouço leoni  (“diz pra eu ficar muda, faz cara de mistério(...)”, relembro seu  rosto, sempre tão belo, tão doce..., se a mim fosse possível te  desenhava e guardava no mais profundo de mim, mas o máximo que sou capaz  de fazer é rabiscar toscas palavras que, dificilmente, serão capazes de  expressar tanta beleza (física e interior) que compõem um dos mais  belos poemas que pude presenciar (e tentar ler enquanto pessoa) em minha  vida: você, você: nãnaira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos &lt;br /&gt;Primeiro trimestre de 2008. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-7909485817303638572?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/7909485817303638572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=7909485817303638572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7909485817303638572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7909485817303638572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/sensacoes.html' title='Sensações'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-7851329037760613667</id><published>2011-11-23T10:27:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T10:27:26.128-08:00</updated><title type='text'>Eu e ela conto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;Ela apareceu do meu lado  e disse oi, eu levantei a cabeça e respondi oi, dando a volta em torno  da mesa ela disse posso sentar?, fechei o livro e disse pode, depois de  puxar a cadeira e se acomodar ela disse eu acabei de tomar café, toda  vez que eu bebo café eu sinto vontade de falar com alguém que eu vejo e  que me chama a atenção, eu sorri meio sem graça e disse onde você me  viu, ela piscou, passou a mão pelo cabelo e disse primeiro no elevador,  eu estava descendo de um e você entrava no outro, despertou minha  curiosidade a maneira como você segurava sua mochila, depois que passei  por você eu fumei um cigarro e subi novamente, então te vi entrando na  biblioteca, fui tomar meu café pensando em entrar aqui e falar contigo  (lembra que depois do café eu preciso falar com alguém?!), eu disse  nossa, quanta coisa e passei a mão sobre a capa do livro, ela disse é,  quanta coisa, você deve estar me achando estranha, não?,eu disse não,  não mesmo mas engraçada eu to te achando, ela sorriu e disse que bom,  menos mal, eu cocei a perna e disse é, talvez seja bom mesmo, ela disse  tomara que seja e tirou uma cutícula da unha, eu disse vamos fumar um  cigarro?, ela disse sim, vamos e abriu um sorriso grande, levantamos e  saímos da biblioteca para fumar um cigarro, ela disse tem isqueiro?, eu  disse tenho, ela disse olha, eu não quero que você me ache estranha mas é  que você chamou mesmo minha atenção, eu fui falar com você porque a  vontade era muito grande, entende?, eu disse entendo e traguei forte  pensando em como era estranha essa menina, ela disse eu te achei lindo,  por isso fui até a biblioteca atrás de você, eu disse lindo? , e ri  engasgando com a fumaça, ela disse é, lindo, não sei se só lindo mas  alguma coisa balançou dentro de mim quando te vi, eu traguei em silêncio  e disse faz tempo não me dizem isso, na verdade nem lembro direito se  já ouvi isso algum dia, ela disse duvido e tocou meu rosto enquanto  soltava a fumaça, eu disse algo que não lembro e fiquei vermelho, ela  disse posso e eu disse o quê?, ela disse feche os olhos e eu fechei, ela  tocou minha boca com seus lábios finos e eu me excitei, ela mordeu de  leve minha boca e eu me excitei ainda mais, ela puxou meu cabelo com  força e eu lembrei da minha mãe me fazendo cafuné, ela afastou sua boca  da minha e disse eu sabia, eu sorri e disse sabia o quê?, ela prendeu o  cabelo num rabo de cavalo e disse que você era o homem da minha vida, eu  sorri e disse como assim homem da sua vida, como você pode saber disso  se nem me conhece?, ela acendeu outro cigarro e disse eu sonhei ontem  que ia encontrar o homem da minha vida e que quando a gente se beijasse  eu saberia, eu disse que sonhos são apenas sonhos, ela disse não, meu  sonho foi muito real e você era você mesmo, não era outra pessoa, eu  acendi um cigarro também e disse não acredito muito nisso, fica  parecendo coisa de destino, ela disse é isso mesmo, destino, esse é o  nosso destino, ele está escrito desde ontem, eu senti um cisco no olho,  cocei, traguei o cigarro, senti a fumaça entrar, sair e disse mas eu não  acredito em destino, então como posso estar assim no seu sonho e no seu  destino, ela sorriu e disse seu bobo, tragou forte e disse o destino  não é meu nem seu, ele é nosso, eu fiquei quieto pensando no que falar,  traguei uma-duas-três vezes seguidas soltando logo a fumaça e disse acho  que vou embora, ela segurou meu braço e disse não, não vai, fica, não é  pra você se assustar, eu apaguei o cigarro com o pé e disse tá, ela  soltou o cabelo, segurou minha mão e disse eu te amo, eu disse que isso  menina, você não pode me amar sem nem me conhecer, ela disse eu te amo  porque eu te conheço, eu sempre te conheci, além do sonho de ontem você  estava nos meus outros sonhos, desde os 11 anos que sonho com você, só  que você não tinha sua cara, sempre aparecia com uma máscara, um pano no  rosto ou encoberto por uma nuvem de fumaça, eu disse você é mesmo  engraçada,engraçada e estranha, ela disse você não me ama?, e eu disse  não, ela disse não faz mal, um dia você vai entender e vai me amar, vai  me amar mesmo sem entender, eu disse será?, e sorri, ela disse sim,  claro que vai, está tudo escrito, eu disse tá ficando bom, não tá?, ela  disse tá mas vamos parar aqui e amanhã a gente termina, quer um café, eu  disse quero, ela levantou e disse salva aí então enquanto eu preparo o  café, eu disse tá, vou salvar no pen drive e selecionei o texto, ela  disse (gritando da cozinha) tem cigarro?, eu disse tem, ela disse traz  um pra mim, eu disse levo e desliguei o computador. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-7851329037760613667?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/7851329037760613667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=7851329037760613667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7851329037760613667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7851329037760613667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/eu-e-ela-conto.html' title='Eu e ela conto'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-416513471103764534</id><published>2011-11-23T10:26:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T10:26:56.031-08:00</updated><title type='text'>Nosso sonho</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;Nosso sonho não vai terminar, &lt;br /&gt;desse jeito que você faz(...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Claudinho e Buchecha) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um sonho e eu sabia mas ainda assim não queria sair. Era um  sonho sonhado por mim mas que se confundia com o sonho que ela me  contara pela manhã. Este se resume da seguinte forma - palavras dela:  “existe todo um clima de sedução no ar, estou sentada fumando, uso um  batom vermelho fortíssimo que deixa pequenas marcas na taça em que bebo  meu vinho – tinto seco - sobre meu ombro direito pende uma das alças do  vestido, que visto especialmente para a ocasião, trago o cigarro e antes  de soltar a fumaça dou um grande gole no vinho, para sentir uma  confusão de sabores, muito parecida com o gosto que seu corpo libera a  cada vez que minha boca trabalha intensamente a beijar e beijar e beijar  cada pequeno pedaço seu, deixando marcado todo sentimento que guardo  por ti, sinto como se fosse uma atriz francesa, daquelas de filmes  antigos em preto e branco; gosto de me sentir poderosa, de sentir que  sou desejada por você. Em determinado momento troco de sonho, agora  estamos os dois sentados em uma varanda que não conheço, seu braço me  envolve, é lindo, um momento simples, belo e singelo” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava lá mas ela não me via, era um observador do sonho sonhado  por ela sem que ela soubesse que era observada. Era uma mistura de  sonhos, meu e dela, e no meu, antes de chegar ao lugar em que ela está  sentada, taça e cigarro na mão, eu caminhava por um lugar desconhecido  até ter minha atenção desviada para uma casa em que três belas jovens  estavam sentadas no portão, elas sorriam e acenavam para mim, algo como  um chamamento, eu também sorria e caminhava até elas sentindo uma grande  excitação não só física – que podia ser constatada com um olhar  detalhado abaixo da minha cintura - como também emocional, que se  percebia no grande sorriso que trazia aberto, cratera a exalar lavas de  alegria. Então uma voz falava comigo, uma voz que era a sua voz, como  num telefonema, e me dizia para caminhar mais e não parar ali, com  aquelas meninas, eu obedecia e, seguindo em frente, encontrava você  sentada em uma varanda, violão na mão, entrava, sentava, acendia meu  cigarro e assim, em silêncio, olhava pro céu, pro nada, pro tempo, e  sentia sua presença intensamente junto de mim. &lt;br /&gt;Acordo assustado e continuo a sentir você ali, junto, perto,  grudada em mim. Levanto, acendo um cigarro, mijo, olho meu pau mole e  fico assim: cigarro aceso na boca e pau mole pra fora, estático, sendo  observado por mim, então lembro de você, você nua, você sentada nua na  cama, livro na mão, concentrada, completamente absorvida pelo que lê a  ponto de não perceber que estou parado a te olhar, desenho lentamente  cada parte do seu corpo, vou cobrindo sua nudez com todos os desejos que  você alimenta em mim. Em silêncio me sento e fico pensando como seria  minha vida sem você, a dor de encarar uma existência sem sua presença,  sem seus olhares de reprovação a cada vez que ajo de maneira errada, sem  seus ora ora em respostas às minhas perguntas tolas e sem sentido, como  a dizer – de cara emburrada feito uma criança enfezada e sem paciência –  ora bolas, mas você não está entendendo?!, sem o cheiro forte do seu  café invadindo minhas narinas me levando a acordar com a frágil certeza  de que a felicidade pode sim existir e se fazer presente nos momentos  simples e singelos, como esse, em que o cheiro do seu café forte me  acorda antes mesmo que você invada o quarto, caneca na mão, a me dizer  baixinho, ei, acorda, olha aqui seu café, e no momento exato em que abro  os olhos sinto seus lábios a tocar a ponta do meu nariz, deixando  novamente ali registrada a marca do seu carinho; então, antes que você  perceba que estou ali sentado, me arrasto feito uma lesma pelo chão e  toco a sola do seu pé, bem de leve, o toque produz em você um pequeno  susto, o livro cai de suas mãos, você sorri, me puxa pelos cabelos e me  beija com força, me chama de seu menino mimado e carente e me beija  beija beija, sinto sua louca língua a correr alucinadamente por minha  boca, seu beijo me encharca de desejo, toco seu sexo molhado, envolvo  com a boca seu seio, primeiro o direito, depois o esquerdo, desço  lentamente beijando cada pequeno pedaço do seu corpo, assim como o  mergulhador se entrega ao mar me entrego inteiro a você, me afundo no  mar do seu sexo, chafurdo feito o porco que remexe o lixo no terreno  baldio próximo a minha casa, assim como ele sacia sua fome eu sacio meu  desejo em você e de você. &lt;br /&gt;Era um sonho e eu sabia mas ainda assim não queria sair. Era um  sonho sonhado por mim mas que se confundia com o sonho que ele me  contara pela manhã. Este se resume da seguinte forma - palavras dele:  “não estou dormindo, sei disso como sei que também não estou acordado, é  como se estivesse envolto em uma espécie de entre-sono, isso, estou  nesse entre-sono mas penso com extrema clareza, penso: estou deitado,  durmo e sonho, sonho que escrevo um conto em que um jovem conversa de  maneira intensa com uma menina que o aborda em uma biblioteca, a menina é  um tanto estranha, diferente mesmo das meninas tradicionais. Uma hora,  ainda no sono e no sonho, essa menina recebe o seu rosto, antes eu não  era capaz de vê-la com clareza mas agora ela tem seu rosto, assim como  você ela me olha de um jeito diferente, como se quisesse encontrar ou  mesmo tirar de mim algo que nem eu mesmo sei possuir, é estranho mas é  bom, é gostoso, pois sinto que ela-você gosta de mim, gosta de uma forma  diferente, uma forma só sua-dela, uma forma apaixonada, é, posso dizer  isso: apaixonada. Ainda é sono e ainda é sonho, sei disso mas as ideias  ainda são claras demais, vejo cada letra antes de colocá-las no papel,  então acordo." &lt;br /&gt;Sentada fico ouvindo ele me contar seu sonho, deixo transparecer uma  atenção que não tenho, apenas olho e mantenho meu silêncio, vejo como  ele parece nervoso, fuma intensamente dando seguidas tragadas no cigarro  e se enrola com as palavras. Eu não sabia que à noite esse simples  sonho fosse me abalar tanto. Acordei assustada, bebi água e engasguei  tamanha a ânsia que me consumia, uma ânsia inexplicável de sair logo do  sonho, de fugir daquele emaranhado de palavras que sabia serem dele mas  que me tocavam de modo intenso e estranho, como agulhas entrando  lentamente em minha pele, perfurando lenta e dolorosamente meu corpo.  Esse eu que recebe um outro rosto ficou martelando em minha memória, não  conseguia visualizar a cena: um outro corpo, uma outra mulher e depois  eu, melhor, meu rosto apenas, meu rosto em um corpo que não sei qual é  mas que estava ali, no sonho dele, um eu-ela que só ele sabia como era,  tudo era inimaginável pra mim e me confundia ainda mais. Acordei suada,  com certo cansaço mesmo no corpo, lembro de ouvir uma menina (eu, será  que sou eu essa jovem um tanto estranha, diferente mesmo das meninas  tradicionais?), que falava muito, não parava de falar em momento algum,  todo o tempo falando, falando; não, não quero, lembro que acordei quando  eu-ela falava rápida e intensamente, fui me identificando sem querer  com as imagens que ele construiu dessa jovem a ponto de acordar morta de  sede, então caminho até a geladeira e bebo sofregamente no gargalo  mesmo da garrafa, me engasgo, tusso que é uma barbaridade, ainda sinto  certo cansaço que não sei mesmo como surgiu mas que faz todo meu corpo  doer, enquanto guardo a garrafa penso em ir até o banheiro e me olhar ao  espelho mas sinto medo: e se for o eu-ela a se refletir?, e se eu não  tiver mas o meu rosto?, se não reconhecer a mim mesma no meu próprio  espelho, no meu próprio reflexo?, abro novamente a geladeira e me entupo  de água, bebo com mais vontade do que sede, bebo para ter o que fazer e  desviar minha atenção, bebo para esquecer o sonho, para esquecer tudo  que ele me disse sobre o sonho que teve, bebo para esquecer do sonho e  para não me perder de mim, para continuar sendo eu mesma amanhã ao  acordar. Decido escrever para tentar esquecer, encho a garrafa, guardo,  caminho até o quarto e ligo o computador, sento e fico pensando no que  escrever, no que falar a mim mesma para me sentir bem, para me sentir eu  e esquecer, apagar o que ele me disse e que me levou a esse estado de  nervos, então digito: era um sonho e eu sabia mas ainda assim não queria  sair. Era um sonho sonhado por mim mas que se confundia com o sonho que  ela me contara pela manhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(com a colaboração de Fábio Fonseca e Fiama Parreira) &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-416513471103764534?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/416513471103764534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=416513471103764534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/416513471103764534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/416513471103764534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/nosso-sonho.html' title='Nosso sonho'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-5085540439407107366</id><published>2011-11-23T10:24:00.005-08:00</published><updated>2011-11-23T10:24:56.987-08:00</updated><title type='text'>Todas as mortes são bestas, mesmo as literárias</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana,Arial,Helvetica; font-size: x-small;"&gt;Ao meu pai, em memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho medo da morte, talvez por isso ainda esteja vivo, talvez, não tenho certeza. &lt;br /&gt;Durante um período da minha vida, entre os vinte e trinta anos,  acreditava que todos os dias seriam os últimos, mas quando completei  trinta passei a ver a vida e a morte como uma espécie de estado de  torpor, assemelhando-se ao entreato dormir-sonhar, como se um estivesse  preso ao outro, num laço de ligação-continuidade, então descobri que  poderia ser feliz, mesmo com a iminência da morte a me espreitar dia e  noite. &lt;br /&gt;Agora já com oitenta anos vou vivendo cada dia não como o último, mas  sim o primeiro, numa eterna cadência que se constrói num ritmo melódico,  quase um samba, ou mesmo um blues. &lt;br /&gt;No meu trigésimo aniversário fui à padaria da esquina tomar meu café, em  seguida comprei um maço de cigarros_ não fumava até então_ tomei três  cervejas e fui pra casa escrever. Estava há dois meses aposentado,  pagara uma quantia até certo ponto modesta para passar todo o restante  da minha vida sem trabalhar utilizando a desculpa de que possuía certos  distúrbios mentais que me impossibilitavam de dar aulas, me coloquei  assim a escrever, única atividade, além do sexo, que me dá realmente  prazer. Depois descobri que beber e fumar também eram mais duas  obras-primas da vida que o homem inventara. Desde esse dia essa rotina  se instaurou em minha vida, acordo, tomo um bom banho sentindo o carinho  da água fria a passear por todo meu corpo, visto uma bermuda e uma  camisa, mesmo no inverno, calço minhas sandálias de dedo e saio com  destino à padaria, lá tomo meu café, compro meu cigarro e bebo minhas  três cervejas. Há dias em que bebo seis, ou mesmo oito. Quando acontece  de ser assim chego em casa com uma ânsia ainda maior de sexo. Como nem  sempre estou me relacionando com uma mulher que conviva dia a dia comigo  utilizo a masturbação como um refúgio para dar vazão ao meu prazer  acumulado. &lt;br /&gt;Minha infância não merece ser citada aqui, de nada me serviu para o  decorrer da minha existência, considero que nasci para valer aos trinta  anos, antes disso vejo-me como alguém que apenas andava pelo mundo, não  só sem rumo, mas também sem prumo ou algo que o valha. &lt;br /&gt;Quando me perguntam, vez ou outra, como é chegar aos oitenta digo que  não sei, para mim tenho cinqüenta anos e falo a verdade nessas horas.  Meu nascimento se deu na padaria, num já longínquo treze de setembro,  como parteiros um café forte e quente, um maço de cigarros filtro  amarelo e três cervejas bem geladas, meu cordão umbilical se cortou no  banheiro de casa com Milena tornando meus castos pensamentos mais  excitantes. &lt;br /&gt;Amores tive aos montes, uns mais duradouros, outros menos: apenas surtos  de paixão. Assim como aquela vontade louca de mergulhar num mar de  águas claras num quente dia de verão eu me entregava a algumas paixões  por puro impulso e desejo/necessidade de sentir a vida pulsando dentro  de mim. Meu coração é como uma caixinha de música movida pela melodia da  paixão, toda vez que o abro, ou tento, um leve som de encantamento e  desejo se faz ouvir em meus sonhos, então escrevo. &lt;br /&gt;Minha escrita é uma continuidade dos meus amores, assim como vivo para  escrever amo para viver, se não amasse não escreveria, penso. &lt;br /&gt;Minhas caminhadas de ida e volta à padaria são como folhas ou a tela em  branco se abrindo para mim enquanto espaços de libertação, boa parte dos  livros que escrevi tiveram suas construções estruturadas neste  percurso, que não foi o mesmo em todo esse tempo. Desde meu nascimento  aos trinta anos morei em sete lugares diferentes, dessa forma são sete  os caminhos da minha escrita. Mas em todos eles o início e o fim sempre  foram ou tentaram ser o mesmo. Casa-caminho-padaria-caminho-casa são as  bases de sustentação da minha produção literária. &lt;br /&gt;Dos meus amores poucos realmente merecem ser citados aqui, digo isso  porque esse texto não se pretende um resumo de minha vida, muito menos  um testamento literário, espero viver ainda alguns anos, e dessa forma  tudo o que faço aqui é catar na memória reminiscências que tenham  contribuído de maneira válida para minha vida em todos esses anos. Meu  texto é um caminho que uso para trilhar rumos que me façam enxergar  melhor os erros e acertos que por ventura tenha cometido nesse período,  algumas vezes é ele o único trajeto possível. &lt;br /&gt;A verdade da escrita é aquela que nós escritores queremos que seja,  talvez por isso não vá deixar aqui rastros que possam ressuscitar em  minhas lembranças sensações que outrora me trouxeram tristezas, aos  amores passados quero deixar apenas toques de carinho, palavras de  ternura, mas não são todos que merecem isso, então o que faço é criar a  mulher perfeita que não tive, Milena: meus desejos e receios, minha  ânsia de amar e ser amado sem medo de olhar o futuro e encarar a  incompleta certeza que é o viver, Milena: o beijo mais completo, o sexo  mais puro, mais gostoso, aquele no qual gozei minha eterna condição de  amante desarmado, Milena: a boca macia, de traços finos e gosto de céu  azul, Milena: a que lia pra mim contos do Cortázar à noite, amante de  Ana Cristina César e poeta nas horas de insônia, Milena: a menina que se  dizia mulher e me amava sem medo de sofrer, Milena: a que me viu chorar  tardes e noites com medo de escrever coisas que pudessem despertar em  mim o arrependimento, como se a escrita não fosse um eterno  arrepender-se, daí a necessidade de se produzir mais e mais e mais,  Milena: a dos cabelos pretos, ruivos, loiros, a do sexo molhado, dos  beijos secos e duradouros, a da bunda arrebitada que gostava de me ver  lendo poesias nu, Milena: a que me beijava como se quisesse levar  consigo todo meu ar, Milena: a doce menina que um dia quis conhecer para  lhe dedicar meus versos de amor, Milena: àquela para quem choro até  hoje nas noites de solidão regadas a cervejas e doses generosas de  conhaque, Milena, Milena, Milena. &lt;br /&gt;Minha escrita e meus amores possuem fortes laços que os unem, talvez  eles não saibam, por precaução então evito falar sobre isso, sigamos em  frente. &lt;br /&gt;Muitas vezes eu chegava em casa retornando da padaria, sentava, olhava a  folha em branco, segurava a caneta e assim ficava por minutos seguidos,  depois levantava, ia mijar, voltava e repetia o mesmo ritual, duas  horas depois já tendo ido quatro vezes ao banheiro e não tendo escrito  nada eu levantava e caminhava novamente até a padaria, tomava então  seis, sete cervejas e fumava o maço que normalmente durava um dia  inteiro, comprava outro e retornava para casa, ia direto tomar um banho,  depois catava algo para comer na cozinha, em geral tinha ainda que  preparar tudo_ a não ser nos períodos em que vivia com alguma mulher,  empregadas nunca tive e o fato de ter uma, digamos, namorada, me  motivava a ir para cozinha preparar almoços e jantares que servissem  para tornar ainda mais saborosa nossa relação_ (sei que a metáfora da  refeição vir a tornar uma relação mais saborosa é um tanto batida,  gasta, mas nem por isso menos bela e objetiva em suas intenções)_. Havia  dias em que chegava em casa e em duas horas tinha sobre minha mesa de  dez a vinte folhas riscadas frente e verso, nesses dias costumava comer  fora, feliz com meu alto índice de aproveitamento do tempo para minha  escrita, após almoçar ia andar a toa pelo centro da cidade, ao fim da  tarde sentava num bar qualquer e me deixava embebedar sentindo a noite  baixando sobre mim feito um manto que viesse encobrir mais um dia que se  perdia no tempo, ali, bem a olhos vistos. &lt;br /&gt;Por mais que não queira volto a falar de Milena. &lt;br /&gt;O fato de criar aqui uma mulher que se proponha trazer em seu cerne  todas as outras, ou mais, carregar tudo aquilo que procurei por todos  esses anos em todas elas inutilmente não quer dizer que Milena não tenha  existido, existiu sim uma Milena em minha vida, mas assim como a Milena  de Kafka, aquela para quem o escritor mandou diversas cartas e por quem  se apaixonou perdidamente, minha Milena tem um quê de falsa, algo que  habita nela e que me leva a duvidar da sua real existência. Na leitura  das cartas do escritor tcheco várias vezes me deparei com a dúvida se  essa jovem existira mesmo ou se não fora ela apenas um subterfúgio usado  por Kafka para preencher sua carência, seu vazio fruto dos dissabores  amorosos de sua vida_ para os que não sabem Kafka noivou três vezes,  sendo duas delas da mesma mulher e não casou-se nunca, tendo alimentado  por Milena, moça bem mais jovem que ele, uma doce e amarga paixão,  impossível, talvez por isso ainda mais doce_ enfim, assim como a Milena  do escritor de Praga a minha me fez e ainda faz duvidar de sua  existência; real ou não, minha Milena foi mais do que um sonho, durou  mais do que apenas o tempo que eu sempre considerei suficiente e válido  ao me relacionar_ sete anos_ me pegou digamos que desprevenido, foi o  que se costuma chamar de uma paixão arrebatadora, mais jovem que eu  trinta anos_ na verdade sempre a considerei da minha idade, nos  conhecemos quando eu tinha, pela data de nascimento atribuída a mim por  meus documentos, cinqüenta anos, mas, para os que têm acompanhado essa  minha narrativa, sabem que nasci ao completar trinta anos, dessa forma,  Milena e eu tínhamos a mesma idade quando nos encontramos naquela manhã  de chuva na padaria, eu tomando minha cerveja, ela a dela. Nunca  imaginei que pudesse encontrar uma jovem tão bela as sete da manhã  bebendo cerveja num balcão de padaria, nunca imaginei também que essa  jovem pudesse me olhar e me reconhecer enquanto escritor, que essa jovem  tivesse lido todos os meus livros e fosse, o que se costuma chamar,  minha fã, também não imaginara até então que ela fosse pedir para beber  comigo, que ficaríamos ali duas horas, que sairíamos bêbados nos  escorando um no outro e iríamos para minha casa, que juntos tomaríamos  banho e treparíamos no chão da sala ao som de Los Hermanos (“senta aqui,  que hoje eu quero te falar, não tem mistério não, é só teu coração que  não te deixa amar...”), que passaríamos a tarde toda lendo poemas um  para o outro, que sairíamos para jantar e voltaríamos novamente bêbados  para casa, agora a sua, que tomaríamos outra vez banho juntos e depois  treparíamos sobre a mesa da cozinha, sem música, sem falar nada, apenas  ouvindo o som do vento lá fora, o mesmo som que eu ouviria vinte anos  depois no enterro de Milena. Por tudo isso, pela forma como se deu, pelo  emaranhado de angústias pelo qual me embrenhei no que costumo chamar de  meu período pós - Milena é que ainda tenho dúvidas se tudo aconteceu  mesmo, se Milena não foi apenas um surto esquizofrênico meu, ou ainda  uma simples criação literária frustrada que passou a conviver comigo,  Milena: aquela que tanto amor me deu, por quem tanto chorei, que me  motivou nas muitas vezes em que pensei desistir da escrita, que foi  minha inspiração, meu oitavo caminho literário, aquela que arrumou e  re-arrumou toda minha vida, que virou de ponta cabeça minha realidade e  minha ficção, como pode Milena, você ser apenas essas seis letras  M-I-L-E-N-A que ora escrevo e que para quem me lê não passa de uma  imagem? &lt;br /&gt;Não vou falar porque considero os sete anos meu período ideal de relação  e também não entrarei em detalhes sobre o fato de Milena ter sido uma  inspiração para mim, já que penso a escrita como um exercício, algo que  se constrói dia a dia, na vivência do escritor com suas criaturas, com  as palavras que o cercam e envolvem, com seus medos, desejos,  frustrações, sonhos etc. Como não tenho a total certeza se Milena  existiu mesmo ou não posso assim dizer que ela foi mais do que uma  inspiração, ela foi uma criação minha, apenas uma personagem, mais nada. &lt;br /&gt;Depois de Milena minhas relações perderam um pouco da sua cor habitual,  passei a ser um homem mais centrado no meu trabalho, às mulheres  releguei meus momentos de prazer puro, sem compromissos ou ligações mais  fortes. Uns chamam isso de safadeza, eu penso que seja apenas uma  maneira de viver, nada mais. Se não quero estabelecer laços fortes com  ninguém ajo com extrema justiça ao buscar apenas sexo com aquelas que  sei estão dispostas a oferecer-me isso. Por outro lado minha escrita  ganhou em alguns aspectos e perdeu consideravelmente em outros, como  tenho por hábito me ligar muito ao que produzo e ainda me ligar mais  fortemente às mulheres mesmo por um tempo curto, a opção de não levar  adiante vínculos amorosos fez com que minha produção literária passasse  por mudanças, boas ou más não compete a mim julgar, seria narcisismo  demais, deixo aos críticos essa tarefa, já que eles não produzem nada de  útil mesmo, então que se virem em ler e re-ler meus textos à cata de  algo que os faça pensar e em seguida produzir suas apreciações fúteis e  banais como compete aos melhores críticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...)sentimento brandoardor de corposespelhos de nós mesmosmentes que  voamabrigo de nossas caríciasnada escapanenhum detalhe está ausente.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo esse fragmento de um poema de um jovem e bom autor, fiquei  pensando outra vez em Milena, dói tanto saber que a morte existe, por  mais que não a tema, o fato de possuir essa consciência de fim, de  falta, me causa certo desconforto, não ter medo de morrer me levou,  penso, a encarar bem minha vida com suas dores e alegrias, mas no dia em  que Milena morreu senti como se uma parte de mim estivesse sendo jogada  no lixo, em alguma espécie de poço extremamente fundo do qual apenas  com muita força eu poderia retirá-la, mas esse retirar é como escrever,  apenas minha memória, minhas lembranças teriam outra vez Milena, porque  concretamente, realmente, eu ficaria apenas com os sentimentos de  saudade, aquela dor melancólica doendo forte no peito. Por isso escrevo,  para trazer outra vez à tona momentos perdidos para sempre, e que  apenas através da memória, das lembranças, ganham novamente vida,  pequenos resquícios perdidos no tempo, em algum lugar distante do  passado, obscuro, turvo, mas vivo, de alguma forma, por mais sepultado  que esteja o passado, a lembrança sobrevive, se mantém de pé, mesmo que  apenas dentro de nós, em forma de choro ou de riso, assim como Milena:  essa pequena menina de lábios macios que um dia desenhei na retina do  meu olhar e que agora, tempos depois, ainda está aqui viva em forma de  palavras, só minha, toda minha: Milena. &lt;br /&gt;Queria acabar esse texto, mas não consigo, alguma coisa ainda me prende a  ele, e acabar agora, dessa forma, soaria melancólico demais, não quero  deixar a sensação de que sou um homem triste, meus oitenta anos me  fizeram aprender, por bem e por mal, que na vida não adianta ficar  chorando o leite derramado, que as saídas somos nós que construímos com  nossas próprias mãos, sujando-nos no barro que nos molda: ser humano,  defeituoso. Um texto que tinha por finalidade falar de mim acabou  virando um elogio a Milena, uma declaração de amor à mulher que me fez  enxergar o mundo por um outro ângulo, muito mais próximo do real do que  até então eu fora capaz de ver. Por mais que tente é-me extremamente  penoso dar um ponto final, sinto como se fosse morrer ao encerrar esse  texto e por mais incoerente que possa parecer, já que me vanglorio de  não temer a morte, o que me dá medo é a morte do texto e não a minha, é  selar com um simples ponto final esses fragmentos que fui soltando aos  poucos pela tela do computador, minha morte seria simples, banal até,  como todas acabam sendo, mas minha morte literária queria diferente, sem  glamour, mas com algo puro, singelo. Enfim, acho que não me resta mais  nada a fazer a não ser dizer fim: fim. Em seguida pôr aqui um ponto  final, assim: . Depois pensar que agora só me resta viver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS. Conto vencedor do Primeiro Concurso de Contos do Centro Acadêmico de Letras Carlos Drummond de Andrade. FFP/Uerj-2008 &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-5085540439407107366?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/5085540439407107366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=5085540439407107366' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5085540439407107366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5085540439407107366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/11/todas-as-mortes-sao-bestas-mesmo-as.html' title='Todas as mortes são bestas, mesmo as literárias'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-5036644136131128465</id><published>2011-05-16T18:09:00.003-07:00</published><updated>2011-05-16T18:09:39.816-07:00</updated><title type='text'>Vestido de Palavras</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm -2.85pt 0pt 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O jovem escritor acorda decido a conquistar a menina; pensa que escrever poder ser o melhor caminho para chegar a ela; após um rápido banho veste-se com seus mais belos sonhos e indaga-se se é ele, escritor, ou ele personagem quem quer, realmente, despertar a atenção da moça; caminha até a cozinha, acende um cigarro e enche uma caneca de café. Sentado exposto ao sol o jovem escritor procura um motivo, um fato ou acontecimento qualquer que possa desencadear uma história, cata na memória pequenos resquícios de vivências assim como a criança cata as migalhas de pão que esfarelou pelo tapete e agora, receosa e com medo de uma bronca da mãe, vai lentamente removendo um a um os minúsculos pedaços de pão que cobrem o tapete, também lentamente o jovem vai desenterrando esboços de lembranças que o habitam, seu medo, diferentemente do da criança, não é ser repreendido pela mãe mas sim não ser capaz, logo ele, que escreve, de construir uma história que possa, não apenas encantar a bela jovem mas também possuir suas qualidades literárias. Certa vez indagado se em suas narrativas era ele mesmo quem servia de base para a construção daqueles personagens que vagavam solitários e apaixonados por bares sujos noites a fio ele sorriu e disse não, nem sempre mas ao acordar ainda com aquele gosto um tanto amargo de ontem na boca ele refletiu outra vez e pensou que sim, em alguns momentos, é ele mesmo, escritor, quem veste a máscara do apaixonado triste e solitário a vagar sem destino pelas noites. Cigarro apagado e caneca vazia ele ainda se mantém sob o forte sol que inunda a manhã de calor; sente um leve calafrio a percorrer-lhe o corpo e arrepia-se, é justamente essa mesma sensação, pensa, que almeja desencadear em seus leitores e, principalmente, na moça a quem quer conquistar. Sabe que nunca foi dos melhores na arte tão sublime da conquista e, mais precisamente, vem vivendo uma fase em que “as coisas”, como costuma dizer vez ou outra aos mais chegados, não tem sido das melhores, ainda assim, um tanto quanto desmotivado, ele sente-se, pelo menos agora, nessa ensolarada manhã em que o céu parece querer saltar lá de cima e vir parar aqui em baixo, um pouco animado, pensa que talvez tudo não passe de uma motivação passageira, causada pela proximidade com a jovem há alguns dias mas no fundo sabe que mais importante que o motivo que o leva a querer, não só conquistá-la como ainda oferecer-lhe um texto, é sim voltar a amar, a sentir-se como o pássaro branco que costuma olhar voando sobre o mar apreciando os peixes que movem-se rapidamente sob as águas mas ele, pássaro, se sabe mais rápido que o peixe e isso, ele tem consciência, lhe garantirá mais uma refeição, é com essa certeza de vida que o jovem escritor quer se encontrar novamente; sente-se perdido em uma esquina escura com a vida que vem levando, sabe, mas guarda apenas para si, que seu jeito de amar já o fez sofrer, o que nem sempre pode ser visto como algo ruim, acredita, pois pensa no que seria da vida sem as fortes sensações, sem os fortes sentimentos que acarretam risos e lágrimas e o fazem sentir-se vivo, presente no mundo, assim ele gosta de ver-se no espelho que traz guardado na consciência. Pensando em seus textos antigos ele espera poder encontrar outra vez o caminho, a saída, ou a entrada, não sabe muito bem, pois não tem certeza de onde se encontra: caso encontre a saída é porque está preso em algum lugar, já se a sua frente o que se construir for uma outra porta que o leve a algum lugar é porque ele está fora, mas fora (ou dentro) de quê?, a pergunta o envolve e o dispersa de suas lembranças. Com outro cigarro aceso entre os dedos o jovem escritor se deixa levar pela fumaça que se desprende e pensa que se fosse tão leve quanto essa mesma fumaça teria uma quase certeza, como as que o envolve na pequena morte de sono em que os sonhos são tão reais que chegam a doer quando acorda, que seu texto não só agradaria a bela moça como também carregaria uma forte carga de emotividade e literariedade; são esses seus objetivos: conquistar a jovem e produzir um texto denso, consistente, que tenha o mínimo de valor enquanto obra, que emocione e envolva a quem o lê, que consiga fazer com que o leitor sinta mesmo algo durante a leitura, um texto que sirva de material de análise aos estudantes de letras e, ainda, faça com que o leitor dito comum, que não se dispõe a ler movido por outros motivos que não apenas o prazer de ler também crie seus laços de identificação com o texto, que a leitura de seu texto possa desencadear reflexões naquele que lê, que sua escrita não seja repleta de floreios mas sim objetiva, claro, uma objetividade poética, pois acredita que mesmo a prosa deva sim vir carregada de poesia, pensa na obra escrita como um passo além no campo da linguagem, dessa forma o texto que se pretende literário deve ser aquele que contribui para a expansão da língua enquanto meio expressivo-comunicativo. Sua preocupação se centra nesses dois pilares e, acredita ele, mais difícil do que atingir os objetivos almejados na escrita é conquistar a jovem, sabe ele que nessa difícil e tensa batalha pelo coração (ou nem tanto isso, o coração - profundo recanto que cada homem traz dentro si sendo “indesvendável” a qualquer um) mas pelo menos a atenção, o carinho e a admiração, talvez com esses ou outros fatos que não o vem à mente nesse instante seja possível desenvolver uma pequena, mas também ela consistente como a escrita que deseja, um esboço de relação ou “ligação” (em alguns momentos as palavras lhe fogem e se vê debilitado nas dificuldades que encontra para se expressar, não, ligação não é a melhor palavra, ele sabe disso, mas seu nervosismo vem aumentando antes mesmo que ele se sente, papel e caneta a mão, e se ponha a rabiscar um rápido e pequeno plano do texto que pretende desenvolver, mas ainda assim ele está disposto, mesmo envolto por uma neblina densa de dúvidas e receios não só literários como também emocionais, ele está se colocando a disposição da escrita, tem mesmo a convicção de que por meio da escrita é possível chegar ao coração da moça, lembra do dia em que, ainda menino, na escola, ouviu da professora, a quem havia dito que não conseguia ter idéias para escrever um texto de ficção, que sua cabeça doía demais quando era obrigado a escrever algo, que não, eu não consigo, professora, ela então o olhou e disse, tão baixo que ele quase não pôde ouvir, vou te contar um segredo: feche os olhos e respire fundo por dois, três segundos, depois comece a pensar nas coisas boas e ruins que você já viveu, escolha uma delas e escreva, ficção é isso, sua vida vista por um outro ângulo, ou mesmo um outro ângulo usado para ver as outras vidas, das outras pessoas, essas que passam por você na rua e depois somem para nunca mais, agora ali sentado exposto ao sol ele se dá conta de que foi ali, ao ouvir em um quase sussurro da professora que ele se iniciou como alguém que escreve, ali, aos treze anos que ele se deu conta de que tudo na vida pode não passar de invenção, ali, na sala de aula que ele fechou seus olhos e viu como via filmes antigos com sua mãe, sempre com pressa que este acabasse logo e ele pudesse ir pra rua bater bola ou mesmo ficar parado a toa, vendo-sentindo o tempo passar, assim como as imagens confusas e inexplicáveis daqueles filmes que sua mãe o obrigava a assistir foi que ele viu o que seria sua primeira história, e agora ele faz o mesmo, fecha os olhos, respira fundo, dois, três segundos, e o filme começa: a jovem é bela, o encanta, sentada no bar ela atrai seus olhares, ele está com alguns amigos, ela, em outra mesa, conversa com amigos também e, vez ou outra, vira lentamente a cabeça, num gesto simples, despretensioso como o olhar que lançamos através da janela do ônibus, não para ver onde estamos mas apenas para desviar a vista, já cansada, da nuca que se desenha a nossa frente, e o olha, ele percebe, sorri para si mesmo pensando em que motivo leva aquela bela jovem a olhá-lo, sente-se feliz com esse gesto, levanta e caminha até o banheiro, na volta acende um cigarro e sai com o pensamento ainda na bela moça, senta-se e se surpreende quando percebe que ela levantou e vem andando em direção a sua mesa, sacando um cigarro ela – ele abre os olhos e pensa que não, não está ficando bom, não é esse o destino que pretende dar ao texto, batido demais, simples demais, até mesmo banal para o resultado que espera alcançar. O sol agora o incomoda, levanta decidido a tomar um banho, vai aos fundos da casa e retorna com uma pequena mangueira na mão, prende-a a torneira e abre o rgistro, primeiro molha os pulsos (como seu pai o ensinou a fazer quando está com o corpo quente), em seguida abaixa a cabeça e deixa a água cair até encharcar todo seu cabelo, fecha os olhos incomodado pela água, o sol agora parece mais fraco, seu corpo vai aos poucos se refrescando, pensa que é o ele personagem quem poderia conquistar a moça, uma moça também ela personagem, dessas que habitam o mundo dos livros que lê e dos sonhos que têm como homem, assim seria mais fácil, bastaria construir uma história em que o ele autor teria total controle e domínio sobre o ele personagem, sobre a moça personagem e também sobre o destino, inventado por ele, para os dois, sim, dessa forma tudo ficaria mais fácil, mais simples, mas não, a vida não é nem fácil nem simples, e ele é o autor apenas de histórias, não da vida, o ponto final, nesse caso, pode estar em qualquer esquina, escondido sob qualquer árvore, preso por trás do sorriso mais ingênuo e doce de uma criança ou mesmo no beijo molhado da bela moça, fruto de sua imaginação, apenas um resquício dos desejos que carrega para as histórias que escreverá vestindo a nudez da vida de palavras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-5036644136131128465?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/5036644136131128465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=5036644136131128465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5036644136131128465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5036644136131128465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2011/05/vestido-de-palavras.html' title='Vestido de Palavras'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-970225292423662828</id><published>2010-09-30T16:19:00.000-07:00</published><updated>2010-09-30T16:23:24.605-07:00</updated><title type='text'>Ela, ou a mulher arco-íris</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Para Fernanda Sant’Clair &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ando pela rua e olho o céu. Azul. Assim como o mar. Como seus olhos. Os  olhos dela eram azuis. Olhos de céu, de mar. Olhos nos quais eu me  deixei afogar uma e muitas vezes. Olhos mortos e ainda assim azuis.  Olhos sempre azuis. Seus olhos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Você morreu e me deixou aqui com esse céu azul. Sozinho, eu e o céu, a  procura de você, a procura de qualquer coisa que me faça lembrar você,  que me faça, de alguma forma inexplicável, tê-la outra vez junto a mim.  Seria melhor que o azul deixasse de existir e que eu ainda pudesse ter  você junto a mim, viveria mais feliz sem o azul do que vivo (vivo?) sem  você. Sem você não vivo, sobre-vivo, vivo por sobre a vida, feito  pássaro que voa e se deixa levar pelo vento, perdido na imensidão do  vazio que preenche o mundo, o espaço, eu vou vivendo, me coloco por  sobre a vida e vou me deixando levar, assim feito um bêbado que vaga  pelas noites a procura de algum bar aberto, eu vago (vago: eu) pela  imensidão do mundo procurando você, procurando o que pode (ainda) restar  de você por aí. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Seus olhos azuis, seus cabelos vermelhos, sua pele verde, seu sorriso  laranja, você conseguia ser sempre linda, estar sempre linda, você foi o  arco-íris que pintou de amor o céu do meu coração, mas depois, assim  como o arco-íris que vai se desfazendo com o passar do tempo, você foi  também se desfazendo, lentamente vi sua degradação, dia a dia você foi  perdendo cor, seus cabelos vermelhos foram tornando-se pretos, depois  brancos, por fim incolores; sua pele passou de verde a rosa, roxa, ficou  incolor e depois sumiu, deixando-te transparente; seu sorriso ainda  durou algum tempo, era possível ver-te transparente e de cabelos  incolores com um sorriso laranja, eu ainda brincava, dizia que você  passava por uma fase camaleônica, que não se preocupasse, logo logo  voltaria tudo ao normal. Mas você sabia que não voltaria, que nada  voltaria ao normal. Eu também. Mas eu ainda queria acreditar, eu tentei  acreditar, mas foi em vão. Por fim seu sorriso também entrou em mutação:  marrom, lilás, incolor, depois acabou, você, que já era transparente e  de cabelos incolores, ficou também sem sorriso. Apenas seus olhos se  mantiveram azuis, e eu os amei até o fim, com todas as minhas forças eu  te amei. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Te amei com e sem cor, te amei durante todo o período de sua degradação,  lenta e tristemente você foi se perdendo, sumindo, pouco a pouco eu  podia perceber a desfiguração dos seus traços, as linhas do seu rosto a  se apagarem, feito borracha o tempo ia operando o apagar de você, apenas  os olhos resistiam, apenas eles, azuis, se mantiveram até o fim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Na última vez em que te vi você quase não era mais visível, um pequeno  ponto azul sobre a cama me indicava que era você, ainda você, a  persistir frente toda aquela dor, forte como sempre foi você não se  deixou vencer tão facilmente, lutou até o fim, até não ser mais possível  se manter com cor, se manter viva, se manter você. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A mim restou apenas a triste incumbência de estar a seu lado, triste  porque sofri (e ainda sofro) por ter acompanhado passo a passo seu  desaparecimento. Se pudesse teria fugido, teria corrido sem rumo pelo  mundo, para nunca mais voltar, para não ter a certeza do seu fim,  vagaria a esmo por aí, sozinho, sem procurar por conhecidos, esquecendo o  passado como se esquece de fechar a porta por uma noite, meio  displicentemente, mas não, eu não fui, não fui capaz, ou não consegui,  não sei ao certo, sei apenas que fiquei, fiquei porque te amava (te amo  ainda), porque tinha, mesmo que inocentemente, a esperança de que ainda  fosse possível, de que você, de alguma forma milagrosa, conseguisse  escapar, que você desse a volta por cima e se mantivesse com cor, com  vida, que você não me deixasse só, que você não se apagasse. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Hoje tenho a nítida impressão de que sempre soube que isso aconteceria,  de que fiquei com você apenas por já saber, por ter a certeza de que  acabaria de alguma forma triste e banal (por que se apagar como você se  apagou só pode ser classificado de banal, como é banal o fim da vida),  não fosse assim eu não me deixaria envolver, fugiria como fugira até  então. E me incomoda também saber que tudo aconteceria com você, que não  seria eu o motivo de nossa separação, mas você, por isso aceitei, por  isso fiquei até o fim como nunca havia ficado até então, por isso,  acredito, te amei, porque se não te amasse não teria graça, não teria  porque, de nada valeria toda essa epopéia dramática se eu não te amasse,  e é então que sofro ainda mais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Sofro pela certeza de ter amado, sinto em mim a dor de saber, desde o  começo, que acabaria, que você se acabaria, e que eu ficaria aqui,  assim, feito um narrador que conta uma história sabendo de antemão o  rumo que ela seguirá, tendo a certeza de matar esse ou aquele  personagem, fico aqui, eu, Carlos Henrique dos Santos, autor de você,  mulher arco-íris, sabendo que seu fim era certo, que era fato, porque  assim eu quero, porque assim o quis desde o princípio, porque assim  acaba uma história triste: como a vida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Carlos Henrique dos Santos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Maio de 2005. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-970225292423662828?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/970225292423662828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=970225292423662828' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/970225292423662828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/970225292423662828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/09/ela-ou-mulher-arco-iris.html' title='Ela, ou a mulher arco-íris'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-9008767616969663010</id><published>2010-07-19T16:55:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T16:59:27.552-07:00</updated><title type='text'>onde andará lívia b.?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;para lívia b., é claro!&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;lívia b. lívia b. lívia b.!, onde andará você? saio de casa sob uma puta chuva e fico rodando pelo centro à procura de lívia b.: bares, livrarias, farmácias, padarias, lojas de roupa e restaurantes: nem sinal de lívia b. em nenhum desses lugares ah!, lívia b., onde andará você? meus pés doem, quero mijar, acendo um cigarro: outro outro outro, o tempo passa, me leva junto, eu vou, sigo-o: caminho caminho caminho, meu corpo parece de vidro, a cada passo sinto que algo em mim se parte, desliza, resvala por meu silêncio e desce pelo bueiro mais próximo; um beijo beijo beijo, quero um beijo de verdade em meus lábios, mas porra! lívia b.onde andará você? a noite cai sobre mim com força, pesa em meu coração a escuridão da sua ausência: caralho caralho caralho, pra onde ir?, em que rua dobrar?, a quem pedir informação?, sentado fico olhando o céu, uma estrela: outra outra outra, cochilo, minha cabeça tomba pro lado, acordo, minhas roupas continuam molhadas e meus pés não param de doer, tenho fome, como um sanduíche: mais um mais um mais um e uma cerveja: e outra e outra e outra; pego um ônibus, desço, fumo, entro num bar, mijo, no espelho sujo procuro resquícios de você em mim: lívia b. lívia b. lívia b., novamente na rua, cansado, minha cabeça dói, fecho os olhos l í v i a b. o n d e a n d a r á v o c ê ? é tudo que consigo pensar, acho que vou desistir, não sei mais o que faço, ando há horas atrás de uma mulher que nem sei se quer alguma coisa comigo, em geral elas apenas me usam &amp;amp; abusam da minha fragilidade, não me faço de vítima, não é isso, mas penso que a relação deva ser compartilhada e não dividida, não quero comer uma parte do bolo e deixar a outra para aquela que estiver junto a mim, quero poder comer o bolo junto, compartilhando-o, é isso, é simples, mas não não não, ficam sempre me dizendo que sou um cara complicado, que exijo muito, mas porra!, se me entrego muito tenho o direito de exigir muito, ou não? ?hei, você que tá aí me lendo, por acaso não viu nenhuma lívia b. passando por aí, não? começo a sentir frio com essas roupas molhadas, cada minuto que passa deixa meu corpo mais pesado: exausto! procuro um lugar qualquer para sentar, de longe avisto uma mulher atravessando a rua, levanto, corro: rápido rápido rápido, passo por entre carros &amp;amp; motos &amp;amp; ônibus, o sinal abre, ouço buzinas: maluco, viado, quer morrer!, gritam gritam gritam, continuo a correr, a mulher está mais perto: mais mais mais, já posso sentir seu cheiro: êpa!, páro, cansado, abaixo a cabeça: não não não, ainda não foi dessa vez, essa não é lívia b. deu na rádio nacional, deu no jb, deu na globo, deu na cbn, deu na veja, deu no new york times, deu na voz do brasil, deu no olé, deu no fígaro, deu na mec am, deu no sbt: lívia b. desapareceu!, ajudem a achar lívia b.! volto pra casa caminhando, o corpo em frangalhos, restos de mim vão ficando pelas ruas que passo, quero o cheiro de lívia b., quero o sorriso de lívia b., quero o gosto de lívia b., tudo que tenho são lembranças: saudade saudade saudade, tomo banho, choro: lágrimas lágrimas lágrimas, deito nu, olho o teto, desenho lívia b. nas sombras que entram pela janela e durmo: em meu sonho encontro um duende azul, ele me sorri sorri sorri, depois me pergunta em mandarim (e eu entendo) o que quero: respondo que quero lívia b., então ele me manda fechar os olhos: fecho; o sonho acaba, tenho medo de abrir os olhos e ver que estou só, alguém puxa minha coberta, meus olhos não se abrem: medo medo medo; ?lívia b. lívia b. lívia b., onde andará você? abro os olhos e vejo um beija-flor a meu lado: sorrio sorrio sorrio e o conto termina com lívia b. me beijando, assim: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;carlos henrique dos santos. 04/01/06&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-9008767616969663010?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/9008767616969663010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=9008767616969663010' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/9008767616969663010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/9008767616969663010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/07/onde-andara-livia-b.html' title='onde andará lívia b.?'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-434140496933851821</id><published>2010-07-03T17:37:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T17:47:57.445-07:00</updated><title type='text'>Exílio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Até hoje não sei se a decisão foi a mais correta, mas isso talvez eu nunca saiba, o que importa é que depois que vim para cá minha vida, se não melhorou, ao menos deixou de ser tão ruim como vinha sendo. Sei que tomar decisões precipitadas pode trazer conseqüências futuras prejudiciais, mas no estado em que me encontrava dificilmente conseguiria levar adiante minha existência, por conta disso, e da dor de assistir passo a passo à morte de M. foi que optei por me passar por louco até atingir a meta proposta, que era ser internado num hospital psiquiátrico, acreditando que dessa forma poderia me ver livre das dores que me atormentavam. No dia em que M. morreu eu estava no cinema, ver filmes foi meu primeiro passo rumo a fuga do mundo, passava, muitas vezes, a tarde toda e o início da noite assistido desde o lançamento cult do ano as mais bestas comédias adolescentes; quando cheguei em casa e recebi de minha mãe a notícia não fiz nada, sem conseguir sair de onde estava me pus a chorar feito uma criança que acaba de deixar seu doce cair e não consegue esboçar reação, minha mãe me deu um copo de água com açúcar e ficou me olhando, depois disse que eu devia ser forte para encarar a situação de frente, e que isso era o melhor para M., que já vinha sofrendo com seu câncer a mais de um ano. M. havia ficado internada os últimos três meses, eu a visitava muito pouco, não conseguia ficar olhando a mulher que amava naquele estado de degradação por mais de meia hora, ir ao hospital era um martírio para mim, saía de lá com uma vontade louca de morrer antes de M., não sabia se seria forte o bastante para “encarar a situação de frente”, como disse minha mãe, mas sabia que morrer antes de M. seria fazê-la sofrer ainda mais, se é que isso era possível. Três dias depois do enterro de M. saí de casa sem saber aonde ir, não queria mais ficar assistindo filmes a tarde toda, a motivação que minha credencial de crítico de cinema antes me dava ficou presa em algum canto do cemitério, até a semana anterior a da morte de M. eu fazia até dez críticas por semana, o que me valia uma boa quantia em dinheiro, mas com a qual eu não sabia o que fazer; no período em que M. esteve doente era possível encontrar críticas de filmes feitas por mim em mais de dez jornais nos mais diversos estados do Brasil, agora o que eu menos queria era sentar frente a um computador e escrever sobre filmes. Caminhei a esmo por entre esquinas sem nome e pessoas sem rosto, feito um cachorro perdido fui me deixando levar, visualizava o rosto de M. triste, deitado naquela cama olhando para mim como se soubesse que eu não seria forte o bastante para viver sem ela, fazia tempo que não falávamos sobre nosso futuro, desde o dia em que ela chegou em casa falando que ia morrer o futuro passou a ser uma palavra a menos em nosso dicionário, os planos de ter filhos que tanto nos acalentava foi se escondendo por entre bulas de remédio e idas freqüentes ao médico, o que antes eram as economias que proveriam o futuro de nosso filho agora escorriam de nossa conta bancária feito as lágrimas que eu deixava à noite no travesseiro. Quando começava a me cansar da caminhada foi que tive a idéia, dias antes de M. morrer eu lera uma reportagem sobre &lt;em&gt;O Alienista&lt;/em&gt; de Machado enquanto esperava a hora do próximo filme, não sei porque, mas alguma coisa no texto me tocou de tal forma que ao chegar em casa corri à estante de livros e fui reler o conto, fazia tempo que não lia nada, a literatura passou a ser algo distante de mim, que não tinha mais a capacidade de me concentrar num livro sem pensar em M., cinco páginas era o máximo que podia suportar antes que as lágrimas começassem a correr por meu rosto movidas pela lembrança da faculdade de Letras que cursei com M. Machado sempre fora um dos nossos preferidos, chegamos a criar um grupo de estudos sobre ele com outras meninas de nossa turma e apresentamos alguns trabalhos, mas depois que parti para as críticas de cinema e M. foi fazer seu mestrado em literatura latino-americana deixamos alguns hábitos antigos_ como a leitura em conjunto dos autores que mais admirávamos_ para trás, mas nesse dia em que reli &lt;em&gt;O Alienista&lt;/em&gt; a força da ironia machadiana, sua sutileza e acidez ao nos revelar as mazelas desse mundo me despertaram alguma coisa que na hora não fui capaz de perceber, e só enquanto parava para descansar da longa caminhada que havia feito foi que me dei conta do que Machado queria dizer, pelo menos para mim, com seu conto; cheguei a conclusão de que eu deveria fugir desse mundo, que nós, eu e o mundo, éramos incompatíveis, que um do dois deveria se render ao outro, e foi o que fiz. Na manhã seguinte dei o primeiro passo para minha fuga, acordei cedo e fiquei nu na varanda com uma foto de M. nas mãos gritando que a amava, meus pais acordaram assustados com o barulho e ficaram atônitos ao me ver, antes de me virar para eles ainda ouvi quando minha mãe falou: coitado, agora só falta pirar de vez. Com cara de criança carente me deixei ser levado ao quarto por meu pai, lá sentei na cama e comecei a chorar dizendo que estava com muitas saudades de M. e que queria logo ir visitá-la outra vez em sua nova casa, perguntei ao meu pai quando ela ligaria para mim dizendo se estava melhor e se eu já poderia ir vê-la, antes que ele pudesse responder levantei e fui à sala colocar uma música, ao som de um samba antigo dancei nu pela casa ante olhares irreconhecíveis de mamãe, que parecia não acreditar no que via; quando o samba acabou fui pro banheiro tomar banho, ao terminar disse que ia sair e que dormiria na casa de M. naquela noite, eles não precisavam me esperar para jantar, dei um beijo em minha mãe e saí cantando como se estivesse feliz da vida, foi difícil conseguir fingir felicidade quando meu corpo todo doía de saudades de M., mas tentei ser forte o bastante, pois naquele momento acreditava que minha única chance de continuar vivendo era dando um adeus ao mundo, e isso eu só achava ser possível indo viver num lugar onde nada lembrasse minha existência até ali. Uma semana depois meus pais me levaram para conversar com um médico amigo deles, me preparei o máximo que pude para dar a entender a ele que eu deveria ser internado por um tempo, e foi o que ele decidiu com meus pais enquanto eu esperava do lado de fora da sala reclamando com sua secretária que meus pais já estavam demorando muito e pedindo que ela os chamasse dizendo que eu ainda queria ir almoçar com M. naquele dia. Quando vim para cá, admito, tive alguns receios, lembrei de alguns filmes que mostravam os mau tratos a que eram submetidos os pacientes de hospitais desse tipo, mas como eu passava a maior parte do tempo dentro do meu quarto escrevendo ou vagando pelos jardins, pude perceber que enquanto agisse dessa forma estaria isento do verdadeiro tratamento que eles ofereciam a maioria dos internos. Amanhã faz um ano que M. morreu, todos os dias quando acordo ainda tenho a sensação de que ela está lá fora me esperando, que basta eu atravessar os portões e lá estará ela, linda com o vestido azul que lhe dei quando completou 25 anos, mas a ilusão dura pouco, e quando vejo a foto dela que mantenho pendurada ao lado da minha cama tenho certeza de que a morte não mata apenas a quem morre, mas também a quem ama o que morreu. Não tenho vontade de sair daqui, muito menos tenho sonhos ou esperanças, tudo isso morreu junto com M., o que ficou foi apenas essa encenação, esse fingir de louco para encontrar uma razão de viver. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos Henrique dos Santos. 12/01/2005. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-434140496933851821?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/434140496933851821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=434140496933851821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/434140496933851821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/434140496933851821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/07/exilio.html' title='Exílio'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-6755542008016049350</id><published>2010-06-06T14:28:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T14:35:18.479-07:00</updated><title type='text'>Céu azul</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para Gisele Veiga, Virginia Navarro e Tailane. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero escrever, mas não sei sobre o que falar. Então olho o céu, gosto do azul que se abre feito uma espécie de mar sólido e nos envolve, camada infinita aos olhos. Olhos. Lembro dos olhos verdes de uma menina bonita. Penso como seria se o céu fosse verde, assim como seus olhos. Então escrevo: céu verde. Depois leio: céu verde. Assim crio a imagem mental de um céu verde. Da mesma forma que associo céu e mar, não apenas pelas cores, mas também pela maneira como os dois se constroem para mim em sua suposta infinitude, criando-me certo desejo de mergulho rumo ao vazio, ao nada preenchido de cor e desconhecido, também penso nos seus olhos como um espaço no qual possa mergulhar me distanciando do mundo, bem lentamente ir me deixando perder dentro de você; e ao escrever isso penso em sexo, na entrega total do momento, no ir, também, se deixando perder dentro do outro, mas não só o dentro do ato sexual em si, não apenas essa construção física e carnal da penetração, mas sim e também o se deixar levar pelo outro, o corpo e o desejo se encontrando aqui enquanto pólos catalisadores de nossas ânsias e frustrações, porque sexo é prazer a partir do momento em que se deposita e encontra nele uma forma de superar nosso desconhecido, que talvez por não se conhecer nos leve a sofrer a eterna dor da pergunta sem resposta que é a vida. O prazer sexual não pode ou deve se construir apenas fisicamente enquanto um ato de expelir um líquido e depois deixar o corpo se perder na modorra do relaxamento, não que isso não seja bom, pelo contrário, é isso que somado ao mergulho no interior de si e do outro na busca de se conhecer nosso desconhecido que faz desse simples e belo ato um dos momentos sublimes da vida. Sublimação. A palavra já carrega em seu cerne certa idéia de subida, de encontro com algo maior, que liberta, acalenta, conforta. Seu beijo faz isso comigo. Toco sua boca e sinto meu desejo de fuga de mim se acentuar, meu eu e meu corpo se dissociam ao encontrar a fina doçura de seus lábios. Me perco de mim ao procurar-me, dentro de você sou todo meu desejo de fuga e encontro, meu sonho acorda e diz bom dia antes de mim quando te beijo e assim penso viver uma eterna mentira disfarçada de verdade: delírio. As palavras se juntam a minha frente, fazem, antes de jorrar na tela em branco feito chuva de verão com seu ímpeto que mescla beleza e destruição, assemelhando-se assim a um triste poema de amor (frustrado), fruto das dores amargas da paixão, um redemoinho de idéias que dançam em meu inconsciente pedindo para sair, mas para aonde querem ir vocês palavras?, grito, mas elas parecem não ouvir, ou pior, não querer ouvir, e dessa forma ficam assim, se jogando a você leitor com desejo de serem lidas, querem, penso, dizer algo, mas se nem eu que as escrevo sei o que quero dizer, então como lidar com isso, com essa necessidade de falar, de pôr no papel letras que formam palavras que se estruturam em frases criando idéias que levarão, de alguma forma, depois, quando as leio, a mim mesmo? Cortázar dizia que o conto é como um nocaute na luta de boxe, causa certo impacto, o tal efeito único lá da teoria da literatura, esse impacto pega o leitor, suspende, deixa-o fora de si, nocauteado mesmo, já o romance seria aquele tipo de luta mais arrastado, que consome todo o tempo sendo ao fim decido seu vencedor na contagem de pontos de toda a luta. Podemos então, a partir disso, pensar a escrita enquanto uma luta, quase uma batalha que o escritor trava com palavras e idéias, sensações se misturam no dia a dia, ao longo da vida, nas leituras que se acumulam com o tempo, depois, na hora de sentar e escrever se inicia a luta, o texto que daí surgirá poderá suscitar no leitor tanto a alegria e júbilo da vitória quanto a dor e frustração da derrota, ao escritor sobra apenas a triste constatação que ainda não foi dessa vez, então surge a necessidade de uma outra luta, nova batalha se travará entre escritor e palavras na construção de um outro texto. Eu o que faço é juntar fragmentos de mim, as histórias que daí surgem é o caminho que percorro para dentro do meu eu, se as palavras saem, as significações entram, se acomodam e me dão outra visão de vida e mundo, assim, digamos que, dialeticamente, escritor/texto/leitor se encontram num mesmo espaço (o texto), mas partindo e chegando a pontos diferentes. Quando olho pela janela e vejo a chuva caindo não fico triste nem penso nela, as lágrimas que já verti outrora são agora pequenas partículas que mancham a tela do meu passado, não há verdes campos, sol, céu, mar, bosque ou felicidades líquidas; de fundo negro, com pequenos pontos branco espalhados aleatoriamente, e formando uma espécie de círculo, cápsula protetora do grande objeto iluminado que se coloca à direita de quem olha a tela, no meu passado ela é a lua que ilumina, à distância, inatingível no céu do que ficou para trás. Todos os meus amores se constroem e destroem com facilidade, talvez por isso me embebede com freqüência na busca de viver um eterno estado de fragilidade frente à vida, dessa forma me liberto com facilidade das dores. Fico olhando meus dedos se amarelarem por conta dos muitos cigarros que fumo antes de sair de casa, chove, meu corpo está cansado, não tenho fome, sede ou sonhos, tudo que me sobra são desejos de encontrar você. No ônibus vou desenhando sua boca no vidro embaçado das minhas lembranças, ontem liguei para o seu trabalho e você já havia saído, agora não sei para onde vou, quero apenas me afastar das perguntas sobre nosso futuro. Você e sua vida nada têm a ver comigo, sou um penetra na festa da sua felicidade, seu casamento, seus filhos, tudo fazem de mim um estorvo para você, mas quando te olho, quando sinto a doce maciez das suas mãos tocando meus cabelos, quando ouço sua voz murmurar do telefone da cozinha que me ama ama ama com toda sua força e que tem de desligar pois seu marido está na sala assistindo tv eu fecho os olhos e fico olhando para a tela do meu passado, assim acabo acreditando, mesmo sem querer, que talvez o filme se repita, que como ela você pode um dia ser apenas um tela na parede da minha memória. Faz tempo que não choro, dispo meus medos toda noite antes de dormir, assim acredito que no dia seguinte poderei acordar mais disposto para encarar o mundo e suas desilusões, mas nada muda, acordo com gosto amargo de ontem na boca, saio para trabalhar, falo oi tudo bem é beleza isso aí até mais valeu sorrio meu riso de misericórdia um tanto amarelado e parto à procura de um bar, é lá que ressuscito minhas mágoas já que afogá-las é o que faço no decorrer do dia. Penso em você mais do que deveria, a razão nem sempre é lá tão racional assim, dessa forma consumo minha existência hoje a ingerir lembranças de alguns poucos bons momentos. Quando te conheci àquela noite sentada à beira da rua num bar tomando cerveja com amigos senti um aperto forte no peito, bebia e sentia uma prazer ainda maior em cada gole de cerveja, descobri depois, já em casa olhando no espelho a procura de algum resquício seu em mim, que o prazer vinha da sua presença, seus silêncios, seu riso grande se abrindo feito flor na primavera, a melodia da sua voz, que nessa mesma noite e durante muitas outras se pôs a embalar meu sono. Culpado. Culpa. Desculpa. São palavras que não deveríamos pronunciar um pro outro, não somos culpados, não fizemos nada de errado, apenas nos apaixonamos, se há algum problema nisso ele reside no fato de você ser uma mulher casada. De resto o que fizemos foi deixar nossos sentimentos falarem, e é claro que me dói não ter você junto a mim a maior parte do tempo, assim como dói saber que outro homem te toca, te beija, te ama, é nessas horas que penso em jogar tudo pro alto e sumir deixando-te apenas com o sabor das recordações, mas não consigo, não ainda, então caminho sem rumo como agora, entro em algum ônibus e tento me desligar do mundo a minha volta querendo assim te esquecer e me esquecer de mim mesmo, de nós, do nosso amor e de toda dor que ele desencadeia em mim. Queria te ver, ouvir seu riso grande se abrindo, tocar seu rosto deslizando o dedo de sua testa até seu queixo passando por seu nariz, desenhando com minhas mãos seu rosto no imaginário que trago preso ao peito, depois beijar sua boca de leve e falar bem baixinho no seu ouvido que te amo te amo te amo imaginando que possa com essas palavras fazer com que meu amor fique ainda mais claro para você. Não sei se te ligo ou se ajo “normalmente” esperando que você ligue, não sei se choro ou fico em silêncio sentindo as horas deslizarem por mim, não sei se desço do ônibus ou fico aqui sentado olhando o vazio da cidade lá fora, não sei se bebo ou fumo, não sei se sorrio de tudo isso pensando que um dia eu vá conseguir viver sem você e olharei para trás apenas com um boa dose de saudade, não sei se devo ou não pedir outra vez que você se separe de seu marido e venha com seus filhos morar comigo, não sei, não sei, não sei! A escrita risca meu corpo e rabiscado sigo meu rumo incerto com passos cambaleantes pelos tortuosos caminhos que se constroem dia a dia a minha frente. As histórias que conto são fragmentos de vida disfarçados, com máscaras literárias vou desnudando meus medos, desejos concretos tenho apenas um, que todos os outros sejam abstratos, na escrita não me encontro, o que faço é ir me perdendo ainda mais de mim, assim penso que possa continuar vivendo com a sensação de não ser completo e continuar a montar pelas palavras o quebra-cabeças do meu eu. Dito isso, o conto se encerra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos Henrique dos Santos. 14/07/2006. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-6755542008016049350?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/6755542008016049350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=6755542008016049350' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6755542008016049350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6755542008016049350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/06/ceu-azul.html' title='Céu azul'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-4228885656916019648</id><published>2010-05-29T11:28:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T11:37:01.867-07:00</updated><title type='text'>decálogo para um amor quase perfeito ou é impossível ser feliz sem o silêncio</title><content type='html'>&lt;strong&gt;prólogo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;não, não sei ao certo o que é amar. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1- quando me ponho assim a olhar seus olhos fechados enquanto tu dormes, nada mais se faz necessário a minha felicidade; hoje, nesse exato instante enquanto aprecio a beleza do seu silêncio, com esse agudo senso de solidão que me preenche e faz-me vazio ao mesmo tempo, dando a sensação (sublime!) de uma deliciosa angústia composta de receio e euforia, sinto-me extremamente feliz, porque é nesse silêncio de pálpebras cerradas que guardo o que sinto por você; assim como guardo uma peça de roupa antes de tê-la passado, displicentemente vou pondo-te para dentro de mim, vou guardando-te com seu silêncio no mais fundo do meu eu. é então que tenho a mais [plena] sensação de liberdade possível: a liberdade do sentimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2- gosto quando tu me olhas nua da porta do banheiro e pergunta se não quero tomar banho com você. sinto-me mais que imortal: sinto-me eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3- no sonho que tive ontem não conseguia distinguir seu rosto, mas sei que era você, impossível seria se não fosse, pois apenas você me olhava daquele jeito: assim meio tímida assim meio dissimulada. sabe, fico meio triste depois de acordar quando sonho esse tipo de sonho; porque nele nunca consigo ser feliz, o mesmo acontece aqui nesse real chamado vida, a felicidade pra mim se torna algo extremamente distante, da mesma forma que o sonho fica quando acordo no dia seguinte, a felicidade é apenas uma lembrança obscura e que nem sei mais se aconteceu mesmo ou não. no sonho você anda sem me olhar, passas por mim e segue em frente, feito a atriz daquele filme do carol reed você continua andando e sai de quadro, como a câmera que busca uma imagem fico à sua procura e o que encontro são apenas vultos, sombras; tento andar em sua direção mas não consigo, é impossível seguir, estou preso, estático feito uma pintura, sem movimento. posso apenas sentir sua presença, como quando estás distante [assim como nesse momento] a sensação que tenho é de que estás e não estás comigo ao mesmo tempo, fico ainda com um gosto de angústia nauseante na boca, o gosto da sua saudade, o gosto amargo da sua perda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;4- os olhos que vejo no espelho não parecem os meus sinto como se uma névoa os envolvesse a porta está fechada ou deveria estar não tenho certeza de mais nada a não ser que te amo te amo te amo fico repetindo sem conseguir controlar as palavras que saem da minha boca minha boca sua boca lembro de nosso primeiro beijo a garagem escura um cachorro sem rosto latindo não conseguíamos distingui-lo lembra? e ele lá nos olhando espreitando nosso primeiro beijo foi aquele cachorro vira - latas da sua prima quem presenciou um dos momentos mais magníficos da minha vida logo eu que sempre tive medo de cachorro fui encontrar num deles um aliado para os meus momentos de tristeza pois toda vez que lembro do beijo lembro também do cachorro sua boca minha boca e eu lá sentindo sua língua feito um pássaro preso tentando escapar e rodopiando de um lado para o outro dentro da minha boca e sem saber o que fazer eu ficava correndo atrás da sua língua com a minha querendo pegá-la prendê-la guardá-la só para mim e entre minhas pernas algo crescia e gritava vida vida vida antes de molhar-me a calça bem de leve assim como a primeira gota de um dilúvio de amor que viria me inundar de você. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;5- gostava de dormir ouvindo você ler quintana pra mim, depois sonhava um sonho preto &amp;amp; branco com você dançando nua um tango do gardel, agora bebo café em demasia com medo de sonhar outra vez, durmo apenas quando o corpo, frágil demais, não resiste ao peso do sono e cai pro lado... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;6- lembra do retrato que tiramos juntos no nosso primeiro natal? rasguei ontem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;7- seu som: engenheiros do havaí, radiohead, nirvana, sonic youth, pink floyd, the cramberries, pearl jam, black crowes, pato fú, violeta de outono, devotos do ódio, os replicantes, camisa de vênus, mutantes, ira!, los hermanos, sistem of a down, the cult, the cure, faith no more, weezer, pixies, the smiths, stone temple pilots, green day, bad religion, jane’s addiction, oasis, the smashing pumpkins, live, metalica, led zeppelin, the doors, iron maiden, frank zappa, secos e molhados, o terço, dinosaur jr, alice in chains, placebo, foo fighters, ramones, rancid, the clash, beck; meu silêncio e algumas palavras: um coração de papel se acaba em qualquer chuva de sentimentos, um coração de pedra dura mais que uma vida, dura um amor inteiro. eu duro o tempo que o silêncio percorre antes de encontrar o som. eu sou a flecha que rasga a noite escura, eu sou a meta que se atinge antes do fim, eu sou a boca que beija o vazio do seu sono, eu sou o gozo que te arrepia a pele, eu sou o doce que provas na felicidade, eu sou o riso que seca tua tristeza, eu sou o nada que tudo seria se nada fosse, eu. sou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;8- olho seus olhos como quem aprecia a profundidade de um abismo. me deixaria cair todo dentro deles, dentro de você; assim feito chuva de verão me atiraria com ímpeto e força sobre você, e quando percebesse já estaria toda inundada de mim. quando beijei o azul da sua boca descobri que ela é macia assim como o azul dos seus olhos, deu vontade de entrar neles para nunca mais sair. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;9- porque ser feliz em algum momento machuca, dói, incomoda; porque a dor de perder a felicidade é imensa, e quando se perde a felicidade uma vez fica difícil querer ser feliz novamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;10- deslizo minha mão por sua pele, sinto a maciez da sua beleza em meus dedos, sigo tateando cada recanto obscuro do seu corpo, te viro pelo avesso: dentro de você sou uma seta luminosa em noite escura, sou a morte à procura da vida, sou sono sem sonho, sou a paz na guerra, sou a boca que grita no silêncio da noite, sou a água que evita o incêndio, sou o vôo do pássaro sem asa, sou o beijo não dado na infância, sou o carinho que a mãe não fez, sou o futuro antes do presente, sou o desejo disfarçado de medo, sou o filho morto sem mãe, sou a queda antes da subida, sou o peso que não se sente, sou o azul do céu incolor, sou o silêncio da música que tu ouves. sua boca me encharca o desejo, por suas pernas caminho rumo ao infinito de você, antes que peças lhe dou, antes que seja somos; sugo dos seus seios a luz que ilumina meu caminho na escuridão, vou tirando, pouco a pouco, de dentro de você as partes que virão me preencher, gozo de amor é liberdade sem limites, é descontrole da razão, é fuga do absurdo, é silêncio de absoluto, é des-construção do eu, é você. epílogo no princípio era o verbo, e o verbo se fez corpo, e o corpo se fez homem, e o homem se fez eu, e o eu se fez amor, e o amor se fez você. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. Setembro/Outubro de 2005.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-4228885656916019648?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/4228885656916019648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=4228885656916019648' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/4228885656916019648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/4228885656916019648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/05/decalogo-para-um-amor-quase-perfeito-ou.html' title='decálogo para um amor quase perfeito ou é impossível ser feliz sem o silêncio'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-4838925996219323973</id><published>2010-05-12T17:58:00.000-07:00</published><updated>2010-05-12T18:08:03.428-07:00</updated><title type='text'>Apenas Mais Uma História de Amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que é o amor pra você? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela me pergunta, mas não tenho coragem de responder. Fico em silêncio. Olho as folhas caídas pelo chão, lembro de um filme com o Orson Welles, essas árvores grandes que nos cercam, esse dia cinza (o filme era P&amp;amp;B), olho-a de lado, vejo seu queixo fino; sei a resposta, sei o que responder, mas não posso dizê-la. Não posso porque o amor não existe para que se possa defini-lo em palavras, o amor somos nós dois aqui, é a saudade que sinto quando ela vai embora, é a ânsia nas horas que passo esperando-a, são as lágrimas depois da briga, é a leveza que o corpo experimenta depois do amor, é a chuva que molha meu rosto quando volto para casa lembrando do seu sorriso, daí choro, choro um choro alegre e triste, o amor é o que sinto ao te olhar enquanto dormes, pensando que não seria feliz se não estivesse ali, naquele exato momento, enquanto você dorme, é isso o amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você não vai responder? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se você não me entender?, não posso, não consigo. Fico pensando em meu silêncio. O amor é assistir &lt;em&gt;Acossado&lt;/em&gt; a teu lado e ficar te comparando com a Jean Seberg, é ver o quanto você é linda, sei que não tenho muito de Jean – Paul Belmondo (sou branco e baixo), mas toco os lábios com o polegar, faço-o correr da direita à esquerda e vou assim preenchendo o meu silêncio, e é desse mesmo silêncio que vejo a ascensão do nosso amor, é isso, mas não lhe digo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela resmunga algo que não decifro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinto-me um cego na corda bamba, um bêbado no meio fio, um louco na bolsa de valores, um vascaíno na Raça, um peixe na frigideira (ainda vivo), um pai amamentando, um suíço no Jacarezinho, um pássaro que voa sem asas, um escritor sem memória, sinto todo o meu silêncio gritando dentro de mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela não diz nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Penso se ela saberá responder o que é o amor, às vezes penso que na verdade não amamos ao outro, mas sim que amamos o que de nós está no outro, amamos aquilo que não somos capazes de ver em nós mesmos, daí usamos o outro como espelho, nos refletimos no outro, e é isso que amamos, esse nosso reflexo, mas se eu disser isso a ela, será que ela entenderá? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“O meu amor, tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca, quando me beija a boca E a minha pele toda fica arrepiada(...)&lt;/em&gt; "&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela canta, posso imaginar seus olhos se enchendo de lágrimas, seus passos tornam-se mais firmes, ela soluça, eu tenho vontade de morrer, de sentir uma dor que me faça sofrer mais que ela, não a quero triste, quero ver seu sorriso, quero-a no meio de uma Avenida francesa com jornais na mão, olhando-me como se eu fosse o Belmondo, e sorrindo-me como se eu fosse uma câmera a lhe dar um close, não quero me inundar em seu choro, não chore, não chore porque eu te amo, mas não sai nada, estou mudo, estou surdo, tenho medo de estar ficando louco. Vejo-a levar à mão ao rosto, novo soluço. É... murmuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela pára. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como no cinema vou ficando à sua frente, sinto-me uma câmera em movimento enquadrando seu rosto, seus olhos são o mar onde quero me afogar, penso e tenho medo de também chorar, ela me encara, seus olhos me perguntam O que é o amor? e eu vejo um caminhão vindo em minha direção e jogando-me pra cima, caio ali, à sua frente, naquela estrada de terra cercada de árvores, como naquele filme com o Orson Welles, em P&amp;amp;B como meus pensamentos, e então te respondo, como o Jean – Paul Belmondo responderia a Jean Seberg (passando antes o polegar pelos lábios, da direita para a esquerda). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos Henrique dos Santos. 16/03/2004. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-4838925996219323973?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/4838925996219323973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=4838925996219323973' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/4838925996219323973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/4838925996219323973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/05/apenas-mais-uma-historia-de-amor.html' title='Apenas Mais Uma História de Amor'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-6287421552339778906</id><published>2010-04-26T11:58:00.000-07:00</published><updated>2010-04-26T12:01:36.741-07:00</updated><title type='text'>Reflexo do desejo ou que pena tudo ser apenas uma ilusão</title><content type='html'>Para uma moça bonita&lt;br /&gt;A jovem pára frente ao espelho grande do banheiro e começa a se despir pensando que bem podia ser ele a despi-la, ele o jovem que a deseja e vem, insistentemente, dia a dia, declarando sua admiração e desejo por ela. Lentamente levanta a blusa branca que veste, tira-a pela cabeça e, enquanto o faz, fecha os olhos sentindo como se a boca do rapaz se aproximasse da sua e fosse, bem de leve, tocando seus lábios, um primeiro toque denso, repleto de medos e desejos guardados nas últimas semanas, ela sente como os lábios dele tateiam o seu, assim como um cego se põe a reconhecer uma superfície ainda não tocada por ele ela, a bela jovem de longos cabelos pretos, sente que os macios lábios do rapaz tateiam os seus também macios lábios de um jeito cego, tateante mas nem por isso menos saboroso. Em seguida, ainda de olhos fechados ela abre o fecho de seu sutiã como se fosse ele a abrir, de maneira um tanto desajeitada como é comum entre os homens ao se deparar com tão simples e complicado acessório feminino, agora os beijos dele, ela gostaria, tornam-se mais intensos, com leves mordidas que vão, assim como as cantadas e palavras lindas ditas por ele, num crescendo, tornando-se mais fortes, mais intensos e agressivos mas de uma agressividade sutil e delicada ao mesmo tempo, como a brincadeira de dois grandes felinos que, aos olhares humanos mais parecem uma briga não sendo nada mais que carinhosas expressões de amor, paixão ou qualquer outro sentimento confuso assim como a cabeça dessa linda jovem de  nariz arrebitado tem andado nos últimos dez, onze dias, tempo que marca o desenvolver dessa tão estranha, aos olhos da jovem, relação. Será que posso chamar assim ela pensa enquanto as mãos passeiam por seus seios, uma para cada seio: a direita toca o mamilo esquerdo, operando em círculos seus dedos correm de um para outro lado, o contato da mão com o bico do seio lhe causa leves e deliciosos arrepios que, somados aos que sua mão esquerda desperta no bico do seio direito, a colocam num estado de êxtase intenso. Por um pequeno instante ela abre os olhos e vê refletida uma imagem que ousaria, pensa, definir como a imagem do prazer. Sim, para ela, nesse momento, nesses pequenos e já encerados momentos em que olha-se ao espelho e se vê nua da cintura pra cima com uma mão a tocar cada seio ela acredita que isso é desejo, é prazer, não tão somente por estar impregnada e mergulhada em desejo-prazer mas também por acreditar que o que se reflete não é apenas ela mas sim tudo que o jovem vem despertando nela, vem lhe atiçando: o desejo. Novamente de olhos fechado ela abre bem lentamente o zíper do short jeans que veste, um jeans azul escuro que em contato com sua pele branca torna ainda mais bela a cena: enquanto abre com a mão direita o short ela não se desgruda, com a esquerda, do seio, e assim ainda produz pequenos e ritmados movimentos que a arrepiam, mexe-se para que o short desça, sacode as pernas até que o mesmo fique perdido junto da blusa pelo chão, apenas de calcinha, uma calcinha rosa, um tanto infantil, ela sente como se o rapaz a surpreendesse por trás, então ele levanta seu cabelo, beija uma, duas, muitas vezes sua nuca, um beijo babado, molhado, lambido mesmo, em seguida desce por suas costas, vai até sua cintura e volta, marca o corpo da bela jovem com seus lábios, mapeia todo caminho que acredita ser de prazer, então sobe, chega à orelha da moça e lambe-a, lambuza-se e lambuza-a com seus beijos, ela sente quando a mão dele-dela invade de surpresa sua calcinha e toca seu sexo molhado, encharcado de desejo, assim como um mergulhador se joga no mar ele solta sua mão no sexo da jovem e deixa-a se perder, leve, solta feito o mergulhador no fundo do mar a mão dele-dela produz agora espasmos no corpo da jovem, ela sente as pernas tremerem, solta o seio e escora-se na parede para não cair, abre novamente os olhos e vê exatamente como vai, olhos cerrados, semi-abertos, boca também levemente aberta, deixando que seu corpo deslize ancorado na parede até chegar ao chão, então ela tira toda a calcinha e imagina que agora o rapaz começa a beijar-lhe os pés e inicia por eles um outro percurso por seu corpo-caminho, lentamente ele sobe pelas trilhas de suas pernas até encontrar novamente seu molhado sexo, ela quase geme tamanho o prazer que sente, sua mão direita massageia seu sexo enquanto a esquerda aperta com força seu seio direito, queria a boca do jovem ali agora, grudada na sua, mordendo-a com força, chamando-a de linda, gostosa, minha menina, minha linda e gostosa menina, assim ela o imagina sussurrar em seu ouvido antes de penetrá-la com força, tomando-a para si, fazendo dela seu objeto de desejo prazer, enquanto ela o faz de seu objeto de desejo prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. Abril de 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-6287421552339778906?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/6287421552339778906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=6287421552339778906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6287421552339778906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6287421552339778906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/04/reflexo-do-desejo-ou-que-pena-tudo-ser.html' title='Reflexo do desejo ou que pena tudo ser apenas uma ilusão'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-2566895783039066761</id><published>2010-04-09T07:35:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T07:40:57.083-07:00</updated><title type='text'>De Quando o Leão Invadiu o Paraíso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para Tarsila, com um pedaço de saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento de nada mais adiantava amar, o espaço era grande demais para ser preenchido pelo amor, agora, só havia o leão e sua jaula; e nós, perdidos longe um do outro, iríamos sofrer com a invasão do paraíso. Você indo embora não imaginava o que viria a ocorrer, mas quando o leão surgiu pela primeira vez, no caminho da gula, eu sabia que ele iria nos pegar.&lt;br /&gt;Você parece que também se deu conta disso, mas seu orgulho, ou o que quer que seja isso que você carrega no peito, te fez não me dar razão e ouvidos em minhas reclamações. Para você era normal a presença do leão desde que ele ficasse em seu lugar, apenas nos espreitando, apreciando sua(S) próxima presa, ponho esse S, pois eu também fui presa dele, não foi só você quem sofreu quando ele fugiu de sua jaula e nos atacou, pelo contrário, fui eu quem mais sentiu na pele a força destruidora do leão.&lt;br /&gt;Quando ele adentrou em nosso espaço, no paraíso da nossa existência, eu já sabia que o pior iria acontecer.&lt;br /&gt;Os leões não conhecem o amor, por isso fazem o que fazem com quem cai em suas garras. Sofrer pela perda do nosso paraíso me deixou assim, como estou agora, louco e triste pensando no passado; nesse passado onde o paraíso era nossa casa, era, porque depois veio o leão e acabou com nossa alegria, com a minha alegria, porque a sua ainda durou um certo tempo ao lado do leão.&lt;br /&gt;O leão te tirou de mim e você aceitou isso, você foi com o leão, deixou apenas a jaula vazia para mim; uma grade começou então a nos manter separados, e até hoje nada pôde ser feito para nos manter juntos outra vez.&lt;br /&gt;A jaula vazia me olhando, me fazendo lembrar de você. Eu sozinho no paraíso a espera de que você voltasse um dia. E você voltou, mas já não era mais a mesma coisa, já não era mais o nosso paraíso; agora havia aquele leão que invadiu nosso paraíso e devorou meu coração.&lt;br /&gt;Não quero mais sofrer.&lt;br /&gt;Vou ficar apenas com minha loucura na espera de que um dia o passado volte e me traga de volta a felicidade, a felicidade que o leão levou quando invadiu nosso paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos.&lt;br /&gt;16/07/2003.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;p.s. conto bem antigo, do início do meu "processo" de alguém que escreve. feito num momento de tristeza mas refletindo certa alegria. a dedicatória é da época e a mantenho aqui pois acredito que mesmo com o passar do tempo ela mantém certo caráter e identidade que o texto procura, à época de sua produção, construir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-2566895783039066761?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/2566895783039066761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=2566895783039066761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/2566895783039066761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/2566895783039066761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/04/de-quando-o-leao-invadiu-o-paraiso.html' title='De Quando o Leão Invadiu o Paraíso'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-843904418562787395</id><published>2010-03-20T09:53:00.000-07:00</published><updated>2010-03-20T09:54:05.816-07:00</updated><title type='text'>No Picadeiro da Vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O palhaço não está feliz.&lt;br /&gt;Ele caminha pela rua com sua pasta de couro marrom, seu olhar sério fita o horizonte a sua frente, com passos duros o palhaço passa por mim e não me olha, muito menos me faz sorrir. O palhaço não deve mesmo estar feliz.&lt;br /&gt;Assim como eu o palhaço deve ter um emprego e uma família a quem sustentar, talvez, também como eu, o palhaço não tenha pai, mãe ou qualquer outro parente a não ser sua mulher e filha, acredito ainda, que como eu, o palhaço foi um menino triste na infância daqueles que não sabia jogar futebol, bola de gude, rodar pião ou soltar cafifa e que depois, na adolescência, o palhaço era um desastre com as meninas, sempre se achando feio, assim como eu, o palhaço devia ser um jovem tímido que procurava se esconder por trás de algum subterfúgio seja ele uma roupa preta que procure denotar certo gosto musical ou mesmo jogos violentos nos quais o palhaço, como eu, matava com prazer todos os vilões que nos atormentavam dia a dia na escola e mais tarde no trabalho.&lt;br /&gt;Acredito com sinceridade que o palhaço alimentou várias paixões impossíveis até encontrar num curso pré-vestibular à noite ou na oficina que cursou durante dois anos e meio para receber, numa tarde chuvosa de terça-feira como esta, seu diploma de palhaço a mulher com quem veio a se casar, mesmo sem ser ela o ideal de beleza que o palhaço alimento em sua puberdade, quando passava as noites vendo filmes de sacanagem na tv e correndo para o banheiro na ponta dos pés para que lá, no pequeno cômodo de sua casa onde ele se sentia mais livre, poder despejar na pia do lavatório ou no vaso sanitário, acontecendo de alguma vezes, quando seu desejo parecia maior e explodia em suas mãos antes mesmo que ele alcançasse o vaso ou a pia, de o palhaço ter que perder ainda alguns minutos a limpar o chão para que pela manhã sua mãe ou pai não vissem que o palhaço já era um homem, talvez nesse dia chuvoso em que recebeu seu certificado de palhaço o palhaço, quem sabe, tenha sorrido como sorriu, tenho certeza, no dia em que sua filha nasceu, é possível ver por trás do espelho que separa as crianças recém nascidas do mundo que as espera o olhar do palhaço que brilha feito lua em noite de verão, nesse dia o palhaço sorriu e também se embebedou, como tempos depois, não muito, antes mesmo de sua filha completar três anos, o palhaço passaria a fazer, todos os dias ao sair de casa para procurar emprego o palhaço corta caminho pelas ruas esburacadas e sujas do bairro em que mora para, antes de chegar ao ponto de ônibus, passar pelo boteco do seu Januário e tomar uma duas e algumas vezes até três doses de 51, bebida que o palhaço aprecia desde os tempos de jovem que se queria rebelde, mas no fundo era covarde e ia buscar, sem encontrar, no álcool momentos de evasão dos seus problemas nem tão grandes assim, o palhaço pode comprovar agora que está casado com uma filha para criar e sem ter emprego e comida que dê para o sustento dos três.&lt;br /&gt;Vejo que como eu o palhaço é um homem triste daqueles que se fazem de durão e andam com passos duros e olhar sério fitando o horizonte que não vai além dos poucos metros que podemos ver a nossa frente ao andar na cidade, na verdade, assim como eu, o palhaço olha mais para dentro de si do que para o horizonte, e o que vemos, o palhaço e eu, é um buraco grande que parece se abrir cada dia mais ao constatarmos que nossas vidas se esgotarão antes mesmo que tenhamos tempo de ver nossas filhas crescerem, como o palhaço eu também tenho uma filha, sabemos, o palhaço e eu, que o tempo é algo fugaz, vazio, inconstante, e que por isso nossas existências são apenas pequenos fragmentos que talvez nem sirvam para montar esse grande quebra cabeças que é o mundo.&lt;br /&gt;Talvez por isso o palhaço carregue em sua bolsa de couro marrom uma arma, assim como eu, e talvez, ainda, também como eu, o palhaço tenha em mente assaltar a loja de jóias que fica no centro comercial do centro da cidade, mas como sabe que há muitos seguranças no recinto o palhaço, assim como eu, pretende seguir a gerente da loja, a quem ele, assim como eu, já acompanha a algumas semanas e sabe de cor sua rotina, então vamos, o palhaço e eu, forjar um encontro casual com ela no meio da rua, o palhaço vestido de palhaço e eu como alguém que o auxilia quando ele passar mal, e juntos, o palhaço e eu, vamos pedir socorro a gerente da loja de jóias do centro comercial que fica no centro da cidade (seria isso o acaso?), e quando estivermos, o palhaço e eu, em seu carro é que vamos, juntos, o palhaço e eu, revelarmos nossas verdadeiras intenções, o problema é que, assim como eu, o palhaço não vai estar preparado para uma concorrência desse tipo, e tanto eu quanto o palhaço vamos ficar por alguns segundos meio atordoados com o inusitado da situação, e quando nos dermos conta, o palhaço e eu, iremos perceber que tiros já foram disparados, e sem saber ao certo quem foi atingido, a gerente da loja de jóias do centro comercial que fica no centro da cidade sairá correndo aproveitando-se da confusão em que o palhaço e eu nos metemos, e sem olhar para trás ela irá correr por cerca de uns quarenta cinqüenta metros até ser atingida por um disparo da arma do palhaço, mas por minhas mãos, já que o palhaço estará nesse momento caído entre o banco da parte traseira do carro e o chão, com os olhos meio turvos, uma lágrima a correr por sua face manchando assim sua maquiagem de palhaço, e como eu, o palhaço deve estar pensando como a vida é engraçada, por isso agora, nesse exato momento enquanto abro a porta do carro para fugir antes que a polícia se aproxime, vejo um sorriso se abrir no rosto manchado de sangue do palhaço que vai pouco a pouco fechando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos.&lt;br /&gt;29/08/2006.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-843904418562787395?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/843904418562787395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=843904418562787395' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/843904418562787395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/843904418562787395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/03/no-picadeiro-da-vida.html' title='No Picadeiro da Vida'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-2236970408536281707</id><published>2010-02-20T13:30:00.001-08:00</published><updated>2010-02-20T13:30:45.685-08:00</updated><title type='text'>Amores Irreversíveis - parte I</title><content type='html'>A mulher chora e com uma voz pesada que parece carregar todas as dores que o casal acumulou ao longo de cinco anos juntos diz que não merece isso, você não pode fazer isso comigo, por favor, não me deixe!, enquanto fala ela se aproxima do homem, ele fuma segurando o cigarro com a mão esquerda, alisa o cabelo e fica olhando para os lados e cuspindo após cada baforada que expele, a fumaça que o cigarro libera os envolve num clima filme noir. Um manto negro vai cobrindo o dia de noite, estrelas e lua dançam ao som das lágrimas que a mulher chora e vão pouco a pouco tomando conta do céu. O vento desalinha os cabelos dela, sua voz quase se perde em alguns momentos em meio ao zumbido dos carros que correm rumo ao infinito na estrada ao lado deles. O homem guarda seus medos no silêncio que oferece à mulher. Não quer falar, prefere o vazio às palavras que não acredita mais poder salvar a relação do fim certo. A mulher não aceita ser trocada pela liberdade, pela opção de escolha, pelo incerto do futuro. Quando criança ela acreditava que bastava rezar e agir de acordo com a ordem moral ditada pela igreja para que sua vida seguisse um bom caminho: marido, casa e filhos eram para ela o ponto culminante em sua escalada rumo à salvação pós-vida. Mas o tempo consumindo seus dias feito uma traça faminta a fez perceber que não seria assim tão fácil construir e sustentar esse edifício chamado vida. Com quarenta anos e solteira ela conheceu Pedro, a princípio relutou, mas acabou aceitando as investidas galantes do jovem de vinte e oito anos aspirante a pintor. Cinco meses depois estavam morando juntos na casa dela; todas as noites ela ainda rezava e agradecia a Deus a dádiva que ele a ofertara quando seus sonhos já não tinham mais cor. Então apareceu você e com as tintas da felicidade foi desenhando minha vida outra vez, riscou meu corpo de prazer, pintor da carne tirou de mim os traços de tristeza e velhice que começavam a querer emergir do fundo de mim e me fez mulher novamente, me encontrei em você, parei de rezar quando estávamos há três anos juntos, acreditava então que ser feliz era isso: ter você! Pedro pede que ela o solte, quer ir embora, acabou, você não consegue aceitar isso, hen?, desista de tentar achar motivos que possam nos fazer reatar, pra mim chega, dei tudo que podia, acreditei até o último momento, mas agora vejo que é impossível, aceite isso, o fim faz parte, é umas das conseqüências de todo início, tudo que começa um dia acaba, não poderia ser diferente com a gente, não tem porque ser diferente. Não, Pedro!, pra mim não é assim tão fácil, eu não consigo viver sem você, quando te conheci já com meus quarenta anos pensava que a vida não tinha mais nada a me oferecer, cansada da minha fé voltei a acreditar em Deus, você foi a luz que iluminou a noite em que tinha se tornado minha vida, chegar aos quarenta solteira e sem filhos numa família repleta de casamentos bem sucedidos não é fácil, ter de ouvir dos pais e irmãos que você escolheu demais por isso acabou assim dói, chega uma hora que você acaba topando qualquer coisa pra não se ver e se mostrar mais sozinha, mas aí você cansa, cansa porque espera algo sincero, não quer ir pra cama com qualquer um apenas pra acordar com a falsa sensação de alívio no dia seguinte, para os jovens é fácil ir a uma festa e ficar sem compromisso, mas quando se está com quarenta as coisas mudam, ou você assume uma postura que te dê respeito ou passa por velha safada que trepa com qualquer um. Ele acende outro cigarro e pensa no que fazer para ir logo embora, já está cansado desse debate arrastado que não os levará a lugar algum, está decidido a não ficar mais com ela, sente que a hora é essa, aos trinta e três anos não pode mais perder tempo, seu amor por ela acabou, escorreu feito tinta molhada numa tela, foi se apagando aos poucos, o tempo tem dessas coisas, vamos vivendo os dias encadeados uns nos outros sem nos darmos conta que ele está mesmo passando, então uma hora paramos e olhamos à nossa volta, só aí percebemos o que é a nossa vida, e ao se fazer uma espécie de auto-análise se constata que não se é feliz, por conta disso a necessidade de mudança aflora com força. Foi essa necessidade que Pedro sentiu quando conheceu Milena, no começo era apenas mais uma modelo que se ofereceu para ser pintada por ele, com o tempo, no entanto, olhar Milena durante duas, três horas seguidas criou nele uma outra necessidade: a de possuí-la. Aos trinta e três anos ele ainda se achava atraente a ponto de conquistar uma jovem de vinte anos, com malícia e charme ele foi desnudando a alma da menina como a desnudava antes de pintá-la, ela foi fisgada feito um peixe frágil ainda jovem que não conheceu certas artimanhas que o mundo reserva àqueles que mais tempo o conhecem. E assim ele conquistou Milena, tirou a moça do espaço pictórico de sua vida e a levou para o espaço carnal, desnudou não apenas sua aura de modelo, mas também todo seu belo corpo de menina. Branca como uma tela ainda virgem, esperando as tintas que lhe darão uma outra vida, Milena foi pintada pelo desejo de Pedro, com as cores quentes da sua volúpia ele rabiscou na moça os prazeres que o tempo foi acumulando dentro de si. Então amou outra vez. E por amar outra que não Ana Pedro chorou; suas lágrimas corriam por sua face inundando de tristeza seu olhar, afogado em meio a sua culpa Pedro decidiu que não podia mais ficar com Ana, Milena era o que queria, e com essa decisão tomada ele sentou-se à mesa da cozinha com sua velha caneca azul de café na mão acendeu um cigarro e disse pra Ana que a relação deles acabara, ele queria ficar só. Ana relutou em aceitar, disse que não, fez tudo que acreditava ser possível fazer, chorou e esperneou feito criança, bateu em Pedro, cuspiu em sua cara, perguntou quem era a puta que ele estava comendo, hen, fala, quem é a putinha?, Pedro mantinha seu silêncio como forma de se distanciar dela, pensava que falar apenas pioraria as coisas, queria ir embora o quanto antes, ficar sozinho para poder pensar e avaliar se havia decidido bem, mas ter Ana por perto dificultava as coisas, ele ainda gostava dela, o que ela não entendia era isso, o fato de terminar, de querer ficar só antes de talvez enveredar por outra relação com Milena não queria dizer que Pedro não gostasse mais de Ana, pelo contrário, ele a amava tanto que escolhia não trai-la, ficaria com Milena, mas não com as duas, o que, possivelmente, para Ana seria até mesmo uma opção. Na rua Ana pediu um cigarro a Pedro, ela que tanto reclamara durante cinco anos dos muitos cigarros que ele fumava não resistiu a tensão e acendeu um, olhava a fumaça de distanciar perdendo-se no céu e ficava pensando que Pedro também iria embora, que ele se perderia no mundo, seria para ela apenas uma lembrança, assim como aquela fumaça que saía do seu cigarro Pedro iria sumir, se acabaria; para ela, Ana, se tornaria um pequeno ponto brilhante num canto da memória que ficaria mais reluzente em noites solitárias, brilharia feito estrela cadente quando ela sentisse desejo e se perderia rapidamente ricocheteando em seu corpo sub a água fria de um banho. Pedro olha Ana bem nos olhos, ela abaixa a cabeça, sabe que ele vai embora, sabe que nada mais será dito, sabe que ficará só, que chorará quando chegar em casa, que não dormirá durante algumas noites, que sentirá saudades do corpo quente dele na cama, então se vira e caminha em direção à rua, ao movimento dos carros, Pedro apenas olha, pensa que ela vai embora magoada por isso não se despede, vira de costas e se põe a caminhar também, quando ouve o grito de Ana lhe chamando tenta não olhar, ela o chama uma, duas, três vezes, então Pedro olha, bem lentamente seu corpo vai se posicionando de frente para o lugar onde antes eles discutiam, ao completar o movimento ele percebe o que ela vai fazer, sua mente manda que ele corra, que a impeça de cometer tal ato, mas seu corpo está estático, como que paralisado de tanta vida, de tanta vontade de agir, de fazer alguma coisa que possa impedir Ana de andar em direção ao meio da estrada em que carros trafegam em alta velocidade, então fecha os olhos e ouve a canção que sua mãe cantava em sua infância (“dorme neném, que a cuca vai pegar, papai foi pra roça e mamãe foi trabalhar...”). Seu peito arde, sente uma vontade louca de fumar, enquanto corre não pode sentir suas pernas, o mundo balança a sua volta, o impacto dos seus pés batendo no chão o faz sentir-se vivo, um zumbido azucrinante tomou conta da rua, carros buzinam e o som das buzinas se mistura às muitas vozes que procuram compreender o que houve, olhos se arregalam olhando o corpo murcho de Ana no chão como se assim pudessem ver melhor o que é a morte, Pedro pensa que a vida é ar e que a morte nos esvazia, se ajoelha e com as mãos apertando o crânio deixa seus olhos pousarem em Ana, olha-a como da primeira vez que a viu imaginando como ficaria bem aquela mulher em uma pintura com seu corpo magro, de olhos pretos feito duas jabuticabas, cabelos lisos caindo por seus ombros feito uma queda de cachoeira, então chora, soluça sentindo as palavras se prenderem em sua garganta travando tudo que gostaria de ter dito a Ana nesses cinco anos e nunca fora capaz de falar. Levanta e acende um cigarro olhando o corpo de Ana espremido contra o asfalto, preso naquele pedaço escuro, silencioso, vazio de vida que recobre a terra, quer sair dali, correr para debaixo de uma coberta que o esconda do mundo, deitar no colo de sua mãe e pedir que ela lhe faça cafuné, depois dormir e se deixar perder em um sonho, andar pelas ruas descalço como quando era criança, olhar o céu azul e ficar imaginando o que há do outro lado daquela camada que parece tão fina, tão sensível como o rosto de Ana, agora banhado em sangue, sujo de morte. Pedro sente uma vontade louca de gritar, de mostrar a todos aqueles que olham Ana morta que a vida é isso: essa fragilidade, esse desejo incompleto, esse amor alucinante que transpassa o real, que envolve, que maltrata, machuca, faz doer, depois passa feito a nuvem no céu, levada pelo vento do tempo, assim foi com ele, amou tanto Ana, mas com o tempo foi percebendo e sentindo que ia acabar, que a vida é movimento e ele precisava se mexer, movimentar seus sentimentos, então amou Milena e foi vendo Ana se apagar, como uma pintura que vai desbotando pouco a pouco Ana foi perdendo espaço na vida dele, deixando de ser real para se tornar uma lembrança, apenas um resquício de memória que teima em permanecer vivo, e assim como um texto escrito ou uma tela pintada Ana depois de morta ganhou vida, transpôs a frágil e obscura linha que separa a obra de arte da vida, do mundo, se transfigurou, saiu da tela viva do cotidiano indo se fixar na tela morta do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. Novembro de 2006.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-2236970408536281707?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/2236970408536281707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=2236970408536281707' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/2236970408536281707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/2236970408536281707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/02/amores-irreversiveis-parte-i.html' title='Amores Irreversíveis - parte I'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-5667863419785921690</id><published>2010-01-30T11:32:00.000-08:00</published><updated>2010-01-30T11:37:32.107-08:00</updated><title type='text'>Sorriso verde de esperança</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para Bruna Dantas, que aceitou pular no abismo comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do beijo, o recheio, é o pulo no abismo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela diz que a idéia é um tanto absurda, mas aceitou sem relutar muito, bastaram alguns beijos e carinhos e euteamotanto pra que ela sorrisse e dissesse sim eu topo amanhã pela manhã pulamos do abismo.&lt;br /&gt;Agora enquanto estamos nos preparando ela parece mais empolgada do que eu, corre toda serelepe de um para outro lado, arruma e desarruma bolsas e pastas dizendo que quer tudo em ordem na volta, segunda é dia de trabalhar, hoje é sábado, amanhã é dia de pular no abismo, e me sorri seu riso verde de esperança, enquanto eu me troco no canto do quarto olho pra estante e vejo Grande Sertão: Veredas, penso no nada, ela não pára, vezenquando me manda um beijinho, eu releio a dedicatória que pus no Anticristo que lhe dei de natal, sinto fome, mas não quero pular de barriga cheia.&lt;br /&gt;Deito feliz por ela ter aceitado o convite, sei que não conseguirei dormir, então levanto e fico lendo A teus pés; quando dou por mim já é dia, dia de pular no abismo, vou ao banheiro, tomo um banho frio e ouço ela se levantar e ir preparar nosso chá de cogumelo, ela disse que não pularia se não tomasse seu chá matinal, saio do banho e a vejo linda sendo iluminada pela luz do sol, sua pele branca brilha, parece ser ela quem irradia toda aquela luz, sinto-me bem por poder pular no abismo com alguém assim como ela, com esse estilo de ser/viver.&lt;br /&gt;Na cozinha ela me olha e sorri, tomamos nosso chá e enquanto me visto ela toma seu banho, peço para que ela não demore, porque quanto mais cedo se pula mais se sente o abismo; meia hora depois estamos prontos, a caminhada dura dez minutos, chegamos felizes, ela está empolgada, o que me deixa feliz, não seria bom pular sem vontade; mostro a ela o abismo, ela se diz encantada em poder me acompanhar nesse pulo, nos afastamos, trocamos alguns olhares e abraços, pergunto-a se tudo está pronto, ela diz que sim e sorri, então seguro em sua mão e corremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos.&lt;br /&gt;12/04/2004.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-5667863419785921690?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/5667863419785921690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=5667863419785921690' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5667863419785921690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5667863419785921690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/01/sorriso-verde-de-esperanca.html' title='Sorriso verde de esperança'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-3360437998429657655</id><published>2010-01-07T12:10:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T12:11:26.318-08:00</updated><title type='text'>Cinzas Sem Quarta</title><content type='html'>Terça-feira de carnaval e o homem aceita sair de mulher, liga para a irmã que o arruma e maquia, parece uma florzinha, murcha, do campo, desce as escadas de salto e mini-saia, top azul, turquesa, batom vermelho, cabelos presos num rabo-de-cavalo, parece a Malu Mader, alguém grita, ruas cheias, muita cerveja, um teco?, nem pensa, lança-perfume, hum!, ele dança, ele canta, ele rebola, ele ri, ele grita, ele peida, ele se excita com a loira(?) que lhe toca o pau, ele pula, ele sua, ele grita, ele olha o céu, ele pensa no pai, ele cai, ele levanta, ele sangra, mas só um pouquinho, ele pára num bar, ele mija, ele lava as mãos, o rosto, mas com cuidado para não borrar a maquiagem, ele bebe água da bica, ele solta os cabelos, ainda mais Malu, ele volta ao bloco e canta e dança e pula e grita e sua e rebola e rebola e cansa e pára e come e o bloco se dispersa e agora num clube qualquer, terça-feira de carnaval, noite alta, e ele lá, muita empolgação, um teco?, ele lá, muita empolgação, um teco?, e o baile acaba, na rua céu clareando, os pés doem, calos e bolhas, dois passos, sandálias, de altos saltos, na mão, decote grande, peitos à mostra, alguém passa e buzina, a calcinha lhe entra na bunda, antes de sentar no meio fio procura um relógio, não acha, ajeita o decote, seios duros e empinados, abre a bolsa e retira seu espelhinho, olhos nos olhos, cinzas sem quarta é o que ela vê, corpo cansado, indisposta, um táxi?, ah!, se fosse filme... maquiagem borrada, ruas vazias, pensa no mar, levanta, senta outra vez, pôe a bolsa no chão, olha o céu, deita a cabeça na bolsa e dorme pensando que bom seria se fosse homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos. 23/02/2004.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-3360437998429657655?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/3360437998429657655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=3360437998429657655' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/3360437998429657655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/3360437998429657655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2010/01/cinzas-sem-quarta.html' title='Cinzas Sem Quarta'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-6588915265922164585</id><published>2009-12-02T13:05:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T13:11:23.468-08:00</updated><title type='text'>Conto filme</title><content type='html'>Acendo um cigarro.&lt;br /&gt;Fico olhando o nada enquanto você me olha. Sou seu nada, penso. Então falo.&lt;br /&gt;A cena é a seguinte: o rapaz, mais ou menos vinte e cinco anos, vem se aproximando da esquina da casa da sua irmã (isso só descobrimos depois), a câmera o acompanha alternando entre subjetiva e um plano aberto que o mostra de frente andando; enquanto essas imagens se alternam na tela ouvimos uma voz que declama um poema (é a voz do próprio rapaz). Encerrado o poema há um corte, o que vemos agora é uma menina, doze, treze anos que vem descendo uma ladeira, silêncio. Outro corte. Voltamos ao jovem. Ele está a poucos metros da esquina. Corta para um plano aéreo que mostra ele e a menina, os dois estão próximos, mas ainda não se vêem devido à esquina que os separa. Ouve-se agora, meio que sem nexo, uma arma sendo engatilhada. A câmera vai descendo e sem corte, num plano belíssimo que não sei como foi feito, fecha na esquina em que os dois e encontram. Ela sorri. Ele também. Iniciam um passo mais acelerado. Então a menina pára. Close. Sua expressão é de espanto. A câmera abre num plano que sai do rosto do rapaz, ele ainda sorri. O plano vai abrindo bem lentamente até que um capuz cobre seu rosto. Corta. A menina está parada. Atônita. O livro que estava em sua mão cai. Close na capa. É um livro meu.&lt;br /&gt;Você esqueceu.&lt;br /&gt;De quê?&lt;br /&gt;De mencionar o livro na mão da menina. Quando falou dela andando você não falou do livro em sua mão. E depois, o que acontece?&lt;br /&gt;Na verdade o filme é meio chato, a típica história de um jovem comunistazinho que é preso e torturado, vai pro exílio, volta e se envolve com a própria sobrinha (a menina que carrega meu livro). Só fui ver porque um amigo disse que meu livro aparecia num filme argentino.&lt;br /&gt;Legal.&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;Acendo outro cigarro. Ela abaixa os olhos.&lt;br /&gt;E o livro, ele aparece outra vez no filme?&lt;br /&gt;Não. Isso que é mais engraçado. Não sei, não consigo saber o que ele está fazendo lá. No decorrer da história nenhuma menção é feita ao livro. Ele não marca a vida nem da menina nem do rapaz. Saí do cinema me perguntando qual o papel do meu livro no enredo e não achei nenhuma resposta.&lt;br /&gt;Engraçado.&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;Por que você não volta pra mim?&lt;br /&gt;Trago fundo o cigarro. Agora sou eu quem abaixa os olhos. Ligo a câmera dos meus desejos e dou um close em sua boca, ela sorri, um riso grande e prateado, riso de menina com aparelho, seus olhos se acendem feito um sinal verde que me diz: vai, passa logo, avance todos os seus medos e me beije! Corta. Plano aberto de um quarto pequeno, dois corpos deitados num chão de taco: eu e ela.&lt;br /&gt;Por que, me diz?&lt;br /&gt;Não sei. Bem que queria saber, mas não sei. E o pior de tudo é que não sei o porque de não saber. Toda noite quando me deito fico pensando em você, me pergunto uma e muitas vezes o que me afasta de você, o que não me deixa voltar, refazer o caminho, e não consigo achar resposta, não dá, alguma coisa em mim se perdeu, como uma peça que se solta e atrapalha todo o funcionamento da máquina alguma coisa se soltou em mim, se perdeu pelo trajeto e me deixou assim, deslocado dentro de mim mesmo. É difícil explicar, sei disso, mas não me peça mais que isso, não queira de mim respostas concretas porque tudo que posso te oferecer é minha subjetividade, e essa, por mais que tento não ajuda em nada a te dar uma resposta.&lt;br /&gt;Pra que se responder se você pode se perguntar?&lt;br /&gt;Olha, eu gosto de você, posso até dizer que te amo (por mais que pra mim amar seja algo inexplicável, como aquela roupa velha que lavamos e pomos na corda sem sequer sabermos o porque de lavar e pôr na corda uma peça de roupa velha que nem gostamos mais de usar, e mesmo assim, contrariando todas as nossas expectativas lá estamos nós frente a um tanque cheio de sabão e água numa manhã ensolarada de sábado mergulhando a roupa e salvando-a do afogamento de mais um dia de uso, assim, sem explicação, sem quê nem porque eu gosto de ti) então não dá, não queira isso de mim: uma resposta, porque nem eu sei, e como você mesmo diz não adianta se responder, não tem porque, se há a possibilidade da pergunta, (acendo um cigarro e trago forte, como se quisesse deixar nele, cigarro, todos os meus problemas, transformando-os em fumaça: leve, azul, serena, flutuando pelo espaço/tempo, pelo vazio de significações que preenche o simples ato de acender e tragar fundo um cigarro, assim queria minha vida: simples, leve, azul e serena, mas não, preciso, ou assim querem que eu pense, dar respostas às perguntas que muitas vezes querem tanto, querem tudo, menos uma resposta, menos uma explicação) a própria pergunta em si perde sua razão de ser, a pergunta (sua no caso) já nasce com uma grande necessidade de resposta e o que menos me atrai agora é uma resposta, é dar a você algo que nem sei bem o que é (sua indagação) uma resposta.&lt;br /&gt;Desculpe. Não quero tirar de você nada que você não queria me dar, é que essa situação, assim como está, me faz mal, me machuca, me maltrata, sei, ou acho que sei, que você não quer nem meu mal nem o seu, nem o nosso, mas não agüento mais viver nesse dilema, nessa constante indagação (não apenas minha), mas sua, e nossa também.&lt;br /&gt;Ela pede um cigarro, acende e me olha. Não abaixo os olhos. Ela também não.&lt;br /&gt;Você toca a minha boca, de leve, você me morde os lábios, me arranha o desejo, eu fraquejo (sim, fraquejo ante tamanho desejo), seu carro-língua percorre em disparada minha boca-túnel, você me acaricia a nuca, enrola suas mãos por meus cabelos, você sussurra baixinho que me adora, que me quer, que me gosta, eu te sinto abrir-me feito uma flor, você me desfolha pétala por pétala, lentamente você vai preenchendo meu vazio de você mesmo, você me transforma em palavras, significados e significantes de prazer se cruzam, se intercalam, se misturam, somos um só corpo (você e eu) eu e você, o chão frio sente o calor do meu corpo, você morde o canto da boca, me sorri, me beija, me chama de sua (só sua), assim feito a chuva que molha a terra e tira dela cheiro de vida você me molha, me encharca de vida, de você,e tira fora todos os meus medos, suga minhas angústias feito a terra que bebe gole a gole a chuva que cai cai cai...&lt;br /&gt;Eu te adoro, sabia? Quero te dizer isso, mas não consigo, minha voz se perde, assim como naquela música do Gram eu me sinto como o gatinho que se entrega todo, que dá vida após vida até ficar igual a gatinha e depois se fode, é, ele se fode, ele muda e enquanto dura sua mudança ele se fode, perde a gatinha, fica mal, sozinho no alto de um prédio olhando o nada, o vazio de vida que se abre a sua frente, esperando as respostas que talvez nunca surjam, assim estou agora: no alto de um prédio qualquer te olhando (meu vazio) sem achar sequer uma resposta que me ajude a sair desse dilema, dessa porra de indagação que me faz querer tanto ficar perto de você e ao mesmo tempo longe. Acendo outro cigarro.&lt;br /&gt;Foi o encanto que acabou, não foi?&lt;br /&gt;O cigarro cai da minha mão, abaixo e pego, antes de tragar te olho, depois puxo fundo, bem fundo, até sentir a fumaça tocar aquela parte de mim que não sou capaz de chegar, apenas ela, a fumaça, é quem vai lá, quem entra e sai de mim como o vento que engolimos quando criança tentando comer o nada, pegar para nós aquilo que não existe, que é apenas uma sensação de vazio, de inexplicável. Assim me sinto: vazio, inexplicável para mim mesmo, apenas um vento engolido por você.&lt;br /&gt;Vou embora.&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Não?!Não?! Você pensa o quê, que eu vou ficar aqui o tempo todo te esperando, guardando meus medos e desejos de você só porque você está confuso? Isto não, cansei, sabia?! Já chorei muito outras vezes, não dá mais pra ficar esperando, quem espera um dia cansa e eu já estou mais do que cansada, não vou fazer como a menina do filme que fica esperando anos e anos até o tiozinho comunista voltar do exílio, se você quer ficar se exilando de mim vá, mas não volte mais, não há retorno, todo caminho é sem volta, na vida ou a gente vai ou a gente vai, não dá, não tem como ficar parado esperando as coisas passarem, acontecerem, ou vamos juntos ou cada um vai por si mesmo, e se você quer ficar aí se consumindo nas suas indagações fique, mas não me espere que não chegarei a tempo. Eu nunca chego a tempo, estou sempre atrasada pra mim mesma.&lt;br /&gt;Ela levanta e vai embora. Ouço o som da porta batendo com força, ela não olha pra trás. Sento no chão e começo a chorar, as lágrimas caem com força, sinto todo meu corpo se desmanchando, é como se cada lágrima fosse um pedaço de mim que estivesse indo embora como ela foi batendo com força na porta das minhas dores, choro com força, com muita força, então a campainha toca, toca novamente, levanto e caminho lentamente até o portão contando cada passo que dou (setenta e sete no total), em silêncio abro o portão, ela me abraça, eu não choro mais, apenas olho a lua prateada que brilha no céu, como seu sorriso que se abre e fala que me adora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s. é curioso mas não lembro a data de quando escrevi esse texto e nem tenho anotado. acredito que deva ter pelo menos uns três anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-6588915265922164585?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/6588915265922164585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=6588915265922164585' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6588915265922164585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/6588915265922164585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2009/12/conto-filme.html' title='Conto filme'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-7977625724260654024</id><published>2009-10-01T05:37:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T05:46:20.726-07:00</updated><title type='text'>Amanda</title><content type='html'>Para Bianca Manzani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda sabia que merecia ser amada e toda vez que bebia demais era isso o que ela dizia; sua voz fina e macia preenchia o ar (e nossos corações) de tristeza, pois Amanda emitia tais palavras (Eu mereço ser amada) num misto de choro e exaltação, seus olhos se inundavam de lágrimas, lágrimas que não caiam, que não desciam por sua face, e ficavam ali, em seus olhos, feito uma piscina, então depois Amanda sentava num canto qualquer e ficava murmurando algo indecifrável a olhar o céu, em seguida dormia.&lt;br /&gt;Conheci Amanda na faculdade, cursávamos Letras e sonhávamos ser escritoras; eu, poeta, Amanda, romancista; fomos criando cumplicidade em nossas diferenças e anseios, eu acabara de abortar um feto de um puto que me comeu e depois sumiu, voltou para a casa dos pais no Sul e pediu desculpas por telefone, assim como se o que tivesse feito fosse apenas pisar no meu pé, entrei em crise e fiz um ano e meio de análise, foi nesse período analítico que passei no vestibular e conheci Amanda.&lt;br /&gt;Foi Amanda quem falou comigo primeiro, saí de sala no meio de uma discussão morfológica e fui fumar no corredor, Amanda saiu em seguida: bebeu água e me pediu um cigarro, fumamos em silêncio olhando uma para a outra, quando acabamos ela disse que algumas aulas a cansavam muito, o que a dava a impressão de perda de tempo, eu sorri concordando com ela e a chamei para tomar uma cerveja, era verão, e tudo era melhor que uma sala de aula as cinco da tarde. Foi no bar, depois de cinco cervejas, que Amanda falou pela primeira vez (Eu mereço ser amada), ela me contava sobre sua vida, falou de seus pais que morreram quando ela estava aprendendo a falar: mamãe foi minha primeira palavra, depois, dizem meus tios, passei três meses chamando mamãe toda noite, e que de uma hora para outra parei, nunca mais a chamei, mas três dias depois falei minha segunda palavra: papai; então, dizem, passei um mês chamando-o enquanto dormia sem nem ao menos lembrar como ele era, hoje, quando vejo fotos deles, o que faço muito pouco, já que sinto náuseas quando as olho, é como se olhasse estranhos, não reconheço meus próprios pais, e isso é tão chato e triste que em seguida choro e sinto vontade de chamá-los novamente, e sem saber porque não consigo, é como se algo travasse dentro de mim, e a voz não sai. Meus tios, que me criaram até os sete, depois passei dez anos num colégio de freiras, de onde fugi para morar com uma outra interna, contavam que quando aprendi a escrever, aos cinco anos, eu sempre comia o n do meu nome, então ficava Amada: Amada Amada Amada Amada, eu enchia folhas e folhas com meu (quase) nome, talvez venha daí esse meu desejo de ser amada; meus tios nunca me maltrataram, mas, acredito, também nunca me amaram pra valer, eles tinham decidido não ter filhos, e já eram vinte (vinte!) anos de casados quando meus pais (mamãe era irmã mais nova de tia Bi, era assim que a chamávamos) morreram, e ficar comigo não foi muito o que eles queriam, mas o câncer foi rápido com mamãe, e em três meses a levou, nesse entretempo ela implorou a meus tios que ficassem comigo, não sei se já sabia o que papai faria duas horas depois que ela morreu, mas as instruções que deixou já o descartavam de cuidar de mim, o que anuncia, inconscientemente, o tiro que ele daria na boca sentado frente ao último retrato tirado por ela, dizem que eu gritei na hora do tiro, mas não lembro.&lt;br /&gt;E assim fui conhecendo a trágica história de Amanda, história que ela contava como se fosse a de um filme ou livro, procurando se colocar apenas como expectadora (alguém que olha de fora), quando na verdade era ela a grande protagonista de toda a história. Construímos nossa amizade com base no desespero de Amanda, depois do primeiro dia no bar passamos a andar sempre juntas pela faculdade, para achar uma bastava procurar a outra; trabalhos, prova em dupla, estávamos sempre eu e Amanda, e, claro, não podia faltar o bar, era nele que Amanda mais se soltava e contava (ou repetia) fragmentos de sua história: a fuga do colégio de freiras foi uma grande aventura, eu não agüentava mais aquela hipocrisia de rezas e ladainhas que todo dia me azucrinavam, deus não podia existir, não pra mim, órfã de pai e mãe antes dos dois anos, aos sete sozinha, sem ninguém, daí tentaram me dar deus, mas eu não quis, eu recusei deus, por isso fugi; agora, cinco anos depois, mantenho mais forte minha negação divina, e o pouco que tenho (e o muito que não tenho) nada tem a ver com deus. Quando fugi fui de carona pra Bahia, pra casa da irmã da minha amiga Zita, depois de três meses lá dabandei e vim pro Rio, foi difícil, mas me virei sozinha, é claro que foi meio brabo no começo, mas meus tios (mesmo sem me amarem) me arrumaram um dinheiro (que já paguei), daí descolei esse emprego de professora (graças ao colégio de freiras, quem diria, hen!?) e fui conseguindo me virar sozinha, agora falta apenas encontrar um amor, alguém que me ame, pois eu mereço ser amada, e sei disso.&lt;br /&gt;No terceiro período da faculdade Amanda me convidou a morar com ela, sabia que eu não gostava da república onde morava e me mostrou que os gastos seriam praticamente os mesmos, no dia que mudei faltamos à aula e fomos a um bar comemorar, lá contei à Amanda sobre o Pedro (o puto que me comeu), não gostava muito de ficar relembrando, já bastava o ano e meio de análise gasto por conta disso, mas agora o Pedro era apenas uma rasura na história do meu passado, uma letra fora do lugar no meu alfabeto: fui apaixonada por ele, me entreguei toda como nunca havia feito até então, e o que recebi foi um espermatozóide dentro de mim que não viveu mais de dois meses, não deu nem tempo de ver a barriga, troquei o carro que ganharia pelo aborto e ando de ônibus feliz e sem remorsos. Amanda dizia que eu era um tanto perversa por ter abortado, eu evito discutir esse assunto, pra mim já foi e pronto, acabou, tirar o feto foi o mesmo que matar o Pedro e minha história com ele.&lt;br /&gt;Eu mereço ser amada!&lt;br /&gt;Amanda exclamava em prantos e seus olhos se inundavam e me afogavam em meio a tanta tristeza e desespero, eu queria ajudar, mas não sabia como, então ficava olhando, me partia o coração ver Amanda andar se escorando pelas paredes, trôpega, buscando a janela, e sentava e murmurava e dormia. Toda vez que bebíamos isso acontecia, Amanda parecia fugir de si mesma, sobrava então um vazio, esse vazio de ser amada. Foi aí que percebi: eu amava Amanda.&lt;br /&gt;Como sempre acontece, o amor chegou sem que eu me desse conta, quando pensamos que estamos gostando de alguém já gostamos, é como chuva de verão: cai com força quando menos se espera, depois restam apenas os estragos,e, no meu caso, os estragos foram grandes.&lt;br /&gt;Eu nunca havia sentido atração por mulher, Amanda, pelo que conhecia dela, também não; passei a viver um dilema: como me declarar à Amanda?, como mostrar-lhe meu amor?, como dizer a ela que não precisava mais se desesperar, agora ela era amada, eu a amava, eu amava Amanda.&lt;br /&gt;Estamos na praia, o tempo fecha ameaçando chuva, Amanda fala vamos embora, eu digo não, vamos ver se chove, e se chover tomamos banho de chuva na praia, ela sorri, é tão linda sorrindo, parece um arco-íris a se desenhar no céu, seu rosto transborda de cor quando sorri, ajeitamos nossas coisas sob o guarda sol e caminhamos juntas para a água, deixo que Amanda se adiante um pouco e admiro seu corpo, pela primeira vez sinto tesão por uma mulher, corro, estamos nadando quando a chuva cai, Amanda corre à areia, eu a sigo, é hoje, penso, vou me declarar, Amanda rodopia sob a chuva, penso que ela vai gritar eu mereço ser amada, mas ela está sóbria, seguro suas mãos e brincamos de roda, estamos sozinhas, a praia está deserta, a chuva aperta, eu me aproximo de Amanda e a beijo, sua boca é salgada, procuro sua língua que foge, ela me empurra, eu caio, eu te amo Amanda, tomo coragem e digo, ela está muda, você não quer ser amada, então, eu te amo Amanda, ela está parada, as mãos na boca, chora?, não sei, chove muito e as lágrimas, se existem, se misturam à chuva, me levanto e vou até ela, abraço-a, ela chora, você não você não você não ela diz seguidamente, você não pode, ela chora, você é minha amiga, minha melhor amiga, e tem mais, você é mulher, você não você não você não, me aproximo, ela se acalma, seguro-a pela mão e a levo ao mar, olho seus olhos, penso beijá-la outra vez, recuo, aliso-lhe os cabelos molhados, toco seu nariz, a água está a altura do nosso peito, beijo a face de Amanda, então afogo-a, seguro com força (toda força que tenho) sua cabeça sob a água, ela se debate desesperada, arranha-me as pernas, tira-me o biquíni e chora, tenho certeza que Amanda chora por sob a água, os movimentos cessam, eu seguro um pouco mais e solto, Amanda bóia, ando até a areia, sento e fico olhando o corpo de Amanda se perder, Amanda, a que não merecia ser amada por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos/ Dezembro de 2004.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-7977625724260654024?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/7977625724260654024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=7977625724260654024' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7977625724260654024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7977625724260654024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2009/10/amanda.html' title='Amanda'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-7489013343406797949</id><published>2009-09-06T15:31:00.000-07:00</published><updated>2009-09-06T15:40:04.985-07:00</updated><title type='text'>poema em prosa - 1</title><content type='html'>o significante sorte não tem significado pra mim, essas meras letras (s-o-r-t-e) a mim nada dizem, se constituem apenas enquanto sinais gráficos que não encontram representação cabível em meus pensamentos. minhas idéias quando acordam tem a cor do seu sorriso pequeno quando se abre pra mim nas esquinas dos sonhos: é transparente! talvez por isso tenha dificuldades de enxergar realmente a cor do que sonho. entre sonhar e viver bebo cerveja nos bares das incertezas, gosto de razão na boca me provoca ânsia de vômitos. quando beijei a boca da menina de azul senti que a lua tocava meu ombro e sussurrava em meu ouvido que felicidade tem sabor de ilusão. os momentos tristes têm a mesma duração dos bons: cada um vai até o limite das suas forças. na corda bamba da vida me desequilibro sempre, quero cair pro lado que o vento soprar com mais força, assim vejo quando as saias do tempo se levantarem e descubro que morrer é nada mais que deixar de viver. quando criança sonhava em ser feliz hoje procuro não dormir, os sonhos são tristes em suas doses de verdade. meus vícios se assemelham a banho de chuva: quando me encharcam o corpo fazem escorrer minha razão. o que penso da vida? nada. pensar cansa e viver dói, por conta disso apenas sinto, o que já me é o suficiente: sentir tem cheiro de infância e faz crescer os cabelos. se você não sabe somar não se preocupe, a vida é uma conta de diminuir constante, perdemos sempre. quando encontrei o gênio da lâmpada no quintal da minha casa fiz meus três pedidos: uma cerveja gelada, um cigarro filtro amarelo e uma mulher, bebi a cerveja, fumei o cigarro e guardei a mulher no meu inconsciente, desde então toda noite ela me visita na volúpia dos sonhos. escrever, vez ou outra, faz doer minha razão, às vezes prefiro banho de cachoeira. você lembra do dia em que nasceu? nem eu, minha memória é fraca demais para guardar os mais de nove mil dias que tenho de vida. vou acender um cigarro pra fumar, enquanto isso vá queimando aí suas idéias tentando decifrar esse enigma: acendo, puxo, prendo e passo e não é baseado, o que é? voltei! e ae, descobriu? não?! é a mulher: eu a olho e com isso acendo meu desejo, puxo-a para junto de mim, prendo-a em meus braços/sexo/pernas e depois passo-a para o lado do meu coração, onde a guardo carinhosamente. lembrei de uma menina, um dia a olhei e ela acendeu meu desejo, a puxei para junto de mim e a prendi em meus braços/sexo/pernas, mas antes que tivesse tempo de passá-la para o lado do meu coração ela se foi e me deixou só. só e em silêncio. acho que vou chorar: o céu está azul e meu silêncio sem cor. talvez seja hora de encerrar a escrita e deixar que o calor da vida aqueça-me a solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-7489013343406797949?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/7489013343406797949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=7489013343406797949' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7489013343406797949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/7489013343406797949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2009/09/poema-em-prosa-1.html' title='poema em prosa - 1'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-1721590100781969916</id><published>2009-05-19T14:16:00.000-07:00</published><updated>2009-05-19T14:20:24.644-07:00</updated><title type='text'>O beijo</title><content type='html'>Não, as bocas não se encontram e não há beijo, essa é a verdade, mas no terreno da literatura as verdades são frágeis demais, assim como o coração do jovem que temos sentado frente a essa menina que faz poucos dias ele conheceu.&lt;br /&gt;Eles apenas se olham em um momento de silêncio. As mãos do jovem deslizam suavemente por sobre as mãos pequenas e macias da menina, ela sorri, ele se mantém sério e pensa no que dizer, um ônibus passa em alta velocidade atravessando o sinal prestes a se fechar, eles se distraem com o barulho. A menina tem o olhar perdido por alguns instantes, é como se pensasse em algo que não está ali, junto deles sentado em um banco de praça, mas sim em outro lugar, distante, bem distante; seus olhos traduzem esse distanciamento. Ele, por sua vez, está todo ali, sua presença vai além do seu próprio corpo (que deseja o da menina), suas ideias trafegam em alta velocidade assim como o ônibus que passou.&lt;br /&gt;A menina vai, pouco a pouco, trazendo seus pensamentos novamente para o local em que eles se encontram, de leve ela retira sua mão de sob a dele, sorri, ele se constrange um pouco e cata no bolso da camisa um cigarro, acende, traga, solta a fumaça para o alto (inclinando o pescoço um pouco para cima) em seguida leva outra vez seus olhos para junto dos olhos da menina, sorriem um riso branco amarelado silencioso, então ele diz que talvez seja melhor ir embora.&lt;br /&gt;Não, ela responde enfaticamente. Depois, mais branda, ainda é cedo, vamos conversar. Outro silêncio se constrói junto à fumaça expelida por ele. Em seguida ela se põe a falar que também gostaria que tudo fosse diferente, que eles bem que podiam ter se conhecido em um outro momento, mas infelizmente não foi assim, e ela não pode fazer nada para mudar; até pode, ele diz; sim, posso, mas não quero, não agora, nesse momento, preciso pensar mais e melhor, ter certeza, sabe? Não, ele não sabe mas também não diz, traga de novo seu cigarro com força e deixa a fumaça se alojar toda em seu pulmão, sente como este se infla e preenche todo de fumaça. Ela percebe que ele se chateou e pousa de leve sua mão sobre a dele, assim como uma ave aterriza lentamente sobre uma árvore a procura de algo que a alimente ela procura a mão do jovem para alimentar os muitos desejos que sente por ele, mas que, infelizmente, ela pensa em seu silêncio, não pode realizar. Ele sente novamente se acender o desejo que tem por ela, sente uma vontade descontrolada de levantar, segurá-la firmemente, reter entre suas mãos o pequeno rosto dela e beijá-la, beijá-la muito, com força, enfiar avidamente sua língua dentro da boca dela, assim como o mendigo que viu há alguns dias a chafurdar no lixo em um desespero contido entremeado por palavras desconexas a procura de algo que lhe saciasse a fome ele quer entrar todo nela: língua e pênis, se perder no pequeno corpo da jovem, uma perdição como aquela que experimentamos quando boiamos na praia, quando todo nosso corpo fica leve a flutuar sobre as águas, assim, perdido de si mesmo, leve, solto no ar como um balão de gás ele quer ficar.&lt;br /&gt;Controlando sua vontade ele lembra do sonho que teve com ela mas prefere calar, não dizer nada talvez tenha sua utilidade, ele acredita, pois dessa forma pode se manter distante de alguma forma da invasão dela que teima em tocar seus pensamentos nos momentos mais inoportunos.&lt;br /&gt;O sonho: conversamos sentados em uma sala ouvindo música até que chega uma menina com quem não me dou muito bem, dessa forma te chamo para sairmos dali. De um momento para o outro já estamos em um quarto, deitados em uma cama que fica bem embaixo de uma janela; uma forte luz ilumina o ambiente e deixa seus olhos castanhos com um brilho que eu nunca vira antes, digo que eles estão bonitos e você sorri em silêncio, deitamos, eu quase que na sua barriga, meio de lado, e faço minha mão correr de leve por entre suas pernas, você continua a olhar pela janela e, ao sentir meu toque, sorri. Levo minha mão bem para o centro de suas pernas e assim como o corpo que afunda depois de boiar, se perdendo agora de uma maneira mais profunda, sem controle, disperso de si mesmo, assim vou me perdendo de mim ao procurar abrigo em você.&lt;br /&gt;Como não haverá beijo me pergunto sobre qual a utilidade desse texto. Se o beijo emerge aqui como elemento desencadeador de uma história como pode sua ausência gerar algo? Talvez essa pergunta não passe pela cabeça desses dois personagens, por conta disso eles (e principalmente ele) continuem sentados nesse banco de praça nessa noite que lentamente vestiu de negro o azul do céu, ele ainda alimenta esse desejo doce e amargo ao mesmo tempo de beijá-la, de poder tirar dela um pouco do prazer que vem catando dias e dias, há tempos já, numa procura que se mostra cansativa, toda noite, na pequena morte do sono ele se embrenha por entre pensamentos tortuosos sobre a fragilidade da vida, dos medos e desejos que o invadem sem pedir licença; respostas não há, ele pensa, mas mesmo assim continua a procura delas como o mendigo lá de cima; sua fome, como a do mendigo, não se sacia, não se encerra porque não existe alimento suficiente para ele, o mendigo sofre as mazelas do capitalismo e nosso personagem as mazelas da própria vida, entre a objetividade da fome e a subjetividade do amor os dois se veem num beco sem saída: o que fazer se o mundo parece conspirar contra mim?&lt;br /&gt;Essa é a pergunta que por alguns momentos os assombra mas que rapidamente se desvanece, a própria vida pede pressa, o tempo os engole a cada segundo, a morte está a espreita nas esquinas desse mesmo tempo, o caminho é apenas um: para frente, sempre para frente. E assim, presos nas rodas do destino, o que lhes resta é esse pouco de comida jogada fora (para o mendigo), e essa jovem sentada em uma praça qualquer (para o jovem), atados pelos invisíveis laços da existência eles se encontram e se debatem consigo mesmo em um desespero contido e é pena não poderem estar de mãos dadas feito duas crianças a brincar de roda, girando girando girando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos&lt;br /&gt;abril-maio de 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-1721590100781969916?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/1721590100781969916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=1721590100781969916' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/1721590100781969916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/1721590100781969916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2009/05/o-beijo.html' title='O beijo'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-5077110032451647276</id><published>2009-01-27T03:26:00.001-08:00</published><updated>2009-01-27T03:38:36.969-08:00</updated><title type='text'>Nós</title><content type='html'>“Faço o amor, é verdade; que mal pode haver nisso? Querias que aos dezesseis anos eu ficasse por aí como uma coruja?...” – Canção triestina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Graciela, com carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal vem andando lentamente, com dezesseis anos vivem uma de suas primeiras relações. Caminham em silêncio, as mãos entrelaçadas procura traduzir uma espécie de laço que os une. Ele pensa no que dizer, cata na memória palavras que ouviu de homens mais velhos sobre como tratar uma mulher. Ela não consegue pensar em nada, cada passo parece levá-la para mais longe dele, mesmo ali, de mãos dadas, sente-se distante, perdida dentro de si mesma. Com a ponta do dedo ela ajeita os óculos, dá um leve toque na parte do aro que se coloca bem acima do nariz, sente o sol incomodando, pisca e ajeita novamente os óculos, então pára. Abruptamente ela pára. Assim, sem mais nem menos, suas pernas travam, não a deixam seguir adiante. Silêncio. Ela leva novamente a mão aos óculos e o retira, olha de soslaio para ele que está um tanto desnorteado, continua a catar na memória palavras, mas procura agora aquelas que possam servir de combustível para que ela se mexa. Sente que sua mão sua mas não quer soltá-la da mão dela, pensa que isso seria demonstrar fraqueza, insegurança, então aperta ainda com mais força a mão da menina (assim como faz quando bate com força suas baquetas nos pratos da bateria, tentando sempre seguir o ritmo o ritmo o ritmo). Com os óculos na mão ela olha o céu, sua cabeça parece um vulcão a destilar larvas de idéias, pensamentos confusos e fragmentados bailam a sua frente. Tudo que queria nesse momento era estar em casa, deitada no colo da mãe, sentindo como os dedos da mãe se perdem por entre seus cabelos pretos e finos, ouvindo como a voz da mãe a acalma, lembra de quando era criança e ficava se imaginando sentada nas nuvens, achava que as nuvens deviam ser bem macias e doces, e então se via deitada comendo pequenos pedaços de nuvens, a boca cheia de nuvem, o corpo esticado por sob uma fina camada rosa-amarelada de nuvem, e a mãe ali, alisando-lhe os cabelos e deixando-a calma, leve, solta como um pássaro.&lt;br /&gt;Mas não está em casa e a rua a assusta, por que está ali, de mãos dadas com aquele menino que conhece tão pouco? Do que ela gosta nele? Por que os dois estão juntos? De onde veio seu interesse por ele? Sim, ele é bonito com seus olhos verdes, seu cabelo que desce em cachos até o ombro, seu nariz fino e sua boca macia (o beijo dele a faz lembrar das nuvens de sua infância), mas e aí, o que tem isso de importante? Por que ele e não outro? Por que ele, justamente ele, esse menino que apareceu há três meses em sua vida e fica ao lado dela, tocando-lhe a boca com sua boca, alisando-lhe as pernas, o peito, a bunda nas noites que passam sentados na varanda? E aquele jeito dele de morder a orelha dela, de ficar lambendo a orelha dela, de querer enfiar a mão fina de dedos curtos dentro da blusa e da calça dela, de ficar falando que gostaria de vê-la nua, por que ela sente suas pernas tremerem quando ele a beija avidamente no pescoço e toca-lhe o seio bem de leve? Por que seu coração dispara quando ele a alisa a bunda e solta a língua dentro de sua boca, sua língua-peixe que se debate a procura de ar? Por que ela sente medo de nunca mais vê-lo mas ao mesmo tempo acha que não sentirá saudades se ele simplesmente desaparecer da sua vida? Por que ela não pensa sobre quanto tempo eles ficarão juntos? Por que ela nem mesmo sabe ao certo por que estão juntos?&lt;br /&gt;Parados, no meio de uma rua esburacada de um bairro de periferia, assim está o casal de jovens, dezesseis anos apenas, ela com os óculos em uma das mãos e a outra presa por entre os dedos dele que procura uma maneira de fazê-la andar (acha tão bonito o jeito descompromissado que ela tem de andar, parece não querer chegar a lugar algum, apenas anda, um andar feliz, alegre, doce e belo como ela), sente-se um idiota, um verdadeiro idiota parado no meio de uma rua que não conhece muito bem de mãos dadas com essa menina que apareceu faz três meses em sua vida mas que despertou nele um forte desejo, o que gostaria mesmo era de poder ficar com ela em seu quarto, nu, a cabeça por entre os belos seios dela, lambendo-a como aquele cara do filme fez com a loira de peitos grandes, fazer sua língua correr loucamente pelos bicos dos seios dela, apertá-la contra si, com força, ir lhe mordendo a orelha aos poucos (as mulheres enlouquecem com uma boa mordida em suas orelhas, o pai disse certa vez), até finalmente poder se perder dentro dela (mulher gostosa é aquela que te faz ficar perdido, sem chão quando começa a comê-la, assim ouviu o amigo do irmão mais velho falando: comer, comê-la, mastigá-la, morder morder morder até saber que sabor tem uma mulher) isso sim é o que ele quer, não ficar ali com cara de babaca parado no meio da rua, pensa em chamá-la, em acordá-la desse transe em que ela parece metida mas tudo que sua boca é capaz de produzir é um simples:&lt;br /&gt;Hã&lt;br /&gt;Enquanto a olha parada com os óculos na mão. Gosta dela, sabe disso, gosta quando ela o beija na escola na frente dos amigos, gosta quando ela o espera para irem embora juntos ao fim das aulas, gosta de olhá-la enquanto bate com força em sua bateria durante os shows (sempre a procura do ritmo do ritmo do ritmo), gosta quando sente que ela quer que ele a beije, gosta do beijo dela, do gosto doce que saboreia quando a beija, gosta da quentura que o corpo dela proporciona no seu, gosta quando sente seu sexo duro no meio da noite ao pensar nela, gosta de tomar banho imaginando como deve ser belo o corpo dela nu, aquela pele branca e macia (sua mão é macia, parece mão de criança, ele a disse no primeiro encontro) mas não gosta nem um pouco de estar ali parado sem saber o que fazer, o tempo parece ter congelado assim como as pernas dela.&lt;br /&gt;O amor é um sentimento que não conhecemos, apenas sentimos, disse seu professor de literatura certa vez; ela guardou com carinho essas palavras, da mesma forma que se guarda um presente desejado ou uma lembrança feliz ela pôs essas palavras naquele canto da memória reservado aos acontecimentos importantes da vida. Mas como sentir o amor ele não disse. Talvez seja essa a pergunta que ela esteja se fazendo agora, talvez sua parada seja apenas uma forma de se proteger não dele mas dela mesma, de se manter distante, imóvel para a própria vida e o que vem junto desta quando se procura viver. Desliza seu olhar pela rua na tentativa de encontrar respostas para o que se move dentro dela, depois solta a mão dele e se senta no meio fio. Coloca os óculos, olha para ele, em seguida desamarra o cadarço do tênis que calça e começa a amarrá-lo outra vez. Seus dedos seguram pela ponta o cadarço, bem lentamente ela os entrelaça, um para a direita e outro para a esquerda, depois se colocam um por sobre o outro, em seguida perfazem uma espécie de laço e novamente se encontram, agora os laços se envolvem, rodopiam juntos como um casal que dança, se interpenetram e finalmente atam-se, firmes, presos, amarrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos.&lt;br /&gt;Janeiro de 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-5077110032451647276?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/5077110032451647276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=5077110032451647276' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5077110032451647276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/5077110032451647276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2009/01/nos.html' title='Nós'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-9001394542217889475</id><published>2008-12-21T09:56:00.000-08:00</published><updated>2008-12-21T10:00:33.824-08:00</updated><title type='text'>Descoberta</title><content type='html'>E então, o que você me diz?&lt;br /&gt;(cigarro aceso) &lt;br /&gt;é sempre difícil pensar no que fazer de nossa vida quando nunca sabemos onde nossa vida vai dar. ficamos então a espera dos acontecimentos para que, por meio deles, possamos, no mínimo, construir um pequeno caminho (ou uma simples trilha), que nos ajude a ver como dar o próximo passo. sendo este o primeiro e último em todas as ocasiões (primeiro porque é dele que partem os outros e último porque depois dele nenhum outro é certo de acontecer, entramos assim em um dilema: para que dar um passo se ele pode não mudar nada?&lt;br /&gt;Ela ficou quieta. Muda, olhou nos olhos dele e assim ficou por algum tempo, o suficiente pra sentir (pra ela esse foi o momento) que já não o amava mais. Sem conseguir pronunciar palavra, abaixou a cabeça e ao olhar o chão sentiu então que nada daquilo deveria estar acontecendo, como pude amá-lo tanto e agora ficar aqui, assim, em silêncio sem nem sequer ser capaz de olhá-lo nos olhos (justamente os olhos dele que tanto tanto tanto me encantaram um dia com seu brilho, aquele jeito criança de olhar, uma olhar verde, sempre repleto de esperanças, cheio de beleza) fazendo força ela emergiu de seu silêncio e disse que ia embora, que não tinha mais motivo para estar ali, não me procure mais, acabou, aceite isso, não insista mais, por favor, não quero ser grossa com você.&lt;br /&gt;quando se ama uma vez fica-se com a impressão de que não haverá mais a possibilidade de um novo amor, amar com intensidade e ser abandonado deixa uma sensação de impotência perante a vida, o sentimento de perda, a frustração em si de uma relação que, pensa-se, tinha tudo pra dar certo, gera naquele que mais acreditava um sentimento de estranhamento nas relações futuras. com ele foi assim: um amor frustrado foi igual a anos e anos de retraimento, de negação de sentimentos, de fuga para dentro de si mesmo; auto-exilado em seu próprio mundo ele acreditou que jamais seria possível amar outra vez como um dia amou (chamemos aqui está de A primeira).&lt;br /&gt;foi então que ela surgiu (daremos a ela o nome de A segunda) e o fez perceber/sentir que é sim possível amar novamente, e ele amou: com mais força, mais desejo, mais ardor, mais necessidade, mais carinho, mais sabor, mais vontade, mais ternura, mais paixão; mas junto a isso também vieram mais medos, mais lágrimas, mais anseios, mais dor: a dor de uma possível perda.&lt;br /&gt;Sei que você não entende (e nem deve mesmo entender) mas pra mim não dá mais, eu preciso ficar sozinha, viver mais, ver o que a vida tem a me oferecer (além de você, ela pensou mas não falou) eu não tô me sentindo bem, tô confusa, não sei mais o que quero, ou sei, mas o que quero é ficar sozinha, sabe?, você precisa entender, é o melhor pra mim agora, ficar só, em paz, poder pensar, eu não quero ficar com você apenas por pena, não é justo, eu tô precisando me encontrar, encontrar algo que me faça feliz novamente, eu tô sentindo falta de fé, sabia?&lt;br /&gt;fé, o que é isso?, ele se perguntou ao ouvi-la falar. um gole na cerveja, a vontade ardendo por dentro de dar um trago em um cigarro, em tragar fundo (bem fundo, com força) até sentir a fumaça tomar conte dele, esquentá-lo por dentro, ir preenchendo o lugar que ela a cada dia vem deixando mais vazio; mas o que é a fé?, ele pergunta. ela permanece muda, absorta em si mesma, presa em algum lugar que ele jamais foi capaz de chegar, nem nos melhores momentos ele conseguiu atingir o cerne da questão, esse espaço vazio, situado dentro dela, escondido por sob sorrisos e palavras (escritas e pronunciadas).&lt;br /&gt;Culpada por não se sentir culpada ela tentava encontrar (pra si mesma) um novo caminho a seguir; triste mas ao mesmo tempo com um sentimento de alívio, uma sensação de liberdade ela primeiro se refugiou em seu silêncio até encontrar novamente forças e vontade para prosseguir com sua vida: reencontro com amores passados, noites viradas ao som do choro guardado pela tristeza que não se dissipa (guardado mas transfigurado em sorrisos de capa de revistas) ela foi construindo sua própria história sem saber onde é que tudo aquilo ia dar. Apenas com o tempo ela foi capaz de perceber que é extremamente difícil se encontrar entre aqueles que não sabem sequer que estão perdidos. Solitária, se pôs a pensar como seria sua vida se tivesse continuado com ele.&lt;br /&gt;“tudo passa, tudo sempre passará”, ele cantarolou um dia sentado no ônibus sem se dar conta de que cantava sobre si mesmo; com o tempo foi percebendo/sentindo que ela era a responsável pela mudança em sua vida, mais que ela, foi o fato de ter sido por ela abandonado, a partir disso foi que ele se dedicou a atividades antes relegadas a segundo plano (era ela seu centro gravitacional), por ela tudo fazia e tudo deixava de fazer. o abandono e a solidão o possibilitaram refletir sobre que caminho sua vida deveria tomar nesse novo período pós- A segunda; desgastado pelas noites mal dormidas e as horas perdidas em vão com devaneios sobre a volta dela ele partiu novamente em sua aventura interior, trilhando outra vez os caminhos de sua consciência encontrou-se consigo mesmo: reflexo disperso no espelho partido da razão/emoção; fragmentado mas ao mesmo tempo inteiro em suas convicções é que ele foi capaz de se re-erguer e seguir em frente. o caminho: a incerteza cotidiana. despido de sonhos e sem óculos de mão o que fez foi mergulhar dentro de si mesmo.&lt;br /&gt;Um sonho dela: estou sentada, nua, debaixo de uma árvore, ele passa e não me vê, eu tento gritar mas não consigo (preso!!. O grito está preso, preso dentro de mim, então levanto e corro atrás dele), mas ele já sumiu, então vem um ex namorado meu, mas não o último ex, que é ele, e sim o primeiro ex, um que nem lembrava mais, ele também passa por mim (continuo nua) e também não me vê, nem me olha, nem me percebe, outra vez eu grito e o grito se prende em mim, então eu encho (incho), fico maior com o grito que se prendeu dentro de mim, levanto e corro e ele também some; agora são três os meus ex que vem juntos, eles conversam, riem, fazem piadas uns dos outros e passam sem sequer olhar pra debaixo da árvore em que estou (eu nua), eles também não me notaram (eu encho mais, (incho mais), estou enorme, ah, que horror!!!), o que está havendo, me pergunto e sem tempo de me responder meus últimos três ex e mais um amigo com quem sempre mantenho relações quando estou sozinha passam correndo, eles choram (ou riem, nunca sei ao certo), parecem crianças perdidas dos pais, choram e não me olham (eu nua, completamente nua!!!), todas as vezes que eles passam eu levanto, levanto e corro (agora já não consigo mais correr, estou cheia demais, (inchada demais), pesada demais que não consigo mais correr), mas logo em seguida eles somem e eu fico sozinha, eu sempre termino sozinha nos meus sonhos, por que, doutora, por quê?&lt;br /&gt;quando tudo então parece perdido, quando os sonhos se descolorem a cada novo amanhecer é que ele encontra forças, então sorri, um riso grande, aberto feito o azul-céu de verão que ilumina suas idéias enquanto caminha a esmo pela cidade, cigarro em punho feito um pistoleiro desses de faroeste ianque ele sente a fumaça bailando lentamente por seu corpo, pulmão e cabeça cheios, repletos de fumaça e pensamentos ele sorri (outra vez) então pensa que no fundo tudo parece apenas um sonho, cada novo dia que se vive nele à revelia do próprio querer é apenas uma mínima parcela de tudo isso a que chamam vida, mas ele está vivo (dizem isso, não dizem?!), então o que resta é viver e viver, para ele, é uma extensão de algo que se confunde com o que recebe o nome de amor. &lt;br /&gt;assim como aquela personagem que some sem uma explicação plausível ela desapareceu de sua vida, cansado do papel de homem fraco da história ele a deixou de lado, a expeliu como a fumaça de mais um cigarro fumado minutos antes de deitar e embarcar no trem do sono, então dormiu, se deixou levar pelo silêncio doce e macio da noite até se encontrar novamente consigo mesmo em mais uma manhã chuvosa de outono, acordou, olhou o céu e imaginou que a chuva eram as lágrimas que ele um dia derramou por ela, mas que agora não eram mais dele, não o pertenciam mais, por isso caía assim com força do céu, soltas, livres, como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos.&lt;br /&gt;Novembro/dezembro de 2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-9001394542217889475?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/9001394542217889475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=9001394542217889475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/9001394542217889475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/9001394542217889475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2008/12/descoberta.html' title='Descoberta'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1259878683263352244.post-1474777442163926787</id><published>2008-10-17T06:33:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T09:31:22.773-08:00</updated><title type='text'>Qualquer semelhança não é mera coincidência</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para aquela que se foi.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pior morte é aquela em que não se morre totalmente.&lt;br /&gt;Eu era um jovem que ainda acreditava no amor e no que esse supostamente pode trazer de bom às pessoas quando aceitei me casar com uma menina dois anos mais nova que eu. Nos conhecemos num bar quando a noite já se preparava para encontrar o dia, olhares e olhares nos aproximaram, nos beijamos sem nem trocar palavras: peixe sem ar fora do aquário a mover-se no ritmo do desejo que encharcava nossos corpos. O tempo foi passando e juntos aprofundamos o mergulho: sem nos preocuparmos com o sol da razão nos entregamos sem medo às turvas águas da paixão até o dia em que decidimos, a dois, nos casarmos.&lt;br /&gt;Era o início do fim.&lt;br /&gt;Duas xícaras de café expresso sobre a mesa, eu e ela, frente a frente, olhos nos olhos, a paixão empestiando o ar com seu cheiro bolorento de dor (sim dor, mas esta aqui ainda estava escondida sob a máscara do amor), uma pequena caixa preta contendo um par de alianças de ouro compradas a pouco numa loja de jóias com nossos nomes gravados, então eu disse: sei que a vida um dia vai acabar, mas enquanto isso não acontece quero ficar do seu lado: quer casar comigo?, ela sorri, emocionada, e diz sim, eu também quero casar com você!&lt;br /&gt;Sim, os dois queríamos o casamento, os dois nos empolgamos com a idéia e levamos juntos na estrada da empolgação diversos amigos e parentes: presentes, datas, planos, contas, projeções, tudo foi feito, tudo, menos o casamento.&lt;br /&gt;Dois meses e meio depois dessa bela cena em que dois jovens apaixonados sentados numa mesa de café se declaram mutuamente aptos a casar ela disse: acho melhor a gente terminar!&lt;br /&gt;Imagine uma casa, a sua casa, o lugar onde você se sente seguro, protegido dos perigos do mundo, onde você se sente forte, feliz, vivo. Agora imagine uma forte chuva. Junte então a casa e a forte chuva e some os dois: terá o mesmo resultado que tive: meu mundo veio abaixo assim como uma casa destruída por uma tempestade. Assim como a casa que te abriga do resto do mundo e te faz você, te protege, cuida de você, meu mundo caiu, foi por terra junto às palavras pronunciadas por ela com olhos levemente marejados de lágrimas. O que ficou nem eu sei ao certo. Um misto de dor e raiva se apossou de mim que não fui capaz de ordenar meus pensamentos, tudo que fazia era tentar me manter de pé, me manter vivo, ou quase isso.&lt;br /&gt;Chorei, escrevi, liguei, falei, corri atrás, me declarei, me submeti, me arrastei feito lesma pela trilha suja de amor que ela deixou atrás de si ao partir e nada. Ela se mostrou irreversível em sua decisão: não, não e não, eu não quero mais, eu não estou mais a fim, acabou, acabou, acabou, aceite isso, se conforme com isso. Mas eu simplesmente não conseguia aceitar e muito menos me conformar: como se conformar com sua própria morte ou com a morte da pessoa que você ama?, mais ainda: como se conformar com essas mortes estando você e a pessoa vivos?&lt;br /&gt;Foi justamente esse inconformismo que me levou a escrever. Há anos afastado da literatura – frustrado por escrever e nunca conseguir publicar – resolvi pôr no papel tudo que havíamos vivido juntos, do primeiro ao último dia de nossa relação tudo que ainda sobrevivia em minha memória recebeu a maquiagem da ficção, com fortes pinceladas de dramaticidade transformei minha dor em obra literária. E o resultado foi inesperado assim como a atitude dela: virei best seller! Com uma tiragem inicial de dois mil exemplares em parte bancada por mim e sem ter sequer direito sobre o preço de capa a duzentos e trinta mil exemplares vendidos em pouco mais de um ano me tornei um verdadeiro escritor pop dentro do cabisbaixo panorama literário brasileiro. Freqüentei programas televisivos, dei entrevistas para revistas especializadas e outras fúteis, posei ao lado de gente famosa, dei palestras sobre arte e consumo em universidades, fui capa dos cadernos de cultura dos principais jornais do país, disputei pau a pau com autores de renome mundial o primeiro lugar da lista dos mais vendidos durante algumas semanas, fui comparado a Machado de Assis e Paulo Coelho, cotado pra ABL e, é claro, ganhei dinheiro.&lt;br /&gt;Essa foi a melhor parte, pois larguei meu emprego de professor e aquele monte de crianças e adolescentes chatos que vivem perdidos pelo mundo da virtualidade e pude, com prazer e um certo sarcasmo, me dedicar a escrever e falar mal dela em todas as entrevistas que concedi. Era esse o meu maior prazer, o momento de maior regozijo em todas as vezes que era convidado a falar sobre meu livro e o sucesso que ele obteve: sim, eu sofri, mas esse mesmo sofrimento hoje é a fonte mais fértil do meu sucesso. Quase uma frase dessas que estampam esses livros de auto-ajuda, mas eram engraçadas as perguntas que me faziam, então resolvi levar tudo na sacanagem mesmo e me entreguei sem pudores ao mundo das futilidades momentâneas da tão apregoada pós-modernidade. Em menos de dois anos minha vida só fez mudar em um ritmo vertiginoso, me sentia como um personagem de vídeo-clipe: de um jovem professor de escolas públicas e particulares com casamento marcado e cara de apaixonado passei a renegado pela noiva e aprendiz de alcoólatra até me tornar o mais lucrativo investimento literário brasileiro.&lt;br /&gt;Dela pouco soube durante vários meses, depois de tanto insistir em um retorno, de propor mil e uma maneiras de reatarmos nossa relação me entreguei inteiramente ao vício: da cerveja à cocaína passando pela maconha até chegar ao crack mergulhei fundo na fuga da realidade, me sentia como aquele personagem de um filme que não lembro o nome que entra por um vaso sanitário e sai no fundo do mar, da merda em que ela me deixou acabei, por culpa dela também, encontrando o mar de vendas que me tornou famoso.&lt;br /&gt;Com o passar do tempo fui me afastando do mundo da fama, deixei de lado meu lado pop e me pus a escrever o que bem entendesse, desenterrei textos velhos que ninguém queria publicar – e que agora eram aclamados – flertei com o experimentalismo literário, escrevi resenhas sobre jovens autores até me cansar e declarar aposentadoria. Hoje já não escrevo mais e vivo longe de tudo e todos, meus maiores amigos são as ruas esburacadas da cidade interiorana onde moro há cinco anos. Dela soube que casou três vezes (e se separou em todas) e teve cinco filhos, mas quando decidi sumir para o mundo perdi qualquer tipo de contato que me chegava por meio de amigos em comum. Posso dizer até que sou feliz dentro do que tenho a minha disposição para viver, mas nunca escondi de ninguém que ela foi e é a mulher da minha vida, a mulher que mais amei – talvez mesmo a única – a mulher com quem quis construir família, de quem queria filhos e a companhia, mas o que me restou foram apenas saudades, resquícios de lembranças escondidos por sob o tapete sujo e desbotado do tempo. Na memória o que trago dela são os bons momentos que passamos juntos: seu riso grande e estrondoso, sua boca macia, seu sexo molhado a me receber, seu jeito meigo de me pedir uma massagem, suas tpms, seus olhares silenciosos, seu carinhos, que mesmo escassos me deixavam em estado de êxtase, sua voz ao telefone a dizer que me amava antes de encerrarmos as ligações, seu jeito de dormir com a boca levemente aberta, nossas tardes e noites juntos assistindo filmes, as muitas e muitas pizzas que comemos regadas a um bom vinho tinto, todos os lugares em que fizemos sexo, sua cara no momento do gozo, seus cabelos revoltos, sua voz fina a me chamar de longe, nossas brigas, meus ciúmes, os banhos que tomávamos juntos, as viagens, os planos.&lt;br /&gt;Enfim, posso sim afirmar que ela foi e é a mulher da minha vida, e que mesmo com toda essa distância no espaço e no tempo na há uma noite, um dia ou uma tarde em que eu não pense nela, em que não me pego a esperar que ela ligue e diga sou eu, vamos conversar. Mas não, isso nunca aconteceu e hoje, aqui, mais de trinta anos depois do nosso primeiro beijo – para ser mais exato 11.680 dias, que corresponde aos 32 anos que estamos separados e que dá um total de 280.320 horas longe - o que me resta é apenas essa saudade, esse vazio a procura de um preenchimento, esse estado de torpor em que me sinto a cada nova manhã, essa sensação de que minha vida não está completa porque a parte que falta é justamente a mais importante: ela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique dos Santos/ setembro-outubro de 2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1259878683263352244-1474777442163926787?l=osanjosestaocaindo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/feeds/1474777442163926787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1259878683263352244&amp;postID=1474777442163926787' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/1474777442163926787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1259878683263352244/posts/default/1474777442163926787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osanjosestaocaindo.blogspot.com/2008/10/qualquer-semelhana-no-mera-coincidncia.html' title='Qualquer semelhança não é mera coincidência'/><author><name>Carlos Henrique dos Santos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14698176931468141155</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
